"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

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MINHAS PÉROLAS

sábado, 24 de setembro de 2011

IMPUNIDADE: “CABARÉ DE CEGO” ("A impunidade é segura, quando a cumplicidade é geral" - Marquês de Maricá)

CRÔNICA

IMPUNIDADE: “CABARÉ DE CEGO ("A impunidade é segura, quando a cumplicidade é geral" - Marquês de Maricá)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Um homem fardado e armado, cheio de patentes, deu uma palestra para aqueles alunos da segunda fase do Ensino fundamental. No mesmo palco, sobre o mesmo tema, de outros tantos, mas o clima agora foi diferente, a disciplina de meus alunos estava irreconhecível, mereceram um dez como nota de comportamento. Até a diretora transitava no meio deles querendo ver se alguém estava precisando de regulagem, porém, pouco trabalho. Os professores presentes assistiram à palestra sentadinhos, pois não havia necessidade de estarem em pé parecendo cão de guarda. Minha pergunta é: qual a motivação do bom comportamento deles nessa ocasião? Não foi a arma exposta na cintura do palestrante? Já tive colegas policiais que, em condição de civil, constantemente levavam alunos à coordenação por indisciplina em sala de aula ou por falta de uma bazuca em cima da mesa. Talvez?! Eu só lamento o fato de eles não reconhecerem o poder de fogo do professor "armado" com muitos diplomas merecidos. E nesse caso, as armas de fogo reforçaram as palavras.
          Um cego não reconheceria a necessidade de um guia se não estivesse constantemente em choque com muitos obstáculos. Eles também, os cegos da educação, precisam dos obstáculos da punição para respeitar os mecanismos da Escola. Se não, a instituição estará fabricando criminosos ao invés de cidadãos. É como diz Ivan Teorilang: “A impunidade é o incentivo contundente para a prática do crime”. Complementando o sentido, fala Walmir Celso Koppe: “A marginalidade é proporcional à impunidade”.
          Sem a disciplina da punição, o paparicado e desavisado perde o senso do perigo, então é verdadeira a letra do Caetano Veloso: “Animal arisco domesticado esquece o risco [...]”! Por isso devemos valorizar um diploma bem adquirido, é a arma mais poderosa no combate aos males da ignorância. “Existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância” (Sócrates).  Sabemos sobre as dificuldades da escola, mas como disse Isaac Asimov:  “Se o conhecimento pode criar problemas, não é através da ignorância que podemos solucioná-los.”  O professor não pune com medo de ser punido administrativamente, todavia, a mais severa punição para nós existe: o resultado dos vícios e do contrassenso! Para eles, os coordenadores jogam os professores contra o aluno infrator, e querem relatório para se esconderem. Ou será se não estamos enxergando bem as armas secretas da Escola? Estabeleceram limite máximo de reprovação, jogando a culpa do fracasso no professor. Aprovação sem mérito é uma delas, ou estou vendo demais? Se sim, que me perdoem os domesticados. Mas, "Enquanto as pessoas estiverem satisfeitas com sua condição, não contestarão nenhum sistema de governo vigente, seja ele monárquico, ditatorial ou democrático. Enquanto vigorar a sensação de felicidade, até mesmo o governo mais injusto e corrupto conseguirá se perpetuar no poder." (Augusto Branco). E os "Direitos Humanos" da Educação os libertarão.
Claudeko
Enviado por Claudeko em 24/09/2011
Reeditado em 24/09/2011
Código do texto: T3237834



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sábado, 10 de setembro de 2011

A VISÃO PEDAGÓGICO SOBRE O PROFESSOR (Se não foi a escola, então quem vendeu esta imagem do professor?)


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

CORROMPERAM O VICE ( O braço direito, ou o esquerdo, ou dente podre, ou apenas descartável?)






CRÔNICA

CORROMPERAM O VICE ( O braço direito, ou o esquerdo, ou dente podre, ou apenas descartável?)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Até pouco tempo atrás, o cargo de vice-diretor de escola era eletivo, a cara da democracia, assim, como a experiência mostrou, o cargo deveria ser ocupado por alguém com a mesma tendência político-pedagógica e competência do diretor. Então, se optou pelo sistema no qual a eleição do gestor da unidade escolar importará a do vice-diretor com ele registrado. Porém, agora, o vice é um elemento surpresa, não precisa ter a mesma envergadura profissional, é simplesmente aquele quem mais trabalhou na campanha do candidato a gestor e, por retribuição ao esforço, foi empossado sem a avaliação da comunidade, através do voto direto. E, se pelo menos, tivesse os requisitos mínimos requeridos para o cargo: a) ter Licenciatura plena em Pedagogia ou pós-graduação na área de Educação; b) ter, no mínimo, 5(cinco) anos de efetivo exercício no magistério etc. Ou bons critérios não são prioridade?
          Por exemplo, o vice-presidente de uma empresa comum e séria é um homem ou mulher habilitado, podendo substituir o presidente em situações nas quais este está impedido, seja por viagem, doença, óbito ou  impeachment. O vice-diretor da escola é uma figura versátil, podendo se encaixar em diversas situações, menos na direção geral, pelo menos nunca vi. Tenho visto sim, a secretária assumir nas tais circunstâncias já citadas! É como disse um colega:— "alguns que conhecemos não são dignos nem de ir ao funeral do diretor falecido" (sic). E especificamente por aqui, esse ator deveria, pelo menos, desempenhar o papel do antigo coordenador de turno (cuidar da disciplina, da portaria, tocar campainha, mandar os professores para sala de aula e fazer o "de menor' assinar caderninho). Aliás, todos estes 20 longos anos em que milito pelas escolas públicas, nunca vi uma situação na qual um vice herdou o cargo do diretor, deve ter acontecido em alguma parte do país, crendo que toda regra tem exceção, mas já causando a frustração em alguns deles, vi muitos serem substituídos pelo outro cabo eleitoral, capanga do novo diretor: O chegante traz os seus!
          O positivamente considerável dessa mudança é que o tal vice não tramará o assassinato do gestor para assumir o cargo, como nos filmes modernos, pois só permanecerá no mesmo enquanto o "amigo" estiver na direção. Muitos no sistema educacional ocupam algumas pastas não por competência, mas por amizade somente. Uma amizade fechada não iluminando o ambiente em sua totalidade. É como diz o músico Chico Buarque na canção - Cálice: "De muito gorda a porca já não anda". Baseado em minha experiência, digo eu: "de tão magra, já não se coloca em pé". Sei lá eu como, porco não se banha, pois voltará para lama!
Claudeko
Enviado por Claudeko em 05/09/2011
Reeditado em 05/09/2011
Código do texto: T3202182



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domingo, 28 de agosto de 2011

"VAI LAMBER SABÃO" ("Amar é abanar o rabo, lamber e dar a pata..." — Cazuza)


Crônica

"VAI LAMBER SABÃO" ("Amar é abanar o rabo, lamber e dar a pata..." — Cazuza)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Em meio à espuma da vida, me vejo como um professor, um lambedor de sabão, como alguns diriam. As ordens para lamber o sabão vêm de todos os lados, e eu, obediente, sigo-as. A espuma se acumula nos cantos da minha boca, transbordando em palavras que inundam os cantos da minha sala de aula.

Eu, um idealista, sonho em dar aos meus alunos a liberdade de pensar por si mesmos. Mas, para os coordenadores disciplinares, perfeitos criadores de bolhas no sistema, sou inadequado. Os alunos, treinados para serem controlados, depositam suas responsabilidades nos outros. Eles precisam de alguém para mandá-los calar a boca, prestar atenção, entrar na sala, enxugar suas "espumas". Enquanto isso não acontece, eles tentam chamar minha atenção com suas "gracinhas", cobrando a atenção que lhes falta em casa.

Um dia, um aluno me disse que não gostava das minhas aulas de Português. Ele se comportava de maneira improdutiva, e eu me perguntei se sua falta de produção o beneficiava mais do que se ele contribuísse. Ele parecia acreditar que participar da aula era um favor que ele me prestava. Mas quem precisa mais de uma boa aula?

Alguns alunos não valorizam o lanche oferecido pela escola. Um deles me disse que pagava pelo lanche com seus impostos. Entendi então que muitos alunos veem a escola como um lugar para se vingar, depredando os bens públicos, mostrando inatividade, maltratando os funcionários. Eles veem isso como uma forma de cobrança.

Eu, por outro lado, não posso me dar ao luxo de ter um espírito de vingança. Sou professor e devo dar o exemplo. E, embora não produza nada tangível, pago impostos pelo serviço que presto. Estou endividado com a Receita Federal pelo salário de professor que recebo!

Fingir que paga impostos é criar bolhas na economia. Para alguns, é driblar o leão; para muitos, é enfrentar o Bicho-Papão. E eu, lambendo sabão em nome da estética poética, vejo outros fazendo lambança com o sabão que não lhes custa nada.

No final das contas, somos todos nadadores, tentando manter a cabeça fora da espuma. Alguns de nós estão apenas tentando respirar.


sábado, 13 de agosto de 2011

APELO POR UM FORTE SINDICATO (Talvez, só precisamos de alguém justo que interceda por nós.)

CRÔNICA

APELO POR UM FORTE SINDICATO

(Talvez, só precisamos de alguém justo que

 interceda por nós.)


Por Claudeci Ferreira de Andrade


A frequência com que ocorre a mudança de diretores escolares torna o sistema uma empresa vulnerável. Esse processo cíclico gera uma lacuna desorientadora: a unidade escolar é forçada a recomeçar a cada nova gestão. Nesse vácuo de autoridade, os fracos ganham poder e circulam livremente, transformando o sistema em terra de ninguém. Ordens fantasiosas circulam, mas a fonte exata é desconhecida. Os veteranos, detentores da experiência, silenciam — seja por desânimo, seja por vingança.

No primeiro TCE (Trabalho Coletivo na Escola) sob essa nova gestão, fui informado sobre uma planilha contendo novos critérios de avaliação. Pensei, ironicamente, que os alunos ganhariam "peso" e os professores perderiam "peso," como se fosse um lanche aditivado. Na verdade, tratava-se de mais trabalho para o professor, camuflando o objetivo de facilitar a aprovação dos alunos sem mérito. Eles, poupando energia, engordam; nós, emagrecemos, trabalhando mais. Que benção! Falaram-me, ainda, do tal bônus para professores assíduos — os "enfermos atuantes" — prometendo dobrar o salário: o chamado "reconhecer."

Toda essa situação me fez lembrar a piada dos dois cegos pedidores de esmola. Um indivíduo, incomodado, fingiu dar uma nota generosa e anunciou: — "Pega, é para vocês, R$ 50,00, dividam." Os cegos, então, começaram a brigar pela parte que lhes cabia, criando um espetáculo público. Para acabar com a desavença, alguém teve de intervir, ventilando a possibilidade de que, na verdade, "ninguém não ter recebido nada."

Relacionando a parábola com nosso sistema educacional, e partindo do pressuposto de que jamais se viu um cego rejeitar qualquer esmola, a sociedade goiana não rejeitará as facilidades da promoção gratuita. Por que, então, nós, professores, deveríamos nos preocupar com a qualidade do ensino se somos apenas o chapéu dos pedintes e não o dinheiro? Talvez, só precisemos de um sindicato justo para nos representar devidamente. E qual professor, na circunstância atual, pode se dar ao luxo de acreditar na boa interseção?

Prove ser pensante, analisando a reforma de critérios: a planilha exemplo indica que a prova escrita, onde os alunos geralmente tiram notas baixas, receberá peso 4 (o maior). Ora, isso soa como um blefe, uma vez eliminada a recuperação final. Se, no bimestre, o professor utilizar apenas três instrumentos de avaliação com os pesos indicados, como faria a média bimestral do aluno? E a nota substitutiva é uma recuperação de nota, e não de conteúdo! Em qual momento da aula se aplicaria a repetição da prova para obter a nota substitutiva? Teremos de trabalhar no contraturno, ou o aluno virará dois numa mesma aula?

O diário de classe, por sua vez, é uma complexidade burocrática: a Coordenadora faz uma chamada, o professor faz outra, e o aluno representante faz mais uma! Esse cerco visa o aluno ou o professor? A incompatibilidade esperada dessas chamadas comprova a falta de função desse manejo. Sugiro que simplifiquemos: façamos um relatório a partir de uma autoavaliação do aluno e "enfeitemos as estatísticas," sem atrair destruidoras consequências. É como disse o Dr. João Batista Araújo e Oliveira, em entrevista à Rádio CBN, em 16/08/2011: "As deficiências do sistema acabam punindo o professor."

Diante disso, pergunto: a avaliação contínua, tão defendida pelos doutores da educação, perdeu o lugar para os quatro instrumentos taxativos (o pentagrama diabólico) dessa reforma? Ou irão coabitar nas intempéries de uma cultura tradicionalista? Que satisfação poderei dar aos pais, questionadores na reunião de entrega de boletins, sobre esses critérios de avaliação confusos?


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Este texto é um desabafo intenso e muito bem fundamentado sobre os dilemas da educação pública. Como professor de Sociologia, vejo nele uma crítica profunda à burocratização, à desvalorização docente e à simulação de resultados. Preparei 5 questões discursivas simples para que possamos analisar os conceitos sociológicos presentes nesta crônica.

1 - Burocracia e Racionalização (Max Weber): O texto descreve a escola como uma "empresa vulnerável" devido à alta rotatividade de diretores e à proliferação de "ordens fantasiosas" e complexidades burocráticas (como o triplo registro de chamada). Como a Sociologia, particularmente a partir dos conceitos de burocracia e racionalização de Max Weber, pode analisar a ineficiência e a desorientação geradas por esse excesso de normas e instabilidade gerencial?

2 - O Sistema de Trocas (A Parábola dos Cegos): O autor utiliza a piada dos cegos pedintes para questionar a reforma educacional. Explique o significado da frase "somos apenas o chapéu dos pedintes e não o dinheiro" no contexto da Teoria da Dádiva e da Troca Social. Quem é o "doador" (o sistema/governo), o "recebedor" (o aluno/sociedade) e qual é o papel do professor nessa dinâmica de "esmola" educacional?

3 - Contradições do Trabalho Docente: A crônica aborda a ironia de que o bônus financeiro é oferecido aos "professores assíduos — os 'enfermos atuantes'." Analise a crítica presente nessa expressão, conectando-a à ideia de alienação do trabalho (Karl Marx). De que forma o sistema de bonificação, ao premiar a assiduidade em vez da qualidade ou do bem-estar, contribui para a desumanização e a punição do professor, conforme o texto?

4 - A Cultura da Facilidade e a Meritocracia: O texto critica a reforma por "camuflar" a aprovação "sem mérito" dos alunos. Discuta a tensão entre a cultura da facilidade/promoção automática e o princípio da meritocracia dentro do sistema educacional brasileiro. Quais são as consequências sociais de uma política que visa "facilitar" a aprovação, mas que, segundo o autor, esvazia o valor do esforço e do trabalho do professor?

5 - A Crise de Autoridade e o "Terra de Ninguém": A alta rotatividade de diretores e o "vácuo de autoridade" levam a escola a ser considerada uma "terra de ninguém." Como a Sociologia da Educação interpreta o impacto da instabilidade gerencial (crise de autoridade) na manutenção da ordem e na definição de papéis e regras dentro da instituição escolar?

quarta-feira, 27 de julho de 2011

SEGREDO DO VIVER PLENO: viver com a morte à mesa, não no volante (Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe. Oscar Wilde).





 Crônica Filosófica










SEGREDO DO VIVER PLENO: viver com a morte à mesa, não no volante (Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe. Oscar Wilde).

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Há uma diferença decisiva entre viver consciente da morte e dirigir em alta velocidade rumo a ela. A primeira amadurece; a segunda apenas encurta. A vida ganha densidade quando reconhece sua finitude, não quando a reduz a um brinquedo perigoso. O risco que humaniza não é a temeridade narcísica, mas o risco ético e calculado: aquele que amplia o sujeito sem esmagar o outro no impacto; ou seja, risco que humaniza não é a ousadia excessiva do ego, mas a audácia consciente que expande o ser sem ferir o outro, pois só há maturidade quando a coragem se submete à ética dos vínculos.


Viver no limiar não é buscar o abismo, mas saber que ele existe. Heidegger não nos convocou a morrer, e sim a viver como seres-para-a-morte: sujeitos que, ao saberem que o tempo é curto, recusam a vida automática. A consciência da finitude não pede adrenalina, pede verdade. Não exige flertar com a destruição, mas abandonar a covardia moral de quem adia tudo como se fosse eterno.

Também é preciso rigor ontológico. A morte não é atributo de Deus, mas ausência de vida; não é plenitude eterna, é ruptura. Se algo pode aspirar à permanência, talvez seja o ciclo — como lembram tradições orientais — ou o retorno simbólico daquilo que deixamos nos outros. A morte não se absolutiza: ela delimita. É fronteira, não essência.

Por isso, “guardar a morte para a sobremesa” não significa prová-la antes do prato principal, mas honrá-la adiando-a com responsabilidade. Minha morte não é apenas minha: ela produz vazios, lutos, desamparos. Uma ética do limiar precisa ser também uma ética do vínculo. Não há autenticidade onde há abandono.

Viver como se fosse o último dia não autoriza “fazer tudo o que quero”, mas fazer o que importa: amar sem cálculo, corrigir erros, escolher o essencial. Kant já advertia que liberdade sem universalidade degenera em violência elegante.

Há ainda um recorte social incontornável. Flertar com o abismo é privilégio de quem não nasce à beira dele. Para muitos, o risco não é escolha existencial, mas opressão cotidiana. Romantizá-lo é crueldade estética.

O verdadeiro banquete não está no perigo, mas na lucidez. A morte, sentada à mesa, não pede espetáculo; pede urgência ética. Quem vive assim não corre atrás do fim — apenas não desperdiça o meio.



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Como seu professor de Sociologia, fiz com muito entusiasmo esse texto. Ele nos convida a pensar a Existência não como algo que simplesmente acontece, mas como um projeto de responsabilidade. Para a Sociologia, entender como o indivíduo lida com a própria finitude e com o "outro" é essencial para compreender a construção da ética e da liberdade. Aqui estão 5 questões discursivas, elaboradas de forma simples para o Ensino Médio, focadas em extrair a essência sociológica e filosófica desse pensamento:


1. Viver vs. Apenas Existir: O texto inicia com uma citação de Oscar Wilde: "Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe". Com base no texto, qual a diferença entre uma "vida automática" e uma vida vivida com "consciência da finitude"?

2. O Risco Ético e o Vínculo Social: O autor afirma que a morte produz "vazios, lutos e desamparos" nos outros. Por que, segundo o texto, a nossa liberdade individual e a nossa busca por autenticidade não podem ignorar os vínculos que temos com as outras pessoas?

3. Liberdade e Responsabilidade (Kant): Ao citar Kant, o texto adverte que "liberdade sem universalidade degenera em violência elegante". Como essa ideia critica aquele comportamento de "fazer tudo o que eu quero" sem pensar nas consequências para a sociedade?

4. A Desigualdade do Risco: O texto traz um alerta social importante: "Flertar com o abismo é privilégio de quem não nasce à beira dele". Explique, com suas palavras, por que não podemos romantizar o risco de morte em uma sociedade onde muitas pessoas enfrentam o perigo diariamente por falta de condições básicas de vida.

5. A Morte como Limite, não como Guia: O autor propõe viver com a morte "à mesa, não no volante". O que essa metáfora sugere sobre a maneira como devemos planejar nossas ações e escolhas éticas no dia a dia?

Dica do Prof: Para responder à questão 4, pense em como a classe social ou o lugar onde uma pessoa mora mudam a percepção dela sobre o que é "arriscar-se". Para alguns, o risco é um esporte; para outros, é a luta pela sobrevivência.

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