"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

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MINHAS PÉROLAS

sábado, 4 de janeiro de 2014

"VAI COMENDO RAIMUNDO" (e “o salário óhhh”!)


Crônica

"VAI COMENDO RAIMUNDO" (e “o salário óhhh”!)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Em meio à rotina escolar, um aluno me chama de pai. Todos os dias, sem falta, ele insiste em me pedir a bênção. Seus pais verdadeiros não se incomodam, nem eu. Afinal, a escola é o seu segundo lar, e eu, por consequência, me torno seu segundo pai. O professor de matemática, por sua vez, torna-se um de seus tios. Não porque compartilhamos o mesmo sangue, mas porque ele também é professor dele. Em alguns momentos, sinto-me honrado, e acredito que o aluno também.

A professora de geografia, por outro lado, não é a favorita dele. No entanto, outros alunos a consideram a mais bela de todas as trabalhadoras ali: pequena e delicada, mas feroz quando necessário. Ela se faz grande diante de sua classe. Certamente, ela não tem inimigos ali, mas os acidentes têm sido uma constante, destacando a dureza da profissão. Uma vez, um aluno acidentalmente atingiu seu rosto, causando-lhe um olho inchado. Em outra ocasião, durante as brincadeiras do recreio, uma borracha foi lançada com tanta força que atingiu sua perna direita, fazendo-a encerrar sua tarde letiva naquele momento.

Por vezes, me pergunto quem é o santo padroeiro dos professores. Deve ser um santo tão desequilibrado e descuidado quanto eu, padrinho da turma do nono ano "B". Eles se vingam de si mesmos por tabela: um suicídio ideológico. Penalizam seus professores como se fosse um esporte, fazendo-nos sofrer em suas "abençoadas" garras. Até os momentos bons são frutos do cansaço daqueles que nunca nos dão trégua. Estamos tão desacostumados de boas e sadias relações, que até elogios da parte deles, vemos como tentativas de nos enganar! Então, no trabalho, andamos e falamos como quem pisa em ovos; é impossível não quebrá-los.

Eles, os intermediadores do conhecimento, querem aprender através de métodos que eles mesmos escolheram! E assim vai: "vai comendo Raimundo", como dizia o personagem do finado Chico Anysio, na Escolinha do professor Raimundo. E o salário, óhhh! E "vai comendo..." só no sentido figurado, pois o lanche da escola é só para os alunos; os professores, se tocarem, são considerados transgressores. Nesse particular, os alunos não precisam de exemplo e continuarão jogando arroz nos colegas.

No final das contas, somos todos parte de uma grande família disfuncional, aprendendo e ensinando uns aos outros, tropeçando e levantando, rindo e chorando. E, apesar de tudo, não trocaria essa experiência por nada. Pois, no final do dia, somos todos professores e alunos, aprendendo as lições mais importantes da vida: resiliência, empatia e, acima de tudo, amor.

sábado, 28 de dezembro de 2013

TESTE PARA DETECTAR INIMIGOS("Se meus inimigos pararem de dizer mentiras a meu respeito, eu paro de dizer verdades a respeito deles." — Adlai Stevenson)


Crônica

TESTE PARA DETECTAR INIMIGOS("Se meus inimigos pararem de dizer mentiras a meu respeito, eu paro de dizer verdades a respeito deles." — Adlai Stevenson)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

             Nossos inimigos acompanham nossos amigos, eles, oportunistas, se valem da aproximação dos que confiamos, e assim, nos acompanham indiretamente. Acenemos a quem amamos, e todos virão! Uns para nos apreciar e os outros para nos condenar. Por isso, digo: amigos dos meus inimigos são meus inimigos também. Napoleão Bonaparte disse: "Nunca interrompas o teu inimigo enquanto estiver a cometer um erro". Eis aí, o porquê, não denuncio ninguém, já disse o Luiz Augusto Pampinha: "Denúncia anônima pode ser vingança, traição ou coisa de bandido". Então, deixo a natureza e o destino administrarem as suas consequências, sendo a aplicação de meu desejo também sobre quem me ofende, por isso sei quais são meus inimigos: aqueles sofredores mais do que eu e me contaminam com seus sofrimentos.
          Também sei quem são meus inimigos porque sentem inveja de mim, quando estou feliz, e não podendo ser eu, imitam-me; às vezes me bajulam, e até tentam me manipular, dizendo coisas que nem sou, depois sorri para mim como se nada tivesse acontecendo! Exploram minhas fraquezas, atribuem ao meu profissionalismo todas suas deficiências e exigem minha perfeição.
           Meus inimigos jogam outros contra mim e por vezes se calam diante de meus apelos corporativistas. Quando me canso, obedeço o dito popular: "não podendo com o inimigo una-se a ele". É dessa forma: Meus inimigos se unem a mim contra nossos inimigos comuns. Só assim me dão trégua. — “O ótimo é inimigo do bom” (Adágio popular). Se temos alguém para odiarmos em comum, então somos irmãos! Porém, eles estão unido no silêncio para ler meus textos e  me leem mais, procurando falhas a fim de me condenar, não achando gancho, fingem nunca ler minha crônicas, se valendo do orgulho como superioridade.
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 15/08/2013
Reeditado em 28/12/2013
Código do texto: T4435950
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sábado, 21 de dezembro de 2013

O ÚLTIMO PÃO-DE-QUEIJO DA BANDEJA ( "A falsa modéstia é o último requinte da vaidade."— Jean de la Bruyere)



Crônica

O ÚLTIMO PÃO-DE-QUEIJO DA BANDEJA ( "A falsa modéstia é o último requinte da vaidade."— Jean de la Bruyere)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Em todo evento na escola, jamais falta o lanche! Não sei por quê! Mas, nem me sinto bem dando essa impressão de que se vive para comer. Se é reunião de professores, então o pão-de-queijo é indispensável. A tal "vaquinha magra" soma o dinheiro dos quais gostam, e uma ou duas duzias de pães-de-queijo quentinhos tornam-se o motivo da felicidade da maioria e o sucesso da socialização.                       Vivenciei nessa semana uma situação reveladora, em cujo um grupo de professores olhava sofregamente para o último pão-de-queijo sobrevivente na bandeja: aquele, o qual ninguém pega, mostrando-se educado, desprendido de egoísmo, versado nas etiquetas da alta sociedade! Porém, eu juro que se qualquer um daqueles mestres ficasse sozinho na sala junto àquele solitário e apetitoso pão-de-queijo, avançaria nele vorazmente. Observei-o, confesso, com água na boca, mas de forma discreta a fim de descobrir quem faria as honras do bolinho da falsa moralidade, controlei-me.
            Chegou a hora, e todos saíram juntos, desembaraçando-se uns dos outros, devagarinho no jeito de uma despedida daquele artesanal pão-de-queijo, porém desprezado pelas circunstâncias. Eu também saí no "bolo", andando meio devagar, sempre olhando para trás, tentando ver quem devoraria a última peça. Finalmente uma professora, como quem fingia ter esquecido alguma coisa na sala, faz finca-pé e retorna aos chamados do infeliz pão-de-queijo. Eu a segui sem ser percebido, e ela me deu o drible, entrou na porta vizinha: o banheiro feminino! Entretive-me com aquela decepção e em fração de segundo me descuidei da mesa de observação, então, retornei o olhar à mesa muito tarde, assim pude apenas observar o responsável da cozinha recolhendo as vasilhas. E o Pão-de-queijo se foi!!!
           Você já se sentiu o último pão-de-queijo da bandeja?  A vasilha é grande demais para contê-lo. Desprezado por pessoas as quais não querem partilhar sua verdadeira reputação. Os santarrões temem ser comparado com você, porque é desbocado e nunca goza da aceitação da maioria, pelo menos aparentemente. Eu sou como aquele cobiçado pão-de-queijo, impedido de saber o quanto lhe querem, só porque a atitude de comê-lo é uma indicação de desregra. Porém se esquecem da iniciativa! E a criatividade? E a inovação desvinculada do medo do que vão pensar de si?!!! Raul Sexas já disse: "Só os desobedientes são criativos".
           As Relações da educação são assim. Muitos me leem, mas ninguém comenta, para de forma alguma revelar os seus pensamentos a meu respeito: se me aceitam positivamente, são coniventes, e os respingos de minha má reputação os manchará; se não me aceitam, atraem a repugnância dos que me veem bem. Então, é mais fácil ler um comentário, em um dos meus textos na internet, de pessoas desconhecidas e de outras áreas de atuação. "O profeta em sua terra não faz milagre".
           Infelizmente, como o último pão-de-queijo da bandeja, sofremos o corporativismo do mal. Nossos inimigos acompanham nossos amigos, por longe ou por bem perto, eles, oportunistas, se valem da aproximação de quem confiamos com objetivo de ter acesso a nossas fraquezas, nos acompanham indiretamente, nem precisamos chamá-los, e todos virão! Uns nos apreciando e os outros para nos condenar. Por isso, digo: amigos dos meus inimigos são meus inimigos também. Logo, até que a morte me devore pelos caminhos certos, digo isso, crendo jamais haver alguém totalmente desprezível: eu me importei com aquele retraído pão-de-queijo e lho olhei diferenciadamente! Então, certamente, alguém se importará comigo, vendo-me sob olhares diferentes, respeitando-me realmente. Na verdade, não há inimigos nossos, há apenas aversos circunstanciais.      
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 15/08/2013
Reeditado em 21/12/2013
Código do texto: T4435749
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sábado, 14 de dezembro de 2013

MINHA EXPRESSÃO: VÁLVULA DE ESCAPE ("Não gosto do que acabo de escrever - mas sou obrigada a aceitar o trecho todo porque ele me aconteceu. E respeito muito o que eu me aconteço. Minha essência é inconsciente de si própria e é por isso que cegamente me obedeço. — Clarice Lispector)


Crônica

MINHA EXPRESSÃO: VÁLVULA DE ESCAPE ("Não gosto do que acabo de escrever - mas sou obrigada a aceitar o trecho todo porque ele me aconteceu. E respeito muito o que eu me aconteço. Minha essência é inconsciente de si própria e é por isso que cegamente me obedeço. — Clarice Lispector)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

             Disse-me um "amigo", enquanto lia alguns textos no meu blog: "Será que você não poderia falar menos sobre suas coisas? Deixar sua vida exposta aos outros, reclamando de pequenos problemas que ocorrem em seu dia a dia só faz com que as pessoas se irritem com suas queixas ou, o que é pior, fiquem com pena de você; um ser infeliz e sem sorte. Você quer ser visto assim?"
           Tá, mas será que esse amigo queria que eu falasse de quem ou de quê? Dele? De sua vida? Mostrando minha admiração por tê-lo como amigo feliz? Porém, inverter os níveis, ele não quer! Pode ser que minha dor aumente sua responsabilidade a meu respeito por se dizer meu amigo. Por acaso, ele pode viver minhas experiências? A Bíblia diz que tem amigo melhor que irmão, é bem verdade, todavia um irmão, embora não seja amigo, nunca deixa de ser irmão até porque as experiências de infância em comum são enraizadas, em um útero só, para toda vida. Talvez dois entes criados juntos se tornem amigos, mas não necessariamente irmãos. Então, o que Diabo é ser amigo?
           Eu tenho a plena consciência da pressão dos outros sobre minha liberdade, tolhendo meus movimentos; pressão essa que é grande, ainda mais agora que falo de minhas desgraças que são comuns a muitos. É como se eu entregasse os pontos aos meus inimigos. Fragilizando-me maior do que o tolerável, se se pode dizer assim, já não estou mais gostando de viver em perigo! Urgentemente tenho de encontrar uma outra boa válvula de escape, evitando confrontar os poderosos. Senão o mundo contemplará coisas piores.  Acho que devo aproveitar essas experiências para meditar e recuperar o meu equilíbrio mental já perdido há muito. Não quero mais conviver com mal entendidos e confusões. Alguma coisa ficou para trás: meu verdadeiro eu...
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 30/07/2013
Reeditado em 13/12/2013
Código do texto: T4411584
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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Educação pífia


Educação pífia

DIÁRIO DA MANHÃ
GÊNIO EURÍPEDES

Todos os formadores de opinião que leio sempre foram unânimes em acreditar que um País se salva primeiro pela educação. A educação foi bandeira do PT para se chegar ao poder. A maioria dos professores e dirigentes educacionais apostou fichas e sonhos na alavancagem da educação brasileira, e isso não aconteceu satisfatoriamente nestes 12 anos de governo petista. A educação desanda.
O gasto com o setor até que tem sido razoável, o que vale dizer: dinheiro a mais e gestão correta de menos. Assim, o primoroso  texto de Hélio Schwartsmam, da Folha de S.Paulo, me chamou a atenção, apesar do título forte e, de certa forma, exagerado,  porém não muito diferente ao que dou nesta abertura. Título do Hélio: “Desastre educacional”.
Portanto, peço, data venia, que seja colocado neste noticioso para análise de quem de direito. Estamos mal na foto, como admitiu o doutor Mercadante. Que saudade do Cristovam Buarque e do Paulo Renato!
“Saiu mais um Pisa, o teste internacional que avalia alunos de 15 e 16 anos em várias áreas, e o Brasil segue na rabeira. Os países que participam do exame são 65. Ficamos na 55ª posição em leitura, 58º em matemática e 59ª em ciência.
É verdade que melhoramos em matemática, mas estamos falando de um avanço da ordem de 10% em quase uma década. Nesse ritmo, levaríamos 26 anos para atingir a média dos países ricos e 57 para alcançar os chineses. Isso, é claro, no falso pressuposto de que os outros ficarão parados. Em leitura e ciência, a evolução foi ainda mais modesta.
Infelizmente, não será muito fácil mudar o quadro. O governo acena com os recursos do pré-sal como salvação da lavoura. É claro que mais dinheiro ajuda, mas está longe de ser uma garantia de sucesso. Na verdade, nosso sistema é hoje tão pouco funcional que jogar mais verbas nele será, acima de tudo, uma ótima maneira de desperdiçá-las.
Sem um plano coerente de como aplicar os recursos, os avanços tendem a ser mínimos. Um de nossos principais problemas é que não conseguimos recrutar bons professores – os países campeões do Pisa selecionam seus mestres entre os melhores alunos das faculdades; nós nos contentamos com os piores.
Mesmo que, numa rápida e improvável inversão de rumo, passássemos a contratar a elite, levaria um bom tempo até que o efeito se espalhasse pela rede, que conta hoje com mais de 2 milhões de docentes.
Isso significa que precisamos encontrar um meio de progredir com o que temos. Minha impressão é a de que o caminho passa por estabelecer um currículo detalhado e ensinar o professor exatamente o que ele deve dizer em cada aula aos alunos. Sim, estamos falando de sistemas massificados, daqueles que inibem a criatividade e outras coisas de que os pedagogos não gostam, mas não vejo muita alternativa. Afinal, estamos há muito tempo fracassando no básico”.
(Gênio Eurípedes, professor,advogado, escritor e vereador pelo PSDB de Jataí)

sábado, 7 de dezembro de 2013

A LICENÇA-PRÊMIO DO PROFESSOR E O TANQUE DE BETESDA ("A vida sem luta é um mar morto no centro do organismo universal." — Machado de Assis)


Crônica

A LICENÇA-PRÊMIO DO PROFESSOR E O TANQUE DE BETESDA ("A vida sem luta é um mar morto no centro do organismo universal." — Machado de Assis)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           O Professor efetivo terá direito à licença-prêmio de 3 meses em cada período de 5 anos de exercício efetivo e ininterrupto, sem prejuízo da remuneração. (http://www.mp.go.gov.br/portalweb/hp/10/docs/lei_n_16.378,_de_21_de_novembro_de_2008..pdf) (acessado em 13/03/2019).
          Não é assim na educação? Esse é mais um dos direitos concedidos segundo a conveniência da secretaria de educação, foi assim que me disseram: — "só um, de cada vez, pode gozar essa licença por Unidade Escolar, para não gerar gasto ou contratação". Bem, o critério da escolha de quem vai gozar é um mistério! E o professor efetivo que substituirá o licenciado não receberá pagamento pelas aulas adicionadas a sua carga horária? Então, qual seria o problema de se colocar um contrato temporário, com estas aulas, ganhando pelo que trabalhar como ganharia o efetivo que assumisse as aulas do premiado! Tantos quantos sejam, deviam honrar o direito de quem trabalhou ininterruptamente o quinquênio e servir-lhe quando ele bem desejar. Aliás, o desfrutar de direito conquistado devia ser compulsório, a partir da data de cumprimento.
          Se for da consciência de todos daquela Unidade Escolar, e, ali,  dois ou mais estiverem hábeis, com o direito devidamente conquistado, então começam uma guerra fria entre eles, e articulações políticas para garantir ao vencedor deferimento de sua licença no tempo solicitado. Sabendo disso, eu fiz tudo discretamente, não falei nada aos meus colegas concorrentes, porém, não adiantou, a professora tinha mais merecimento, ou seja, entrou primeiro.  Portanto agora só me resta uma analogia com a história bíblica do paralítico do tanque de Betesda: [Porquanto um anjo descia em certo tempo ao tanque, e agitava a água; então o primeiro que ali descia, depois do movimento da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse. Jo. 5:1–15]. A concorrência ali era grande e cá também, mas ainda se fala de corporativismo e a união da categoria: — Paradoxal!
         Quando um professor vocacionado que é, assíduo que seja, conhecedor das burocracias do sistema, dispões-se a pedir o usufruto da sua licença bem merecida é que ele realmente está precisando muito de um descanso da árdua tarefa da sala. Uns, mediante o sacrifício em vista, até esperam para requisitar suas licenças-prêmio acumuladas nas vésperas da aposentadoria; outro agravante é o risco de perder a vaga na unidade em que trabalhar, visto que o substituo do licenciado é agradável a diretora da escola. Mas, o irônico mesmo é morrerem antes, e o enriquecimento ilícito do sistema não ser medido. Para adubar meu conformismo, orientou-me a recepcionista do departamento pedagógico que tentasse no próximo ano, quem sabe!?! Quem sabe o quê?...Eu morra antes!
          É, converter a licença-prêmio em dinheiro deve ser mais difícil do que gerar um contrato temporário para substituir o insubstituível premiado em potencial. Nesse caso, vou ficar esperando Jesus voltar para acontecer o milagre. Qual foi mesmo o critério de Jesus para escolher o paralítico do Tanque de Betesda, visto haver muitos outros enfermos ali e não se tem relato de outras curas no incidente? 38 anos de espera? E eu vinte...! A pior ironia que tomei consciência é ter que guerrear pela paz, lutar para tomar posse do direito já conquistado!


ENCAMINHAMENTO DE PERCEPÇÃO


1 Por que, depois do dever comprido e direito conquistado, ainda temos que brigar para usufruí-lo? 

2 Se toda prática tem uma consequência, não seria a desordem do sistema e desrespeito uma consequência da desvalorização de seus componentes?

3- Quem ganha e quem perde com os exageros da causa?

4- O que falta para os eficientes burocráticos do sistema comunicar ao servidor que este ou aquele direito lhe pertence, sem que o servidor mate trabalho para correr atrás?

5- Conhecendo bem o Sistema educacional, pergunto: Por que é difícil para os órgãos públicos serem justos e transparentes para com a comunidade interna e externa da escola?
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 19/07/2013
Reeditado em 07/12/2013
Código do texto: T4394471
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sábado, 30 de novembro de 2013

O POVO DESAFIANDO A DEUS: O Despertar dos Gigantes e a Dança do Caos ("O amor é uma dor tradicional arcaica que ninguem moderniza". — Ildo Pedro Tivane)


Crônica

O POVO DESAFIANDO A DEUS: O Despertar dos Gigantes e a Dança do Caos ("O amor é uma dor tradicional arcaica que ninguem moderniza". — Ildo Pedro Tivane)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Tem dia que a cabeça não sossega e eu me pego matutando: e se aquele povo quietinho dos bancos de igreja resolvesse, de uma hora pra outra, ganhar a rua? Mas não na base do grito ou do confronto — e sim com aquela firmeza organizada que a gente vê por aí, cada grupo defendendo o que acredita ser essencial. Talvez, nessa hora, alguém soltasse: “o gigante acordou”. Tá, mas acordou pra quê? Eis o ponto que não larga do pé.

Porque, vamos combinar, acordar não é sinônimo de saber pra onde ir. Tem despertar que clareia; tem outros que só empurram a gente, meio zonzo, ladeira abaixo. E quando a descida engrena, ah… é batata: a culpa começa a rodar de mão em mão, como moeda miúda. A cena não é nova — vem lá de trás, do tal jardim inaugural. No fim, sempre tem alguém apontando o dedo, como se fosse mais leve culpar do que sustentar o próprio peso.

E cá estamos: tempos em que tudo vira disputa — valores, corpos, afetos, palavras. O que podia ser conversa vira trincheira. Quem fala pisa em ovos; quem escuta já vem armado. O barulho é grande, mas não é só de voz, não — é de certezas duras demais, dessas que não deixam espaço pra escuta de verdade.

Olha, vou te dizer: às vezes eu mesmo me sinto meio fora de lugar nisso tudo. Não por achar que sei mais que os outros, longe disso — mas porque dá pra ver que todo mundo, de um lado ou de outro, carrega um incômodo que nem sempre sabe explicar. Tem quem abrace as mudanças com um entusiasmo quase elétrico; tem quem recue, meio desconfiado. E, no meio desse cabo de guerra, fica esquecida uma coisa básica: a tal da humanidade que a gente divide, gostando ou não.

Talvez a gente erre justamente aí — quando transforma o outro em rótulo, em caricatura. Porque, quando isso acontece, deixa de ser gente e vira símbolo. E símbolo, você sabe, não sangra, não sente, não conta história. Mas gente… gente é um universo inteiro, cheio de contradição, de dor, de tentativa.

Enquanto isso, a ciência corre, a tecnologia engole espaço, e parece que o mundo tem resposta pra tudo — ou pelo menos finge que tem. Só que a alma… ah, essa não entra nessa pressa, não. Ela pede outra coisa: sentido. Um lugar pra pousar. Alguém que escute sem já vir com sentença pronta.

E talvez seja isso: tem muito “gigante” acordando por aí — não só nas ruas, mas dentro de cada um de nós. Uns se levantam pra defender, outros pra bater de frente, outros só pra tentar entender onde é que estão metidos. E, no meio dessa dança meio desajeitada, surgem histórias que não cabem em molde nenhum — afetos que fogem do script, vínculos que desafiam rótulos, gente tentando, do seu jeito, existir com um mínimo de dignidade.

No fim, talvez nem seja sobre quem tá certo ou errado — embora todo mundo, vez ou outra, tenha certeza de que tá. Talvez a pergunta seja outra: o que a gente faz com aquilo que incomoda? Endurece ou tenta entender? Levanta muro ou abre uma fresta?

Porque, sinceramente, o mundo já anda barulhento demais. E gigante furioso, convenhamos, não é novidade pra ninguém. O que ainda espanta — e, quem sabe, salva — é essa capacidade teimosa de olhar pro outro e enxergar ali não um inimigo, mas um enigma vivo. E enigma, quando não é atacado de cara, pode, sim… acabar revelando alguma coisa.


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Olá! Como professor de sociologia, fico muito contente em ver sua disposição para analisar um texto tão rico e reflexivo. O texto propõe um olhar sensível sobre os conflitos sociais, a polarização e a busca por identidade em um mundo em constante transformação tecnológica e moral. Seguindo o princípio do Alinhamento Construtivo, elaborei 5 questões discursivas que conectam as metáforas do texto a conceitos sociológicos fundamentais, como alteridade, movimentos sociais e o impacto da tecnologia na subjetividade.

1. O Despertar dos Movimentos Sociais

O texto utiliza a metáfora "o gigante acordou" para falar de grupos que decidem "ganhar a rua" e defender o que acreditam ser essencial. Na sociologia, como podemos diferenciar um "agrupamento de pessoas" de um "movimento social" organizado? O que o autor quer dizer com "acordar não é sinônimo de saber para onde ir"?

2. A Construção do "Outro" e o Rótulo

O autor afirma que "erramos justamente quando transformamos o outro em rótulo, em caricatura". Relacione essa frase ao conceito de Alteridade (a capacidade de reconhecer o outro como alguém diferente de mim, mas com igual dignidade). Por que transformar o outro em "símbolo" dificulta o diálogo democrático?

3. Instituições e a "Moeda da Culpa"

O texto menciona que, quando os problemas surgem, "a culpa começa a rodar de mão em mão". Analisando as instituições sociais (Família, Igreja, Estado, Escola), como a transferência de responsabilidades entre elas afeta a resolução de problemas coletivos na sociedade brasileira atual?

4. Ciência, Tecnologia e Sentido

Segundo o texto, "a ciência corre, a tecnologia engole espaço... mas a alma pede sentido". De que maneira a aceleração tecnológica e o uso das redes sociais podem contribuir para o que o autor chama de "certezas duras demais" e para a falta de "escuta de verdade"?

5. Conflito e Identidade

O autor sugere que o mundo é um "cabo de guerra" entre valores, corpos e afetos. Ao final, ele propõe olhar para o outro como um "enigma vivo" em vez de um "inimigo". Na sua visão, como a sociologia pode ajudar a sociedade a "abrir uma fresta" em vez de "levantar muros" diante daquilo que nos incomoda ou é diferente de nós?

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