Referenciais Arruinados (Disse a Mídia: A Escola/Família/Igreja atualmente é um pedaço inflamado da sociedade)
As evidências de que a escola deixou de ser um ambiente plenamente seguro tornaram-se inquietantes. Casos de agressões, abusos, roubos e outras formas de violência mostram que seus muros já não conseguem conter a turbulência social que os atravessa. A frequência desses episódios, cada vez maior, transforma a escola — antes vista como símbolo de proteção e formação ética — em um espaço vulnerável, que exige atenção constante de pais e responsáveis.
Tradicionalmente, acreditava-se que o lar e a escola compunham os dois refúgios essenciais de qualquer criança. Contudo, essa lógica tem se fragilizado. No ambiente doméstico, muitas vezes não há adultos disponíveis para supervisionar, e figuras supostamente confiáveis — como vizinhos, padrastos ou conhecidos — acabam protagonizando episódios trágicos. Situações extremas de violência intrafamiliar revelam a precariedade de um espaço que, em teoria, deveria garantir acolhimento e cuidado.
A gravidade aumenta quando, além dos riscos presentes em casa, surgem ameaças também no trajeto ou nas dependências escolares. Famílias se veem obrigadas a recorrer a delegacias, institutos médico-legais e órgãos de proteção para buscar vestígios de agressões sofridas por seus filhos. Nesse contexto, cresce o sentimento de impotência, acompanhado da dolorosa impressão de ter falhado na missão de proteger aqueles que mais amam.
A mídia, por sua vez, exerce um papel ambíguo. Ao divulgar repetidamente tragédias envolvendo a escola, a família ou instituições religiosas, molda percepções sociais e alimenta desconfianças generalizadas. Embora cumpra a função de denunciar problemas reais, muitas vezes se vale de um sensacionalismo que obscurece nuances, amplifica temores e contribui para o descrédito de estruturas que, apesar de enfraquecidas, ainda constituem pilares fundamentais da convivência humana.
Diante desse cenário de incertezas, torna-se inevitável refletir sobre o futuro da sociedade. Crises, abusos e sucessivas catástrofes sociais parecem anunciar o colapso de valores, mas também despertam o desejo de transformação. Talvez apenas uma renovação social profunda — capaz de restaurar a confiança nas instituições e reconstruir vínculos comunitários — consiga silenciar o discurso do medo e abrir caminho para uma convivência mais justa e segura.
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Assumindo meu papel de professor de Sociologia, elaborei 5 questões discursivas que exploram os principais conceitos do texto. O objetivo dessas perguntas é fazer com que os alunos identifiquem os fenômenos sociais descritos (violência institucional, papel da mídia, crise de confiança) e desenvolvam uma interpretação crítica baseada na leitura.
Questão 1 O texto inicia afirmando que a escola deixou de ser um "ambiente plenamente seguro". Segundo o primeiro parágrafo, o que mudou na relação entre os muros da escola e a sociedade externa, transformando esse espaço antes visto como símbolo de proteção?
Questão 2 Tradicionalmente, a sociologia e o senso comum viam o lar como um refúgio. De acordo com o segundo parágrafo, quais fatores contribuíram para a "fragilização" dessa lógica, tornando o ambiente doméstico, muitas vezes, um local de risco?
Questão 3 O texto descreve o impacto emocional e prático sobre as famílias diante da violência (tanto escolar quanto doméstica). Que sentimento predomina entre os pais segundo o autor e a quais tipos de instituições eles se veem obrigados a recorrer nesse cenário?
Questão 4 A mídia é descrita no texto como tendo um "papel ambíguo" (ou seja, que tem dois lados). Explique, com base na leitura, quais são os dois efeitos contraditórios que a cobertura midiática de tragédias provoca na sociedade.
Questão 5 No parágrafo de conclusão, o autor sugere que a crise atual pode despertar um desejo de transformação. Segundo o texto, o que é necessário acontecer socialmente para "silenciar o discurso do medo" e garantir uma convivência mais justa?
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