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MINHAS PÉROLAS

domingo, 15 de fevereiro de 2009

ALUNO RECONHECIDO, PROFESSOR MANIPULATÓRIO


Crônica

ALUNO RECONHECIDO, PROFESSOR MANIPULATÓRIO

Claudeci Ferreira de Andrade


          Não há dúvida de que as autoridades políticas possuam mecanismo que promova o reconhecimento devido ao profissional da educação e que elas desejam torná-lo disponível.

          Mas, nem sempre está claro como esse reconhecimento se torna nosso. Você já notou a maneira em que costumeiramente reivindicamos o reconhecimento? Rogamos: — “Aumentem o nosso salário”! “Diminuam nossa carga horária”! Mas, o que estamos supondo? É o reconhecimento “aspergido” de cima para baixo como estamos acostumados a engolir as outras resoluções e decretos mil. Implantariam as autoridades políticas para este reconhecimento em forma de um aumento salarial à categoria do magistério tão prontamente como aumentariam os seus próprios salários? É nossa profissão mais árdua se não pedirmos esse reconhecimento?

          Talvez fosse mais apropriado se começássemos fazendo movimentos grevistas, pedindo mais trabalho, pois é sempre assim, quando ganhamos um adicional no salário, vem junto, mais trabalho e um aumento na parcela da previdência. Poderíamos afirmar a estes chefes, com essa atitude irônica, que estamos dispostos a ser lembrados mesmo a preço de “banana”.
          Há três abordagens gerais à pergunta sobre como obtemos o reconhecimento da sociedade. Elas podem ser sumarizadas deste modo: Primeiro, o reconhecimento é merecido, os governantes são obrigados a no-lo dar por causa de nossa utilidade social; segundo, o reconhecimento é conseguido com agrado ou lisonja, as autoridades são induzidas por nossa mendicância e terceiro, o reconhecimento é inerente, as autoridades políticas são sábias, bem preparadas academicamente a ponto de ver o futuro da educação.
          A maior parte de nossas greves e petições por reconhecimento cai na segunda categoria. Supomos que nossos chefes retêm todos os mecanismos promovedores do nosso reconhecimento e que eles arbitrariamente dispensam àqueles com quem estão satisfeitos (como o Papai Noel das grandes casas comerciais doam bombons às crianças). Naturalmente, o outro lada desta ideia é que eles também podem se utilizar de maldições e despejar algumas delas sobre aqueles com quem estão descontentes (perseguição).
          Segundo um ou outro raciocínio, os nossos chefes usam seus recursos a fim de manipular-nos. Votando e aplaudindo um governo manipulador nos tornamos como resultado: manipulatórios. Que tal se a rebeldia, a irreverência e a indisciplina de nossos alunos nos manipulassem, também, para com os nossos chefes. Talvez quem sabe, teríamos o reconhecimento que eles têm, advindo das providências dos governantes em sua sede de erradicar o analfabetismo (gratificações, livros, merenda, transporte escolar, kit uniforme, vale cesta básica, salário escola etc.). Consequentimente, o reconhecimento não é o ato de um governo arbitrário! O aluno é importante, o professor não?!
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 09/06/2009
Código do texto: T1640459

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