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MINHAS PÉROLAS

sábado, 16 de março de 2013

FESTA DE PROFESSOR (Tomara que Salomão tenha razão quando afirma que a tristeza nos purifica.)



Crônica da vida escolar

FESTA DE PROFESSOR (Tomara que Salomão tenha razão quando afirma que a tristeza nos purifica.) 

Por Claudeci Ferreira de Andrade

            Este ano foi generoso na organização das folgas. Dia das crianças, sexta-feira e dia dos professores, segunda-feira; entre eles, o sábado e o domingo. Motivo quadruplicado para comemorações. Então, no calor da euforia, arrisquei-me ir ao jantar para os professores, que foi realizado no colégio mesmo. Você precisava ver, tudo estava muito arranjado, coisa de profissional. Ainda que o ambiente me era comum, e as pessoas também me pareciam maquiadas de si mesmas do mesmo jeito dos dias comuns. Logo senti a falta de muitos colegas com quem eu gostaria de confraternizar naquela ocasião. Por que não vieram? — Ah! Eles não se relacionam bem com a direção, resquícios pessoais – se apressou alguém em me responder. Onde é mais difícil ser hipócrita, no trabalho ou na festa!? Continuei em minha solidão reflexiva.
            Mal o conjunto musical se instalou, eu já queria ir embora, lembrei-me das palavras do Sábio Salomão: "... é melhor estar nos velórios que ir a festas de aniversário. Isso porque você vai morrer um dia e é bom pensar nisso enquanto ainda há tempo. A tristeza é melhor que a alegria porque ela nos purifica." (Ecl. 7:2-3 BV). Foi quando minha coordenadora chamou-me para sentar à sua mesa, Então persisti na busca do prazer. Conversa vai e conversa vem. Excedi-me também nas risadas e no bebê Coca-cola. Tendo alguns relampejos de lucidez, aqui e acolá, moderava o envolvimento. Mas, não teve jeito, fui convidado para cantar uma canção dedicada aos professores. Uma canção de minha autoria, imagina!!! É, Você sabe que coisa de última hora, improvisada geralmente não fica boa. Quando voltei para a mesa estava 'leproso".  E o esforço dos colegas, mais próximo, para me conforta era notório. Porém, se eu não fosse me arriscar às atenções, também ficaria péssimo, teria ido embora, antes mesmo do jantar ser servido.
          Cheguei a comentar, por que todas as festas têm como estímulo a comida, parece que todo mundo vive para comer, será que o pão se divorciou do "circo". Para mim até a história está desconjuntada. Talvez só para mim que como só para viver. Contudo, as escolas ensinam a glutonaria às crianças desde cedo. O programa "Mais Educação", tendência modernista, serve dois lanches (um na chegada, outro na saída, e as crianças aproveitam e participam do intermediário servido para os do turno normal, ou melhor, ficam comendo três vezes num período).
         Nesse momento, estou sentindo uma sensação de peso na consciência, sei lá!!! Como se eu tivesse cometido muitos pecados. Tentei me lembrar do ano passado, no qual não fui à festa dos professores. E não me lembro deste desconforto de alma. Mas, foi ruim lembrar que, no primeiro dia letivo, todos me perguntavam por que não fui. — foi muito bom – diziam eles. Então eu era acometido com outra sensação esquisita, a de prejuízo. Acho que vou dizer para os meus colegas que não participaram desta festa — foi muito boa! E implantar neles a sensação de prejuízo. Pelo menos a vingança me aliviará por enquanto. Então, eu presente na festa ou ausente desta implicam responsabilidades que cumpridas ou não cumpridas me fazem triste. Tomara que Salomão tenha razão quando afirma que a tristeza nos purifica.
         
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 12/10/2012
Reeditado em 16/03/2013
Código do texto: T3928644
Classificação de conteúdo: seguro


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