O FRUTO, O BICHO E O ESPELHO: EU, MEU PECADO E A POSSIBILIDADE DE TRANSFORMAÇÃO (Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. -- Rm 7:19)
Ontem, ao partir uma manga e encontrar larvas em seu âmago, experimentei um choque de categorias. Supunha, em minha ingenuidade botânica, que tal corrupção fosse privilégio das goiabas. O bicho, porém, não era um invasor externo: alimentava-se da própria substância do fruto. Nesse instante, a máxima de Jesus ecoou com peso ontológico: conhece-se a árvore pelos frutos. Se a árvore é a essência e o fruto é a existência, como separar o que sou do que faço? Uma fonte não pode verter, ao mesmo tempo, água doce e amargosa. O caráter não é acessório, mas a digital da alma impressa no mundo. Por isso, o imperativo bíblico é cirúrgico: "Abstende-vos de toda a aparência do mal." (1 Tessalonicenses 5:22).
Essa clareza me transporta aos tempos de sala de aula, onde o embate entre a Filosofia e a religiosidade de fachada se tornava visível. Recordo alunos que, sob o manto de uma santidade arrogante, sabotavam o diálogo. Eram "sepulcros caiados": reivindicavam privilégios divinos para mascarar irresponsabilidades terrenas. Mas o espelho retrovisor logo me interpela. Ao chamá-los de hipócritas, não estarei ignorando que a larva que os corrói também rói minhas próprias estruturas? A diferença entre o erro de um Davi ou de um Pedro e a performance desses alunos não está na ausência de falha, mas na sinceridade da fratura. O santo não é quem não erra, mas quem não se esconde atrás do erro. A sociedade adoece quando o “bichado” deixa de ser exceção e se torna sistema, quando fanatismo e exploração passam a ser vendidos como virtude.
É nesse pântano ético que floresce o álibi da conveniência: "Amo o pecador, mas detesto o pecado". Filosoficamente, trata-se de um malabarismo para evitar a conversão; teologicamente, de uma tentativa de agradar a gregos e troianos. Como adverte 2 Reis 17:41: "Assim, estas nações temiam o SENHOR, mas ao mesmo tempo idolatravam suas imagens esculpidas; seus filhos e seus descendentes agem até o dia de hoje exatamente como fizeram seus pais." Não se pode servir a Deus e a Baal, nem amar o porco desprezando a lama que define sua condição atual. Se eu e meu pecado somos um, a saída não é a negação do pecado, mas a regeneração da natureza — o enxerto da árvore enferma na videira verdadeira. Sem essa transformação, a frase “amo o pecador” não passa de anestesia moral para evitar o confronto com a podridão do fruto. Insanidade é crer que se possa separar essência e ação. No fim, se não houver mudança na raiz, eu e minha obra permaneceremos, tragicamente, a mesma coisa.
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Como seu professor de Sociologia, fico muito satisfeito em produzir este texto utilizando metáforas para discutir problemas centrais da convivência humana e da ética. Na sociologia, estudamos como as instituições (como a religião e a escola) moldam o comportamento, mas também como a coerência entre o discurso e a prática é fundamental para a saúde da sociedade. Aqui estão 5 questões discursivas pensadas para o nível de Ensino Médio, focadas na interpretação sociológica e ética do texto:
1. A Metáfora do Fruto e a Instituição Social: O texto afirma que "conhece-se a árvore pelos frutos". Levando isso para o campo da Sociologia, como o comportamento individual de um membro de um grupo (como uma igreja ou uma escola) pode afetar a imagem e a credibilidade de toda a instituição perante a sociedade?
2. O Conceito de Hipocrisia e a "Religiosidade de Fachada": O autor utiliza o termo "sepulcros caiados" para descrever alunos que usavam a fé para mascarar a falta de compromisso com seus deveres estudantis. Explique como essa "religiosidade de fachada" pode prejudicar o diálogo democrático e a cooperação dentro de uma comunidade.
3. Ética: Essência vs. Aparência: O texto critica a frase "amo o pecador, mas detesto o pecado", chamando-a de "anestesia". Do ponto de vista ético, por que o autor defende que não se pode separar totalmente as ações de uma pessoa (o fruto) da natureza dela (a árvore)?
4. A "Sinceridade da Fratura": Ao citar figuras como Davi e Pedro, o autor introduz a ideia de "sinceridade da fratura" — o reconhecimento do próprio erro. Qual a importância sociológica de os indivíduos reconhecerem suas falhas em vez de tentarem manter uma imagem de perfeição para a manutenção da confiança social?
5. Crítica ao Sistema "Bichado": O autor afirma que "a sociedade adoece quando o 'bichado' se torna o sistema". O que você entende por um sistema social (político, religioso ou econômico) onde o "fanatismo e a exploração são vendidos como virtude"? Cite um exemplo de como isso pode impactar a vida coletiva.
Dica do Prof: Para responder, tente conectar os conceitos bíblicos citados (como o "enxerto" ou a "fonte") com conceitos sociológicos como anomia social (quando as regras perdem o sentido) ou identidade social.
Ontem, ao partir uma manga e encontrar larvas em seu âmago, experimentei um choque de categorias. Supunha, em minha ingenuidade botânica, que tal corrupção fosse privilégio das goiabas. O bicho, porém, não era um invasor externo: alimentava-se da própria substância do fruto. Nesse instante, a máxima de Jesus ecoou com peso ontológico: conhece-se a árvore pelos frutos. Se a árvore é a essência e o fruto é a existência, como separar o que sou do que faço? Uma fonte não pode verter, ao mesmo tempo, água doce e amargosa. O caráter não é acessório, mas a digital da alma impressa no mundo. Por isso, o imperativo bíblico é cirúrgico: "Abstende-vos de toda a aparência do mal." (1 Tessalonicenses 5:22).
Essa clareza me transporta aos tempos de sala de aula, onde o embate entre a Filosofia e a religiosidade de fachada se tornava visível. Recordo alunos que, sob o manto de uma santidade arrogante, sabotavam o diálogo. Eram "sepulcros caiados": reivindicavam privilégios divinos para mascarar irresponsabilidades terrenas. Mas o espelho retrovisor logo me interpela. Ao chamá-los de hipócritas, não estarei ignorando que a larva que os corrói também rói minhas próprias estruturas? A diferença entre o erro de um Davi ou de um Pedro e a performance desses alunos não está na ausência de falha, mas na sinceridade da fratura. O santo não é quem não erra, mas quem não se esconde atrás do erro. A sociedade adoece quando o “bichado” deixa de ser exceção e se torna sistema, quando fanatismo e exploração passam a ser vendidos como virtude.
É nesse pântano ético que floresce o álibi da conveniência: "Amo o pecador, mas detesto o pecado". Filosoficamente, trata-se de um malabarismo para evitar a conversão; teologicamente, de uma tentativa de agradar a gregos e troianos. Como adverte 2 Reis 17:41: "Assim, estas nações temiam o SENHOR, mas ao mesmo tempo idolatravam suas imagens esculpidas; seus filhos e seus descendentes agem até o dia de hoje exatamente como fizeram seus pais." Não se pode servir a Deus e a Baal, nem amar o porco desprezando a lama que define sua condição atual. Se eu e meu pecado somos um, a saída não é a negação do pecado, mas a regeneração da natureza — o enxerto da árvore enferma na videira verdadeira. Sem essa transformação, a frase “amo o pecador” não passa de anestesia moral para evitar o confronto com a podridão do fruto. Insanidade é crer que se possa separar essência e ação. No fim, se não houver mudança na raiz, eu e minha obra permaneceremos, tragicamente, a mesma coisa.
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Como seu professor de Sociologia, fico muito satisfeito em produzir este texto utilizando metáforas para discutir problemas centrais da convivência humana e da ética. Na sociologia, estudamos como as instituições (como a religião e a escola) moldam o comportamento, mas também como a coerência entre o discurso e a prática é fundamental para a saúde da sociedade. Aqui estão 5 questões discursivas pensadas para o nível de Ensino Médio, focadas na interpretação sociológica e ética do texto:
1. A Metáfora do Fruto e a Instituição Social: O texto afirma que "conhece-se a árvore pelos frutos". Levando isso para o campo da Sociologia, como o comportamento individual de um membro de um grupo (como uma igreja ou uma escola) pode afetar a imagem e a credibilidade de toda a instituição perante a sociedade?
2. O Conceito de Hipocrisia e a "Religiosidade de Fachada": O autor utiliza o termo "sepulcros caiados" para descrever alunos que usavam a fé para mascarar a falta de compromisso com seus deveres estudantis. Explique como essa "religiosidade de fachada" pode prejudicar o diálogo democrático e a cooperação dentro de uma comunidade.
3. Ética: Essência vs. Aparência: O texto critica a frase "amo o pecador, mas detesto o pecado", chamando-a de "anestesia". Do ponto de vista ético, por que o autor defende que não se pode separar totalmente as ações de uma pessoa (o fruto) da natureza dela (a árvore)?
4. A "Sinceridade da Fratura": Ao citar figuras como Davi e Pedro, o autor introduz a ideia de "sinceridade da fratura" — o reconhecimento do próprio erro. Qual a importância sociológica de os indivíduos reconhecerem suas falhas em vez de tentarem manter uma imagem de perfeição para a manutenção da confiança social?
5. Crítica ao Sistema "Bichado": O autor afirma que "a sociedade adoece quando o 'bichado' se torna o sistema". O que você entende por um sistema social (político, religioso ou econômico) onde o "fanatismo e a exploração são vendidos como virtude"? Cite um exemplo de como isso pode impactar a vida coletiva.
Dica do Prof: Para responder, tente conectar os conceitos bíblicos citados (como o "enxerto" ou a "fonte") com conceitos sociológicos como anomia social (quando as regras perdem o sentido) ou identidade social.
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