"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

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MINHAS PÉROLAS

domingo, 23 de abril de 2023

O Crepúsculo das Certezas: OS TEMPOS SÃO OUTROS ("O mal dos tempos de hoje é que os estúpidos vivem cheios de si e os inteligentes cheios de dúvidas." — Bertrand Russell)

 


sábado, 22 de abril de 2023

O TOLO É PEGAJOSO, E ATOLICE É CONTAGIOSA ("O sábio fala porque tem alguma coisa a dizer; o tolo porque tem que dizer alguma coisa". (Platão)

 


O TOLO É PEGAJOSO, E ATOLICE É CONTAGIOSA ("O sábio fala porque tem alguma coisa a dizer; o tolo porque tem que dizer alguma coisa". (Platão)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Hoje, mais uma vez, fiquei frustrado com Deus a ponto de questionar: "Senhor, por que atraio tanto os tolos?" Eles se aproximam de mim em grande quantidade: avarentos, fanáticos, partidários, doidos e bêbados. Acusam-me de tudo, assim como os amigos de Jó, fizeram-no. Mas, mesmo após apresentar a eles questões difíceis e deixá-los perplexos, continuam ao meu redor. Tento esconder suas tolices com mais tolices. Como diz o provérbio de Salomão; 26:4-5: "Quem leva a sério uma pergunta tola é tão tolo como quem a fez". Fiz-me de tolo para ganhar os tolos, agora descobri que é inútil tentar ensiná-los, é como jogar pérolas aos porcos, um desperdício de tempo. No entanto, quando saem do meu campo de visão, fico me culpando e sofrendo com o peso na consciência. Será que estou sendo punido por causa do que disse ou ouvi? Então volto a justificar meu descaso: O tolo não apenas nos ensina tolices, mas também compartilha as consequências delas.

O objetivo desse autoexame é avaliar quanto tempo gasto em conversas inúteis. Talvez, eu possa encontrar alguma forma de finalmente descobrir que Deus tinha lições para mim nelas. Porque Ele sabe melhor ensinar um tolo igual a mim. Tomara que seja um ato de Deus, suficiente para me levar a me submeter humildemente e encontrar alegria nessas possíveis razões. Ser prestativo é verdadeira religião. Examinar com justiça, pois nem todos são verdadeiramente tolos, às vezes, são apenas pobres de espírito. Deus recompensará os compadecidos dos pobres.

Contudo tirando isso, os tolos devem ser envergonhados, pois não sabem ouvir, só querem falar, imitando processadores sem ter um banco de dados diversificado à disposição. O SENHOR Jeová não tolera tolos e odeia os ímpios (Sl 5:5-6; 11:5-6; Mt 7:23). CiFA.


Questões Discursivas sobre o Texto:


1. O autor expressa frustração com a frequência com que "tolos" se aproximam dele. Como a sociedade contemporânea lida com a diversidade de opiniões e comportamentos, especialmente quando estes se desviam do que é considerado "normal" ou "aceitável"? Discuta o papel do diálogo e da tolerância nesse contexto.

2. O provérbio de Salomão citado no texto ("Quem leva a sério uma pergunta tola é tão tolo como quem a fez") levanta a questão da relevância do debate e da argumentação. Em sua opinião, quando e como devemos discernir se uma discussão é válida e produtiva ou se é apenas uma perda de tempo?

3. O autor relata o dilema entre tentar "ganhar os tolos" para o seu ponto de vista e reconhecer a inutilidade de tal esforço. Como você avalia essa tensão entre a vontade de influenciar o outro e a necessidade de aceitar a diferença de ideias? Em que situações você considera que o diálogo é fundamental e em quais ele se torna inviável?

4. O texto aborda a culpa e o sofrimento do autor ao se sentir conivente com as "tolices" dos outros. De que forma a pressão social para se conformar com o pensamento da maioria pode afetar a nossa individualidade e a nossa capacidade de expressar nossas próprias convicções?

5. O autor busca em Deus um entendimento para a sua experiência com os "tolos". Qual o papel da fé e da espiritualidade na busca por sentido e propósito na vida? Como a religião pode influenciar a forma como lidamos com as diferenças e com os desafios do convívio social?

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sexta-feira, 21 de abril de 2023

O CIFRÃO É O SINAL DA BESTA (⁠⁠“Quem vê cara não vê cifrão". — Vivian Cristina Schlinz Rubio Baratto)

 


quinta-feira, 20 de abril de 2023

O Disfarce dos Segredos: SEGREDOS CONVERTIDOS EM MISTÉRIOS ("Quem confiou os seus segredos a outra pessoa, fez-se escravo dela." — Baltasar Gracián y Morales)

 


quarta-feira, 19 de abril de 2023

A Geografia do Avesso: VIAJAR PARA QUÊ? ("O homem não precisa de viajar para engrandecer; ele traz em si a imensidade." — François Chateaubriand)

  


A Geografia do Avesso: VIAJAR PARA QUÊ? ("O homem não precisa de viajar para engrandecer; ele traz em si a imensidade." — François Chateaubriand)


Por Claudeci Ferreira de Andrade

Dizem que eu não sei viver. Olham para o meu sedentarismo como quem examina uma peça defeituosa esquecida na vitrine: franzem a testa, cochicham entre si e exibem, com certo orgulho infantil, os carimbos do passaporte diante do silêncio da minha sala. Julgam-me incapaz de felicidade, talvez porque a régua deles seja a distância percorrida, enquanto a minha mede profundidades. Precisam comparar a correria deles com a minha quietude para que, no espelho do outro, a própria inquietação pareça virtude e o vazio deles doa menos.

Para muita gente, viajar virou anestesia. Sai-se de casa para ver o novo, sim, mas também para escapar do peso da própria companhia. Outros embarcam para alimentar o algoritmo com fotos em aeroportos, taças erguidas e sorrisos alugados. O rico viaja e ainda lucra em dobro: transforma deslocamento em negócio, lazer em networking, descanso em vantagem. Já o pobre torra a economia de um ano em dez dias de euforia parcelada e volta com bronzeado no rosto, rombo na conta e prestações no horizonte. Confesso que acho curioso esse modelo de felicidade que, para funcionar, exige que eu fique mais pobre do que já sou.

Não é que eu despreze o mundo — longe disso. O que acontece é mais simples: sou devoto do que possuo. Enquanto me receitam destinos exóticos como se fossem antibiótico para a alma, eu me satisfaço com a nitidez de um bom documentário. Ali, montanhas se erguem, oceanos respiram, cidades fervem, e eu atravesso tudo sem fila, sem extravio de bagagem, sem cansaço nos joelhos. Se, como escreveu Fernando Pessoa, "para viajar basta existir", então escolho a viagem que não me cobra pedágio emocional nem financeiro.

Também me contento com o movimento dos outros. Vejo vídeos de quem viaja por ofício, curiosidade ou talento — não apenas por fuga. E nisso há certo conforto. Afinal, a verdadeira fronteira raramente está no mapa; costuma estar na capacidade de suportar o próprio teto, o próprio silêncio, a própria companhia. Muita gente atravessa oceanos e continua exilada de si mesma.

O mundo é vasto, sem dúvida. Há desertos, catedrais, geleiras, mercados, ruínas e mares que merecem ser vistos. Mas existe um destino ainda mais raro: a paz de não precisar correr para lugar nenhum. Esse, convenhamos, quase ninguém consegue alcançar.

No fim das contas, enquanto todos disputam o embarque e consultam portões luminosos, eu fecho a janela, ajeito a cadeira e descubro, mais uma vez, que o infinito cabe perfeitamente na palma da minha mão.

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Como professor de Sociologia, convido vocês a olharem para além da superfície desta crônica. Ela toca em pontos centrais da nossa sociedade contemporânea: o consumo, a ostentação digital, as desigualdades de classe e a busca por sentido na vida. Aqui estão 5 questões discursivas para pensarmos criticamente sobre o que o texto nos propõe:

1. O Estigma da "Incapacidade de Ser Feliz"

O narrador afirma que o olham como uma "peça defeituosa" por não seguir o padrão de consumo de viagens. Como a pressão social para "consumir experiências" (como viagens e festas) cria um estigma sobre aqueles que optam pela quietude ou pela simplicidade?

2. A Sociedade do Espetáculo e o Algoritmo

O texto menciona pessoas que viajam para "alimentar o algoritmo com fotos em aeroportos". Analise como a necessidade de visibilidade nas redes sociais transforma momentos de lazer em uma espécie de "trabalho de imagem", onde o parecer feliz é mais importante do que o ser feliz.

3. Desigualdade e Consumo de Lazer

O autor descreve o rico que lucra com a viagem e o pobre que volta com "euforia parcelada". Como essa passagem ilustra a diferença de capital econômico e como o mercado de lazer pode incentivar o endividamento das classes populares em busca de um status social?

4. O "Não-Lugar" e a Fuga de Si Mesmo

A crônica sugere que viajar virou uma "anestesia" para escapar da própria companhia. Do ponto de vista sociológico, como a correria constante e o consumo de novos destinos podem funcionar como uma forma de alienação, impedindo o indivíduo de refletir sobre sua própria realidade e teto?

5. Identidade e Resistência ao Consumo

O narrador se declara "devoto do que possui" e encontra o infinito na própria casa. Como essa atitude pode ser interpretada como uma forma de resistência cultural aos padrões de felicidade impostos pelo capitalismo moderno, que exige sempre o "novo" e o "exótico" para validar o indivíduo?

Dica do Professor: Ao responder, pensem em como a nossa identidade é construída hoje. Será que somos o que somos, ou somos o que postamos e consumimos? Usem exemplos do dia a dia de vocês para enriquecer o texto!

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terça-feira, 18 de abril de 2023

VELHO TARADO E SAFADO: O Feromônio da Resistência ("Prostituição não é vender o corpo. É vender a dignidade." — Adriana Cristina Razia)