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MINHAS PÉROLAS

sábado, 8 de outubro de 2011

LEMBRANÇAS ("Palhaço...palhaçada...o que dá pra rir dá pra chorar...infelizmente...belo texto." — Maria Dilma Ponte de Brito)



LEMBRANÇAS ("Palhaço...palhaçada...o que dá pra rir dá pra chorar...infelizmente...belo texto." — Maria Dilma Ponte de Brito)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          A gente nunca apaga um palhaço da memória, ainda mais se ele nos fez triste. Tenho vários deles desenhados nas minhas fatigadas retinas, pois cresceram ao meu alcance, ciscando ao meu redor,  com a cara pintada de uma grosseira ironia. Mas, alguns de meus alunos só eram palhaços nas horas vagas, os outros, constantemente. Minhas calças xadrez os homenageiam, Tenho fortes preocupações que circundam agora, trazendo o fato de o governo não os deixar trabalhar, dá-lhes tudo gratuitamente, e eles fazem graça para merecer os incentivos. Parece-me hoje e mais que nunca, terei ainda outras tristes lembranças "incaláveis".
          Quando eu era criança, eu tinha medo dos palhaços, o medo me acompanhou, e até agora nem consigo me divertir com eles.  De forma alguma, vejo graça em palhaçada. Ou as máscaras são feias demais, ou o desaformoseio real da cara deles me contagia! Olho para eles como o faço a um espelho: essa não é minha cara!
          Mas, nesse grande circo é difícil metaforizar os papéis, todos são tão reais e interdisciplinares que ora  estou exposto no painel, para os atiradores de facas com os olhos vendados pelos óculos escuros do sistema educacional, ora sou as próprias facas, sinto-me o palhaço da vez. O chicote dos domadores desgasta-se a cada chicotada, mesmo assim, as feras anestesiadas não simulam reação positiva, apenas agem lentamente sem pensar, quero ver quando esquecerem o analgésico! No refeitório, sabem preparar muito bem o pão dos bichos trabalhadores do espetáculo, variedade inadequada, comprada com o dinheiro da abastada "bilheteria": é sempre pão e circo o mais atraente!
          As lonas coloridas e o alto-falante do mastro central intima a todos, ninguém pode deixar as crianças de fora, o matinê começou; o não comparecimento é taxado de "abandono intelectual". Destarte, onde estão os pais que trouxeram essas crianças, Jamais as educaram?
          Também faz medo o mundo lá fora, por isso de jeito nenhum quero o fim da sessão agora. A alegria não está no palhaço, está no pão e no circo. Para aonde dispersará o infantino público circense? Quem sou eu? Quem somos nós? Se demorar, jamais me lembrarei! Porém lá fora, é como eu já disse:  há muitos palhaços para pouco circo. Muitos deles andam com uma foice na mão ou um taco de basebol. Enquanto aqui dentro, alegra-me a descoberta de cujos seus desarranjos são iguais aos meus, debaixo da sombra da lona estou invisível. Portanto, reconsiderando que é melhor um palhaço vivo do que um herói morto!
Claudeko
Enviado por Claudeko em 05/10/2011
Reeditado em 08/10/2011
Código do texto: T3259491


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