"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

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MINHAS PÉROLAS

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Referenciais Arruinados (Disse a Mídia: A Escola/Família/Igreja atualmente é um pedaço inflamado da sociedade)




CRÔNICA


Referenciais Arruinados (Disse a Mídia: A Escola/Família/Igreja atualmente é um pedaço inflamado da sociedade)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           
As evidências de que a escola deixou de ser um ambiente plenamente seguro tornaram-se inquietantes. Casos de agressões, abusos, roubos e outras formas de violência mostram que seus muros já não conseguem conter a turbulência social que os atravessa. A frequência desses episódios, cada vez maior, transforma a escola — antes vista como símbolo de proteção e formação ética — em um espaço vulnerável, que exige atenção constante de pais e responsáveis.

Tradicionalmente, acreditava-se que o lar e a escola compunham os dois refúgios essenciais de qualquer criança. Contudo, essa lógica tem se fragilizado. No ambiente doméstico, muitas vezes não há adultos disponíveis para supervisionar, e figuras supostamente confiáveis — como vizinhos, padrastos ou conhecidos — acabam protagonizando episódios trágicos. Situações extremas de violência intrafamiliar revelam a precariedade de um espaço que, em teoria, deveria garantir acolhimento e cuidado.

A gravidade aumenta quando, além dos riscos presentes em casa, surgem ameaças também no trajeto ou nas dependências escolares. Famílias se veem obrigadas a recorrer a delegacias, institutos médico-legais e órgãos de proteção para buscar vestígios de agressões sofridas por seus filhos. Nesse contexto, cresce o sentimento de impotência, acompanhado da dolorosa impressão de ter falhado na missão de proteger aqueles que mais amam.

A mídia, por sua vez, exerce um papel ambíguo. Ao divulgar repetidamente tragédias envolvendo a escola, a família ou instituições religiosas, molda percepções sociais e alimenta desconfianças generalizadas. Embora cumpra a função de denunciar problemas reais, muitas vezes se vale de um sensacionalismo que obscurece nuances, amplifica temores e contribui para o descrédito de estruturas que, apesar de enfraquecidas, ainda constituem pilares fundamentais da convivência humana.

Diante desse cenário de incertezas, torna-se inevitável refletir sobre o futuro da sociedade. Crises, abusos e sucessivas catástrofes sociais parecem anunciar o colapso de valores, mas também despertam o desejo de transformação. Talvez apenas uma renovação social profunda — capaz de restaurar a confiança nas instituições e reconstruir vínculos comunitários — consiga silenciar o discurso do medo e abrir caminho para uma convivência mais justa e segura.

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Assumindo meu papel de professor de Sociologia, elaborei 5 questões discursivas que exploram os principais conceitos do texto. O objetivo dessas perguntas é fazer com que os alunos identifiquem os fenômenos sociais descritos (violência institucional, papel da mídia, crise de confiança) e desenvolvam uma interpretação crítica baseada na leitura.

Questão 1 O texto inicia afirmando que a escola deixou de ser um "ambiente plenamente seguro". Segundo o primeiro parágrafo, o que mudou na relação entre os muros da escola e a sociedade externa, transformando esse espaço antes visto como símbolo de proteção?

Questão 2 Tradicionalmente, a sociologia e o senso comum viam o lar como um refúgio. De acordo com o segundo parágrafo, quais fatores contribuíram para a "fragilização" dessa lógica, tornando o ambiente doméstico, muitas vezes, um local de risco?

Questão 3 O texto descreve o impacto emocional e prático sobre as famílias diante da violência (tanto escolar quanto doméstica). Que sentimento predomina entre os pais segundo o autor e a quais tipos de instituições eles se veem obrigados a recorrer nesse cenário?

Questão 4 A mídia é descrita no texto como tendo um "papel ambíguo" (ou seja, que tem dois lados). Explique, com base na leitura, quais são os dois efeitos contraditórios que a cobertura midiática de tragédias provoca na sociedade.

Questão 5 No parágrafo de conclusão, o autor sugere que a crise atual pode despertar um desejo de transformação. Segundo o texto, o que é necessário acontecer socialmente para "silenciar o discurso do medo" e garantir uma convivência mais justa?


terça-feira, 22 de dezembro de 2009

A UTILIDADE DA IGNORÂNCIA: A Inquietação da Lucidez ("Nunca encontrei uma pessoa tão ignorante que não pudesse ter aprendido algo com a sua ignorância." — Galileu Galilei)



Crônica


A UTILIDADE DA IGNORÂNCIA: A Inquietação da Lucidez ("Nunca encontrei uma pessoa tão ignorante que não pudesse ter aprendido algo com a sua ignorância." — Galileu Galilei)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

A ignorância, por mais paradoxal que pareça, pode ser uma fonte de felicidade imediata. Quem pouco sabe vive surpreendendo-se a cada instante, reencontrando o novo no que já viu inúmeras vezes. Nesse sentido, reconheço que a ignorância também me beneficia: ao admitir que não sou detentor de todo o conhecimento, permaneço consciente da minha própria necessidade de aprender. Se Sócrates afirmava nada saber, eu vou além: não sei sequer se realmente sei alguma coisa.

Essa limitação humana revela que tanto o excesso de sabedoria quanto o excesso de justiça podem se converter em formas de desequilíbrio. O conhecimento absoluto seria tão nocivo quanto a completa ignorância, pois ambos impedem a percepção clara da própria condição. A consciência de que há sempre mais a compreender impede a soberba intelectual e mantém viva a inquietação que move a busca pelo sentido e pelo saber.

Mesmo diante desse cenário, há quem associe o mal — como mencionado em Isaías 45:7 — não apenas à dor, mas também a uma espécie de estímulo à felicidade. Sócrates defendia que o bem está no saber e o mal na ignorância; contudo, o ignorante vive anestesiado no presente, tropeçando sem perceber. Já o sábio, atento às ameaças que atravessam o tempo, carrega o peso de enxergar o que muitos preferem não ver.

Entre a paz ilusória da inconsciência e o desconforto de saber que quase nada se sabe, escolho a lucidez inquieta. Prefiro a aflição das incertezas, mesmo que ela me obrigue a escolher com cuidado onde piso, a me deixar conduzir pela falsa serenidade da escuridão total. Posso desconhecer o destino final para onde sigo, mas mantenho a clareza do terreno que sustenta meus passos — e é essa consciência que me impede de caminhar às cegas.


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Com base na minha profunda reflexão sobre a ignorância, o conhecimento e a lucidez, preparei 5 questões discursivas simples. Elas abordam a perspectiva filosófica da busca pelo saber, o paradoxo da ignorância e a função da dúvida na vida social e individual.

1 - O Paradoxo da Ignorância e Felicidade: O texto afirma que a ignorância pode ser uma fonte de "felicidade imediata" e surpreendente. Explique o que o autor quer dizer com o paradoxo da ignorância (a ignorância como fonte de satisfação). Em termos sociológicos, como essa "felicidade imediata" pode se relacionar com a falta de consciência crítica sobre a realidade social?

2 - O Saber como Desequilíbrio (Soberba Intelectual): O texto argumenta que tanto a ignorância total quanto o "excesso de sabedoria" podem levar ao desequilíbrio e impedir a "percepção clara da própria condição". Discuta como a consciência da limitação humana ("não sou detentor de todo o conhecimento") atua como um freio contra a soberba intelectual. Qual o papel da dúvida e da inquietação na manutenção da busca pelo conhecimento, segundo o texto?

3 - Sócrates e o Peso do Sábio: O texto contrapõe o "ignorante" (anestesiado no presente) ao "sábio" (que carrega o peso de enxergar o que muitos preferem não ver), citando a máxima socrática. Compare as consequências da ignorância e da sabedoria para o indivíduo, de acordo com o texto. Por que o conhecimento, embora valorizado por Sócrates, pode trazer um "peso" ou "desconforto" para o sábio na interação com o mundo?

4 - Escolha pela Lucidez Inquieta: O autor opta pela "lucidez inquieta" em detrimento da "paz ilusória da inconsciência". Defina a lucidez inquieta conforme descrita no texto. Por que o autor prefere a "aflição das incertezas" à "falsa serenidade produzida pela escuridão total", e como essa escolha se relaciona com a autonomia do pensamento?

5 - A Consciência e o "Caminhar às Cegas": O texto encerra com a ideia de que manter a "clareza do terreno que sustenta meus passos" é o que impede o autor de "caminhar às cegas". Interprete o significado de "caminhar às cegas" no contexto da busca pelo sentido da vida ou do conhecimento. Como a consciência da própria limitação (a ignorância benéfica) garante que a jornada do indivíduo não seja completamente desorientada?

domingo, 13 de dezembro de 2009

A Última Lição da Professora Loudinha (...Recebe-se como salário a morte pelo mal que se faz, e paga-se com a vida o bem que se vive)





CRÔNICA

A Última Lição da Professora Loudinha (...Recebe-se como salário a morte pelo mal que se faz, e paga-se com a vida o bem que se vive)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

De que valeram tantas capacitações, "cursos e mais cursos", a dedicação integral ao trabalho de sessenta horas-aula, todos os salários guardados e os bons propósitos para o futuro? Ela acreditava estar conquistando mais vida, mas foi a morte que, silenciosa, a conquistou repentinamente.

Ah, a ironia brutal de trocar a substância da vida por sua acumulação vazia! De que adiantaram os diplomas, se o tempo — o recurso mais irrecuperável — foi alienado em favor de um futuro que jamais chegou? A dedicação, que deveria ser o pedestal das conquistas, transformou-se em altar de sacrifício, onde os bons propósitos se dissolveram na exaustão. A morte, disfarçada de rotina e dever, foi sendo conquistada a cada manhã de estresse e a cada noite de correria. A vida, que se acreditava prolongar por meio de bônus e planos ambiciosos, foi ceifada pela pressa, deixando apenas a pergunta cortante: por que tanta urgência em construir algo tão sólido, se o próprio alicerce — o presente — foi negligenciado? Talvez tenha sido envenenada por aqueles que viviam às suas custas, movidos pela ganância ou pelo medo de perder a "mamata".

O mundo desmoronava ao seu redor, mas ela continuava assistindo aos "pobres", sempre ocupada demais com os necessitados. Embora não perdesse uma chance de lucrar mais, sequer movimentava a própria conta bancária — era sua irmã quem o fazia. Esse detalhe, aparentemente banal, chamava a atenção de todos para o essencial. E, afinal, em que as obras de caridade a ajudaram? Ah, os caridosos também morrem e deixam apenas a boa imagem — um espelho para nossa reflexão. Mas, se todos pensassem assim, quem estenderia a mão ao próximo?

Ela quis assegurar o futuro sem compreender o sentido do presente. Sua despretensão de si mesma revelou uma falta de consagração à própria vida. Quem sabe, se tivesse vivido com mais gratidão, a vida lhe agradecesse também. Deixou-nos apenas saudades, pois o prolongamento e a intensidade da vida ainda eram possíveis. Foi cedo demais.

Quando se deixou enfeitiçar pelo “romantismo” de ser cada dia melhor, já vivia em profunda desarmonia com a realidade que a cercava. No entanto, a morte não poderia ser o resultado de um simples sonho. Penso agora na Professora "Lourdinha" — e me desculpem se o lado emocional fala mais alto. Qual de nós, alunos, nunca a desrespeitou, e agora a homenageamos? Só não sabemos se celebramos a sua vida ou a sua morte. Existirá mesmo uma lei infalível de causa e efeito? Será que a colega de trabalho que a chamou de salafrária lamenta, agora, ter tido parte em sua despedida?

O livro de Ageu, na Bíblia, nos exorta a considerar o passado e a não sermos irracionais ao analisar o que realmente acontece. Quando fazemos do presente o centro da vida, conquistamos um futuro naturalmente coroado com uma morte serena. Ela, minha doce professora, que tanto me ensinou, deixou-me esta última e mais profunda lição: "Recebe-se como salário a morte pelo mal que se faz, e paga-se com a vida o bem que se vive."

Não creio em ressurreição, mas vivo como se houvesse, pois o que vier será lucro. Que bom seria, se houvesse ressurreição, para que eu pudesse rever minha "Lourdinha"!


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Este texto é um excelente ponto de partida para refletirmos sobre as instituições sociais, a ética do trabalho na sociedade capitalista e o sentido da existência. O autor (ou narrador) usa a morte da Professora "Lourdinha" para fazer uma crítica poderosa aos nossos valores. Vamos usar as ideias apresentadas para formular questões discursivas simples. Lembrem-se de basear suas respostas nos conceitos sociológicos que estudamos, como alienação, valor-trabalho e instituições.


1. Alienação e o Sentido do Tempo

O texto questiona a dedicação de "sessenta horas-aula" e a acumulação de bens, afirmando que o tempo — "o recurso mais irrecuperável" — foi "alienado em favor de um futuro que jamais chegou". Com base nas ideias de alienação do trabalho, explique como a Professora Lourdinha, ao priorizar o futuro e o acúmulo, negligenciou o presente e qual foi a "ironia brutal" desse sacrifício.

2. Ética do Trabalho e o Sacrifício Profissional

O autor descreve a dedicação ao trabalho como um "altar de sacrifício" e a morte como algo "disfarçado de rotina e dever". Discuta como a ética protestante do trabalho (conceito weberiano) pode, em sua versão moderna, levar ao excesso de trabalho e ao esgotamento, transformando a dedicação em uma forma de autodestruição, em vez de realização.

3. A Instituição da Caridade e a Crítica ao Altruísmo

Apesar de ser uma pessoa caridosa ("ocupada demais com os necessitados"), o autor questiona: "E, afinal, em que as obras de caridade a ajudaram?" Analise sociologicamente a crítica implícita do narrador sobre o papel da caridade. Em que medida a caridade pode ser vista como uma tentativa individual de resolver problemas estruturais, enquanto o indivíduo negligencia sua própria vida?

4. Moralidade, Julgamento Social e Hipocrisia

O texto aborda o desrespeito dos alunos e o ataque da colega de trabalho ("salafrária"), em contraste com a homenagem póstuma. Discuta a hipocrisia e o julgamento moral presente nas relações sociais, utilizando o exemplo da Professora Lourdinha. Por que a sociedade frequentemente só reconhece o valor de um indivíduo após sua morte, esquecendo-se dos conflitos e desrespeitos ocorridos em vida?

5. Lei de Causa e Efeito versus Determinismo Social

O autor reflete sobre a "lei infalível de causa e efeito" e cita a lição: "paga-se com a vida o bem que se vive". Embora o texto utilize uma linguagem moral/religiosa, interprete esta lição sob uma lente sociológica. De que forma o resultado da vida de Lourdinha (morte prematura por estresse, apesar do bem que fazia) pode ser lido como uma consequência social da pressão institucional e não apenas como um destino individual?

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

UM CORDEL DE LOURDINHA (Para a perpétua memória)




POEMA

UM CORDEL DE LOURDINHA (Para a perpétua memória)


Adalgisa Maria Viana

Maria de Lourdes Viana
24 de setembro nasceu,
Só nos deu alegria
Até que faleceu.

Ela era muito bela
De um coração exemplar,
Ajudava todo mundo
Sem nada em troca cobrar.

Os anos foram se passando
Para Verdelândia mudou,
Foi naquele lugar
Que nosso pai nos deixou.

Ela ainda bem novinha
Dos irmãos ajudou cuidar,
Sempre de cabeça erguida
Não gostava de reclamar.

Logo em seguida
Ela começou a trabalhar,
Com o pouco dinheiro que tinha
O seu lote quis comprar.

Dizem todos que a conheceram
Que por aonde ela passava,
Era amor e alegria
Que Maria de Lourdes deixava.

Quando alguém a maltratava
E eu ia lhe falar,
Ela com um sorriso lindo
Colocava-me a pensar

Ela sorrindo dizia
Vamos aprender perdoar,
Às vezes, para esta pessoa
Não teve ninguém para ajudar.

Gleides e ela diziam nossos pais
Juntos de Deus eles estão,
Por isso estamos bem
Pois eles seguram em nossas mãos.

Quando alguém tinha pena dela
Também não gostava,
Pois o que era para ser
Ela mesma suportava.

Dizia que Deus
Dá o sofrimento para passar,
Somente aquele tanto
Que podemos suportar

Um dia ela me falou
Com um sorriso lindinho,
Se não souber perdoar
De que vale esse mundinho.

Também ela me falava
Que tudo tem solução,
Que o amor dela era eterno
Para familiares, amigos e irmãos.


Quando mudei para Goiânia
Na minha casa sempre vinha passear,
Só que ela estava triste
E eu não conseguia ajudar.

Depois de algum tempo
Irmã Mires ela conheceu,
Foi quem ajudou imensamente
E o problema desapareceu.

Com a  ajuda da Mires
Para Barro Alto se mudou,
Na casa de boa gente
No convento a colocou.

Um dia lá em Curvelo
Ela de ser freira se cansou,
Bateu em retira
E para Goiânia voltou.

Depois se mudou para Senador Canedo
Para de dois sobrinhos cuidar,
Pois eles estavam crescidos
E precisavam trabalhar.

Ela não media esforço
Para família ajudar,
Mesmo se fosse impossível
Ajudava sem cessar

Ela gostava muito
De andar e trabalhar,
Sempre arrumava um tempinho
Para da saúde cuidar.

Comida era saudável
Tinha medo de adoecer,
Por isso ela classificava
O que devia comer.

Era tão responsável
Que nem namorado arrumou,
Só começou namorar
Quando o Claudeci encontrou.

Que Claudeci era um amor
Para mim ela dizia,
Qual era o destino deles
Somente a Deus pertencia.

Quando ela estava com ele
Sentia-se protegida,
Dizia que ele era o anjo
Que Deus colocou em sua vida.

Um dia com uma dorzinha
Lá no Canedo internou,
Só não sabia que aquele hospital
O seu triste fim traçou.

Ela ficou internada
Até naquele dia,
E sentiu que se não fugisse
No matadouro morria.

Ela ligou para Gleides
E disse que tinha fugido,
Porque se ficasse lá
Em breve teria morrido.

Então ela fugiu
E uma ambulância a procurou,
Só que ela escondeu
E para lá não mais voltou.

Correu para o São Salvador
Onde ela foi bem tratada,
Só que do hospital matador
Ela saiu infectada.

Ela pagou com a vida
Para outras vidas salvar,
Vamos ver que providência
A justiça vai tomar.

Eu deixo aqui meu recado
Não sei se vão entender,
Se eu maltratasse a Maria de Lourdes
No velório eu não ia aparecer.

Aqui deixo meu abraço
Para minha irmãzinha querida,
Que partiu desse mundo
Despedindo desta vida.
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 10/12/2009
Código do texto: T1971507


Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (autoria de Claudeci Ferreira de Andrade,http://claudeko-claudeko.blogspot.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

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domingo, 6 de dezembro de 2009

ABORDAGEM




FRASE

ABORDAGEM

O fraco tem força na multidão, o dissimulado na solidão
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 06/12/2009
Código do texto: T1963085

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domingo, 29 de novembro de 2009

O DIREITO DE NÃO ESTUDAR ( Quem não Respeita não Merece Respeito)







CRÔNICA

O DIREITO DE NÃO ESTUDAR ( Quem não Respeita não Merece Respeito)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

         
Como seria se todos os brasileiros fossem formados academicamente da forma que quer a escola? À primeira vista, sabemos que têm muitos seduzidos pelos os incentivos educacionais dos governos e que vão ali apenas porque estão sequestrados mentalmente. É certo que os muitos diplomas ainda não acabariam com a pobreza e a miséria de nossa gente. Conheci uma pessoa formada em Direito que trabalhava vendendo churros nas esquinas da cidade; não deixa de ser honroso, o que questiono é a submissão aos apelos do academicismo. Qual era o grau de escolaridade do grande realista brasileiro, Machado de Assis? Os que querem exercer seu direito de não estudar, quando forçados a permanecer em uma sala de aula, atrapalham o que quer se formar para ser outra coisa na vida. Mas, o que se exige de um vendedor de churros? Apenas que saiba passar trocos e fabricar seus deliciosos petiscos, e para isso não se precisa de escola! Se alguém insiste em dizer que quem não estudou é menos feliz, esse é senão os simples pedagogos que são considerados leigos, pelo próprio sistema educacional, para ensinar no Ensino Médio.
            Por outro lado, se um semianalfabeto se tornou o presidente do país, um outro pode se tornar o apresentador de um programa de TV famoso, ou ainda o dono de uma grande empresa. Então, por esses não terem diplomas de formação acadêmica, estariam ilegais? "Machado de Assis pouco frequentou a escola, era autodidata. Aos 16 anos, na revista 'Marmota Fluminense', publica o seu primeiro poema: 'Ela'. Foi aprendiz de tipógrafo, revisor, colaborador com artigos em vários jornais, servidor público, Diretor-Geral do Ministério da Viação e presidente da Academia Brasileira de Letras ou a 'Casa de Machado de Assis'". http://valiteratura.blogspot.com.br/2010/11/joaquim-maria-machado-de-assis.html (acessado em 04/07/2015).
            Jesus também não tinha diploma algum e foi ele que disse: — “os pobres sempre tereis convosco”(Mt 26:11). Isso só reforça o veredicto do fracasso dos intolerantes que simplesmente colam a etiqueta de menos humanos sobre os não letrados da sociedade, para se autopromoverem, e assim humilhar os que dedicaram seu tempo em outros conhecimentos da vida e outras funções. A escola deveria ensinar, também, a respeitar a liberdade dos talentosos (autodidatas) que decidiram não precisar dela, para serem úteis e felizes nos aspectos práticos da vida. Aquilo que uma pessoa exclui de sua vida é o que em si mesmo lhe seria exatamente prejudicial.
            Na minha prática docente, gostaria de chorar, lamentando muito, por aqueles que sofrem em sala de aula, tentando por vezes a fio, frustradamente, acertar as questões das provas de Língua Portuguesa e entender as regras da gramática cheias de exceções. Mas não conseguem, não têm o dom, e então recorrem à indisciplina para chamar a atenção a si mesmos, por outros meios, tentando igualar-se aos colegas, por atalhos, portanto perturbando os demais. Agora resolvi não me importar com os que querem chamar minha atenção desse jeito, todavia decepcionados por não conseguir, nem uma coisa, nem outra; talvez “cairão na real”. E a escola os tacha de "evadidos"; eu tachado de sem "domínio de classe"!!!
            A dor do não letrado, aos olhos da escola, não se compara com a sua própria dor, ou melhor, com a dor da consciência por fazê-lo sofrer, perder tempo, alisando a cadeira que não queria. Um vendedor de churros "formado" é mais gente que um outro de igual eficiência não academizado?
            Minha mãe semianalfabeta  ensinou-me a ler e escrever sem os moldes da escola! Por que hoje, qualquer capacitação tem que ser no desenho do atual sistema educacional falido: presencial, semipresencial, EJA ou a distância; faltas reprovam; media mínima aceitável; provas e fraudes mil; controle de qualidade; não dispensar antes do lanche; arrecadação?! (a desordem na gradação aqui é intencional).
          Como se não bastasse: uma vez alfabetizado pode perder o direito de não ler. Porém, isso é muito diferente do não estudar! Ainda tem-se o direito de não estudar!? Escolaridade e inteligência não são a mesma coisa. 

Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 29/11/2009
Código do texto: T1950298

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sábado, 28 de novembro de 2009

Uma escola - Poema de Francisco Marques

Uma escola

Uma escola
entre o desamparo e o colapso
lá despejam-se alunos


faltar ou assaltar
são normais
agredir ou ser agredido
o fado diário

Nessa escola
espelho da sociedade
em que caímos
a vida em escola
é como
estar num ghetto
só com a diferença
que o ghetto
são os professores

Será
esta a solução
para despejar
e colocar nos professores
aquilo que os pais
e os politicos
deveriam fazer

Nessa escola
espelho da vida social de hoje
as aulas são campos de batalha
e a escola uma guerra social
colapso
deste país
chamado Portugal

FM
Francisco Marques

domingo, 22 de novembro de 2009

CONSIDERANDO A BREVIDADE DA VIDA (Não temos tempo para divagarmos!)




Crônica

CONSIDERANDO A BREVIDADE DA VIDA (Não temos tempo para divagarmos!)

Por Claudeci Ferreira de Andrade
          Um homem globalizado é inútil por ser diluído em muitas vertentes, apenas tocando superficialmente nisto ou naquilo, não realiza nada com profundidade. E quando morre, deixa apenas uma pedra tumular atrás de si, com pobre escrições, nada mais. Pois a "cobra é venenosa, mas não pode dar pernada". Ninguém é bom em tudo. Assim, cada pessoa deve descobrir sua vocação e se especializar em algo. Ter um ponto forte para ser procurado por ele. Isso é prova que os homens precisam de especialistas em suas específicas necessidades, completando-se uns aos outros, mesmo falando outra língua, porque existem os especialistas em traduções, também.
            Quem se prontificaria a ser um doutor em latim? Uma língua morta há muito anos! Quem vai precisar do serviço de um profissional assim? Todos procuram lidar com trabalhos que dão muito dinheiro e por sinal estão na moda. Quanto ganha um professor de latim? Pela raridade, o preço aumenta!
            Descubra sua inclinações naturais e se entregue à perfeição! A Bíblia diz: 1 Pedro 4:10 (Edição Revista e Atualizada - 1993)
"Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus." Não temos tempo para divagarmos! 
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 22/11/2009
Código do texto: T1938425


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