"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

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MINHAS PÉROLAS

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

O Simulacro da Gestão: Entre Chefes Impostos e a Ética da Resistência ("Muitos dos que entram para a vida pública deixam a ética na privada. Literalmente." — Drabowski)

 


O Simulacro da Gestão: Entre Chefes Impostos e a Ética da Resistência ("Muitos dos que entram para a vida pública deixam a ética na privada. Literalmente." — Drabowski)

 Por Claudeci Ferreira de Andrade

Na escola pública, convém lembrar um princípio elementar que costuma se perder nos corredores do poder: hierarquia não é propriedade. Diretores não são patrões; são servidores. Administram um serviço público, não um feudo pessoal. Respondemos ao Estado e à comunidade, não ao humor de quem ocupa temporariamente a cadeira da gestão. Quando esse limite se dissolve, o que deveria ser coordenação vira dominação — e o administrativo, arma.

Há situações em que atrasos documentais, entraves burocráticos e ruídos no fluxo salarial parecem nascer mais da incompetência técnica do que da má-fé. Em outras, porém, o uso seletivo da norma sugere algo mais grave: a transformação da engrenagem institucional em instrumento de pressão. Se isso ocorre por retaliação deliberada, trata-se de abuso que exige denúncia formal; se ocorre por despreparo, revela o mesmo resultado perverso. Em ambos os casos, a dignidade do trabalhador é a primeira vítima — e isso jamais deveria ser tratado como detalhe administrativo.

Nem toda gestão é igual, e negar isso empobrece a crítica. Há gestores por indicação política, há gestores que fracassaram na sala de aula e apenas deslocaram a ineficácia para outro espaço, mas há também aqueles que escolheram a gestão por vocação pedagógica, eleitos democraticamente e comprometidos com o coletivo. O problema não é o cargo; é a lógica que o atravessa. Mesmo líderes legitimados podem sucumbir ao autoritarismo — o poder corrói — assim como chefes impostos podem, por competência e ética, conquistar respeito. A realidade é mais ambígua do que a oposição simplista entre monstros e salvadores.

Minha experiência recente revela esse paradoxo. Recebo elogios sobre inteligência e lucidez, seguidos de correções constantes que esvaziam minhas decisões. O elogio, percebo, funciona como espelho narcísico da chefia; a crítica, como mecanismo de controle. Uma mente reflexiva não aceita a ordem pela ordem. Liderar não é mandar, é justificar, convencer, sustentar o conflito e, sobretudo, não temer ser superado. O verdadeiro líder sabe que cresce quando o outro cresce. O chefe, ao contrário, vê na excelência alheia uma ameaça direta ao simulacro do poder.

É preciso cautela ao julgar gestores como um bloco homogêneo. Ainda assim, não se pode ignorar um padrão recorrente: muitos chegam à gestão sem formação para a gestão democrática, carregando práticas autoritárias herdadas de uma cultura escolar vertical, marcada por indicações políticas, precarização estrutural e competição por recursos escassos. A escola brasileira ainda reproduz, em miniatura, a herança colonial que naturaliza vigilância, punição e obediência cega. Como advertiu Jean Guéhenno: "A raça que acredita nos chefes sempre me pareceu a mais estúpida de todas as espécies humanas."

Nesse ambiente, o erro deixa de ser aprendizagem e passa a ser ameaça. Para o chefe, o inovador é um problema; para o educador, o erro é campo fértil. Onde a autoridade se sustenta pelo medo, toda criatividade soa como insubordinação.

O efeito colateral é o isolamento. Antigos colegas se afastam — não apenas por medo de rótulos, mas também por cansaço, divergência legítima ou desejo de paz em meio ao desgaste cotidiano. Precisei reconhecer que, muitas vezes, a resistência solitária também constrói muros. Talvez minha forma de confrontar — direta, inflexível — contribua para o silêncio ao redor. Resistir sozinho pode parecer coragem; resistir em rede exige algo mais difícil: escuta, alianças imperfeitas, paciência política.

Quando afirmo que não aceito discípulos, não o faço por desprezo ao coletivo, mas por desconfiança do consenso fácil. A adulação alimenta o chefe; a divergência sustenta o pensamento livre. Ainda assim, aprendi que nenhuma resistência se sustenta sem pedagogia política. Sócrates recusou o papel de guru, mas formou escola; Paulo Freire rejeitou o vanguardismo, mas organizou movimentos. Não basta estar certo — é preciso formar outros capazes de questionar, inclusive a nós mesmos.

Hoje, minha busca é mais modesta e, talvez, mais radical: resgatar o prazer pelo ofício. Em meio ao desgaste da pandemia, ao ceticismo profissional e à gestão por desempenho imagético, tento ressignificar minha prática. O sistema insiste em nos fazer sentir velhos, não pelo tempo vivido, mas pela sensação de impotência programada. No entanto, a história mostra que a maturidade pode ser fonte de radicalidade lúcida, não de resignação.

Vivemos sob o império das imagens. Projetos vistosos rendem aplausos; fotos em redes sociais substituem aprendizagem real; assembleias encenam democracia enquanto decisões já estão tomadas. A “boa aparência” abre portas que a virtude intelectual raramente consegue destrancar. Minhas qualidades, como as de tantos outros, não cabem no enquadramento superficial — e talvez por isso incomodem.

Resta, então, a pergunta que não deve ficar sem resposta: o que dói mais — ser subjugado por um chefe imposto ou ser traído por um gestor eleito? A traição fere mais fundo, pois quebra a confiança; o chefe imposto, porém, é politicamente mais nocivo, pois nega a própria ideia de democracia. A saída não está em escolher o mal menor, mas em construir mecanismos reais de antiabusos: conselhos escolares deliberativos, transparência radical, mandatos revogáveis, participação efetiva de professores, estudantes e comunidade.

Não escrevo para demonizar indivíduos, mas para expor estruturas. Um chefe que legisla para si cria normas frágeis que convidam à desobediência silenciosa. Onde reina o autoritarismo, nunca haverá um trabalhador bom o suficiente, porque toda competência ameaça o teatro do poder. A resistência, para deixar de ser apenas ética individual, precisa tornar-se projeto coletivo — ou continuará sendo apenas um gesto digno, porém solitário, contra o simulacro da gestão.


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Aqui estão 5 questões discursivas para refletirmos sobre essa realidade:


1. Hierarquia vs. Patrimonialismo: O texto afirma que "hierarquia não é propriedade" e que diretores não são "patrões". Na Sociologia, chamamos de patrimonialismo quando alguém confunde o que é público (o cargo, a escola) com o que é privado (seus desejos, seu humor). Explique por que essa confusão entre o público e o privado prejudica a democracia dentro da escola.

2. O Uso Político da Burocracia: O autor menciona que "entraves burocráticos" e "fluxo salarial" podem ser usados como instrumentos de pressão ou retaliação. Como o uso da burocracia para punir adversários políticos ou pessoais fere o princípio da impessoalidade, que deveria reger todo o serviço público?

3. Liderança vs. Chefia Autoritária: Segundo o texto, o líder "não teme ser superado", enquanto o chefe vê na excelência alheia uma "ameaça ao simulacro do poder". Relacione essa ideia ao conceito de autoridade legítima: por que um gestor que convence e motiva a equipe tem mais autoridade real do que aquele que apenas manda por ter um cargo?

4. A Cultura Escolar e a Herança Colonial: O texto sugere que a escola brasileira reproduz uma "herança colonial" que naturaliza a "obediência cega". De que forma a falta de uma gestão democrática (com participação de alunos, pais e professores) contribui para manter esse modelo de escola autoritária e punitiva?

5. Imagem vs. Realidade (Sociedade do Espetáculo): O autor critica o "império das imagens", onde fotos em redes sociais e projetos vistosos substituem a aprendizagem real. Como a preocupação excessiva com o "marketing" e a "boa aparência" da escola pode acabar escondendo os problemas reais vividos por professores e estudantes?

Dica do Prof: Ao responderem, pensem no conceito de Cidadania Ativa. O texto termina sugerindo que a resistência não pode ser apenas individual, mas precisa de "mecanismos reais de antiabusos". Que tipos de conselhos ou espaços de fala vocês acham que faltam na nossa escola para que todos sejam ouvidos de verdade?

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quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

O Rigor Sob Ataque: A Ética do Registro contra o Simulacro Pedagógico ("Há tantos paradigmas na sociedade atual que nossa educação deve voltar para a Grécia Antiga para sobreviver." — Cassio Murilo)

 


O Rigor Sob Ataque: A Ética do Registro contra o Simulacro Pedagógico ("Há tantos paradigmas na sociedade atual que nossa educação deve voltar para a Grécia Antiga para sobreviver." — Cassio Murilo)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Não é o rigor que está sob ataque — é a sua caricatura. Compreendi isso quando passei a ser questionado por manter registros cuidadosos do percurso dos meus alunos. Não anotações por fetiche burocrático, mas vestígios da aprendizagem: tentativas, avanços, tropeços e retornos. Registro não como sentença, mas como memória do caminho. Ainda assim — ou talvez justamente por isso — fui acusado de dureza excessiva, como se avaliar com critério fosse sinônimo de insensibilidade.

Com o tempo, aprendi que o problema não está no registro em si, mas na ilusão de que ele basta. Contar atividades não é medir aprendizagem; é apenas um indício. A justiça pedagógica não nasce da quantidade de marcas no caderno, mas da leitura atenta do que elas revelam: compreensão conceitual, capacidade de aplicação e progressão possível dentro das condições concretas de cada estudante. Rigor não é rigidez; é responsabilidade intelectual.

Nos conselhos de classe, esse debate raramente amadurece. O que predomina é um embaraço coletivo diante da complexidade do processo educativo. Alguns recorrem a atalhos: ora o contexto social se torna álibi absoluto, ora a simpatia pessoal pesa mais do que o percurso acadêmico. Não falo de equidade pedagógica — essa é indispensável e exige suporte diferenciado para que todos aprendam de fato. Refiro-me ao risco oposto: o assistencialismo vazio que aprova sem ensinar, que absolve sem formar, que confunde cuidado com desistência.

É inegável: criança com fome não aprende; aluno exausto não rende; quem vive sob violência não se concentra. Reconhecer isso não é sentimentalismo, mas rigor pedagógico ampliado. O equívoco está em tratar a adversidade como ponto final, quando deveria ser ponto de partida para intervenções concretas — apoio, reforço, tempo, mediação. Aprovar sem oferecer esses meios não é justiça social; é apenas empurrar o problema adiante.

O mal-estar se intensifica quando o debate cede lugar à personalização. Discordar passa a ser ataque; questionar, afronta. A divergência pedagógica é lida como deslealdade, e o diálogo se dissolve em ironias sutis e silêncios calculados. Talvez não se trate de covardia, mas de exaustão, medo, precariedade, salários indignos ou gestões autoritárias. Culpabilizar indivíduos é simples; difícil é encarar o peso estrutural que atravessa o trabalho docente.

Também precisei rever minhas próprias metáforas. A escola não é um hospital, nem os alunos são pacientes. Não há diagnóstico único nem cura prescrita por especialista. Há conflitos legítimos de concepções e disputas éticas e políticas sobre o que significa ensinar, avaliar e promover. Pedagogia não é ciência exata; é relação humana mediada por saberes. Emoção não é inimiga da objetividade — o que a compromete é a arbitrariedade sem fundamento.

Ainda assim, recuso o conforto do simulacro. Há algo profundamente adoecido em um sistema que mascara fracassos com discursos otimistas, que troca aprendizagem por estatística e chama de sucesso aquilo que apenas evita o conflito. No entanto, aprendi que denunciar, por si só, não transforma. Transparência sem organização vira desabafo; crítica sem proposta vira ruído.

Talvez o verdadeiro desafio seja outro: construir espaços reais de deliberação pedagógica, onde rigor e sensibilidade não se anulem, onde a avaliação seja instrumento de aprendizagem — não de punição nem de maquiagem. Uma escola que reprova menos porque ensina mais; que promove com apoio, não por abandono; que registra para compreender, não para se blindar.

Não escrevo para apontar culpados, mas para recusar a anestesia. Entre o silêncio conivente e o grito estéril, escolho a palavra que insiste — não como vacina milagrosa, mas como convite incômodo a pensar, juntos, o que estamos fazendo da educação e do futuro que fingimos avaliar.


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Como seu professor de Sociologia, fico entusiasmado com a profundidade deste texto. Ele nos convida a pensar a educação não apenas como uma técnica de ensino, mas como uma instituição social atravessada por questões de ética, poder e justiça. Para nossa aula, elaborei 5 questões que conectam esses dilemas ao nosso cotidiano e aos conceitos sociológicos de objetividade, subjetividade e responsabilidade institucional:


1. Rigor vs. Rigidez: O texto diferencia "rigor" (responsabilidade intelectual) de "rigidez" (punição ou frieza). Sociologicamente, por que é importante que o professor mantenha critérios claros de avaliação em vez de decidir a aprovação de um aluno baseando-se apenas em "simpatia pessoal" ou "sentimentalismo"?

2. A Função Social do Registro: O autor afirma que o registro não deve ser um "fetiche burocrático", mas uma "memória do caminho". Como o registro detalhado da aprendizagem de cada aluno pode servir como uma ferramenta de justiça social, garantindo que as dificuldades individuais sejam vistas e tratadas, em vez de ignoradas?

3. Assistencialismo vs. Equidade: O texto critica o "assistencialismo vazio que aprova sem ensinar". Qual é a diferença entre equidade pedagógica (dar suporte diferenciado para quem mais precisa) e a aprovação automática sem garantia de aprendizado? Qual dessas práticas realmente combate a desigualdade social a longo prazo?

4. O Peso das Estruturas: O autor menciona que o silêncio e o mal-estar dos professores podem ser causados por "exaustão, medo, precariedade ou salários indignos". Como as condições materiais de trabalho (o ambiente e o salário) influenciam a capacidade de um profissional de ser ético e cuidadoso com seus alunos?

5. A Escola como Espaço de Verdade: Ao final, o texto recusa o "simulacro" (a mentira organizada) de mascarar fracassos com estatísticas otimistas. Por que uma sociedade que aceita "maquiar" dados de educação, em vez de enfrentar a falta de aprendizado, está prejudicando o seu próprio futuro e a formação de seus cidadãos?

Dica do Prof: Para responder, lembrem-se que a escola é o lugar onde aprendemos a viver em sociedade. Se a escola aceita a "mentira" ou o "jeitinho" na avaliação, que tipo de valores estamos ensinando para os futuros cidadãos do Brasil? Reflitam sobre a importância da verdade para a construção de uma nação justa.

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terça-feira, 27 de dezembro de 2022

A LEVEZA DA SOCIALIZAÇÃO: O Simulacro da Inclusão e a Ética da "Leveza" ("Gentil é aquele que passa pela vida do outro, toca-o com leveza e marca-o onde ninguém mais pode ver." — Josie Conti)

 


A LEVEZA DA SOCIALIZAÇÃO: O Simulacro da Inclusão e a Ética da "Leveza" ("Gentil é aquele que passa pela vida do outro, toca-o com leveza e marca-o onde ninguém mais pode ver." — Josie Conti)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

A inclusão, quando nasce como direito, é um gesto civilizatório; quando sobrevive apenas como protocolo, converte-se em encenação. Não é o convívio entre diferenças que fracassa na escola, mas a maneira descuidada com que ele é conduzido. Repete-se a palavra socialização como um mantra burocrático, enquanto se negligencia o essencial: acessibilidade concreta, apoio especializado, formação docente e condições materiais mínimas. O efeito não é inclusão — é abandono coletivo travestido de virtude administrativa.

Não se questiona o princípio de que todos pertencem aos mesmos espaços, mas a recusa em admitir que pertencimento exige responsabilidade. Inserir alunos em salas regulares sem garantir mediações adequadas não é emancipar; é transferir o peso do fracasso aos mais vulneráveis e, depois, celebrar estatísticas. Direitos humanos não se medem por planilhas de eficiência, mas tampouco resistem ao descaso cotidiano.

Recordo um episódio aparentemente banal, ocorrido em um corredor escolar. Caminhava entre as salas, distraído, com a mochila aberta. Bastaram alguns minutos para que meus pertences desaparecessem. O fato, isoladamente, não sustenta tese alguma — furtos acontecem em qualquer espaço humano. O que inquieta é o entorno silencioso do ocorrido: ninguém viu, ninguém soube, ninguém se responsabilizou. Apenas após insistência, diálogo e certo constrangimento ético, os objetos começaram a reaparecer, fragmentados, como se a devolução fosse concessão, não obrigação.

A escola, destinada à formação moral e intelectual, não pode tratar a desonestidade como ruído tolerável nem a omissão como neutralidade pedagógica. Educar não se limita à transmissão de conteúdos ou à gestão de conflitos: implica nomear valores, estabelecer limites e compreender causas — sociais, econômicas, afetivas — sem jamais naturalizar o erro. Punir sem compreender é fracasso; compreender sem agir também o é.

É fácil dormir tranquilo quando a consciência foi anestesiada pela retórica do “estamos fazendo o possível”. Mais difícil é reconhecer que, ao economizar em profissionais de apoio, improvisar adaptações e sobrecarregar docentes, a instituição não inclui: expõe. E, ao expor, produz exatamente aquilo que depois lamenta — vínculos frágeis, ética rarefeita, convivência sem cuidado.

A fé, quando invocada, deveria aprofundar a responsabilidade, jamais substituí-la. Nenhuma tradição moral consistente legitima a negligência disfarçada de boa intenção. Cuidar dos vulneráveis exige mais do que discursos piedosos: requer estruturas, escolhas e coragem institucional.

Ao fim do dia, persiste a pergunta incômoda: que tipo de leveza se experimenta ao cumprir um dever apenas no papel? Talvez a leveza de quem confundiu direito com favor, inclusão com mera presença física, justiça com conformismo. A história, porém, é paciente. E a ética, ainda que tarde, sempre cobra.


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Como seu professor de Sociologia, vejo que este texto nos traz um debate urgente sobre a ética das instituições. Ele nos provoca a pensar se a escola está realmente incluindo as pessoas ou apenas "cumprindo tabela". Para nossa atividade, elaborei 5 questões discursivas que conectam o texto aos conceitos de Direitos Humanos, Instituições Sociais e Responsabilidade Ética:


1. Inclusão Real vs. Inclusão de Protocolo: O texto afirma que a inclusão sem apoio especializado é um "abandono coletivo travestido de virtude". Explique, com suas palavras, por que apenas colocar um aluno com deficiência em uma sala regular, sem oferecer os profissionais e materiais necessários, não pode ser considerado um processo de inclusão verdadeiro.

2. A Responsabilidade no Espaço Público: No episódio da mochila, o autor destaca que o que mais incomodou não foi o furto, mas o "entorno silencioso" (ninguém viu, ninguém se responsabilizou). Como a falta de compromisso dos indivíduos com o que acontece ao seu redor enfraquece a vida em comunidade e a confiança na escola?

3. O Perigo da Naturalização do Erro: O autor diz que educar "implica nomear valores [...] sem jamais naturalizar o erro". Na Sociologia, "naturalizar" algo significa acreditar que aquilo "é assim mesmo e não pode mudar". Por que é perigoso para uma sociedade quando a escola começa a tratar a desonestidade ou o descaso como algo "normal"?

4. Estatística vs. Dignidade Humana: Segundo o texto, celebrar estatísticas de inclusão enquanto se "transfere o peso do fracasso aos mais vulneráveis" é uma forma de desonestidade. Como a busca por "números positivos" nas planilhas do governo pode acabar escondendo a realidade precária que alunos e professores vivem no dia a dia?

5. Ética e Consciência: A pergunta final do texto questiona a "leveza" de quem cumpre o dever apenas no papel. Relacione essa reflexão ao conceito de Cidadania: Ser um bom cidadão e um bom profissional da educação exige apenas seguir as regras escritas ou exige um compromisso ético real com o outro?

Dica do Prof: Para responder, pensem no conceito de Alteridade — que é a capacidade de reconhecer o outro como alguém que tem direitos e necessidades diferentes das nossas. O texto sugere que a inclusão só acontece de verdade quando a gente para de olhar para o "papel" e começa a olhar para a "pessoa".

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

O simulacro educacional: entre o cuidado e a fraude ("Nunca conseguirás convencer um rato de que um gato traz boa sorte." — Graham Greene)

 


O simulacro educacional: entre o cuidado e a fraude ("Nunca conseguirás convencer um rato de que um gato traz boa sorte." — Graham Greene)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Houve um tempo em que a escola confundia zelo com vigilância. O diário de classe exigia explicações minuciosas para cada ausência, como se a vida privada do aluno fosse mera extensão administrativa da sala de aula. Professores, constrangidos, tornavam-se escrivães da intimidade alheia, compelidos a registrar doenças, conflitos familiares ou a falta de um atestado que jamais deveria ser público. A engrenagem só começou a falhar quando a resposta “assunto particular” se generalizou — não por virtude institucional, mas por esgotamento moral. A escola recuou não porque aprendeu, mas porque sucumbiu ao ridículo.

Hoje, paradoxalmente, vivemos o extremo oposto. O controle se dissolveu, não em nome da autonomia, mas da improvisação. A escola já não invade a intimidade; agora atravessa o território doméstico. Surgem as campanhas de “busca ativa”, os mutirões de resgate, o professor convertido em agente simbólico de recuperação da evasão. Buscar o aluno, em si, não é o problema — pode ser gesto legítimo de cuidado pedagógico. O escândalo começa depois: quando esse cuidado dispensa reciprocidade, quando a presença é contabilizada sem aprendizagem, quando o retorno não implica compromisso. O resgate vira encenação; a educação, concessão automática.

É nesse ponto que a fraude se instala. Não se trata de defender reprovações em massa, nem de idealizar um passado seletivo que nunca existiu para os pobres. Trata-se de reconhecer que promover sem ensinar é tão violento quanto excluir. O discurso meritocrático, quando ignora fome, trabalho precoce, trauma, racismo e currículos alheios à vida concreta, converte desigualdade em culpa individual. O discurso oposto — que absolve o sistema de ensinar e o aluno de aprender — produz outra crueldade: a da expectativa rebaixada, da tutela permanente, da escolarização sem saber.

A merenda escolar, nesse contexto, revela a ambiguidade do nosso tempo. Para milhões de crianças, é a refeição mais segura do dia — negá-la seria barbárie. O problema não é alimentar, é desistir de educar. Quando a comida substitui o ensino, o direito degenera em assistencialismo. Quando caminha junto da exigência pedagógica, torna-se política civilizatória. A tragédia começa quando a escola se contenta em saciar o corpo e abandona o espírito.

Há ainda uma confusão conceitual conveniente. A progressão continuada, quando acompanhada de apoio efetivo, funciona; a promoção automática sem suporte é fraude estatística. O Brasil escolheu a segunda e simulou praticar a primeira. Nesse processo, professores, gestores e políticas públicas compartilham responsabilidades. Há docentes que ensinam com rigor e invenção; há outros que apenas cumprem protocolo. Criticar o sistema exige honestidade: ninguém está fora dele, nem acima dele.

Talvez alguns alunos resistam não à educação, mas à escola que domestica, silencia e desqualifica sua cultura. Fugir pode ser sintoma, não vício moral. Ainda assim, romantizar toda evasão como resistência libertária é tão falso quanto tratá-la como preguiça. A escola que educa precisa ser desejável, mas também exigente; acolhedora, sem ser indulgente; justa, sem ser conivente.

Não salvaremos a educação laçando alunos para inflar planilhas, nem simulando sucesso pedagógico para preservar carreiras. Isso não forma sujeitos; apenas administra fracassos. Honrar alguém sem lhe oferecer condições reais de aprender é uma forma refinada de desprezo — não de sabedoria. O Brasil não precisa de estatísticas otimistas, mas de um projeto claro: universalizar a escola com qualidade, sem mentir para si mesmo. Porque o que hoje se chama ensino, quando desprovido de verdade e propósito, não constrói nação alguma — apenas perpetua o simulacro. "Como o que prende a pedra na funda, assim é aquele que dá honra a um tolo." — Provérbios 26:8.


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Como seu professor de Sociologia, fico impressionado com a lucidez deste texto. Ele toca em feridas profundas da nossa estrutura educacional, abordando desde o controle burocrático de Max Weber até as questões de reprodução social e cidadania. Para nossa aula, preparei 5 questões que ajudarão a turma a refletir sobre a função social da escola hoje:


1. Da Vigilância ao Abandono: O texto descreve dois momentos: um passado de "vigilância da intimidade" e um presente de "improvisação e controle dissolvido". Sociologicamente, como a mudança do foco da escola — de registrar faltas para apenas "contabilizar presenças sem aprendizagem" — afeta a formação do cidadão e a qualidade do ensino público?

2. A "Promoção Automática" como Fraude Social: O autor afirma que "promover sem ensinar é tão violento quanto excluir". Relacione essa frase à ideia de desigualdade social: por que a aprovação de um aluno que não aprendeu nada pode ser considerada uma forma de "crueldade" ou "desprezo" por parte do Estado?

3. O Papel Social da Merenda e do Assistencialismo: O texto diferencia a merenda como "política civilizatória" (quando acompanha o ensino) de "assistencialismo" (quando substitui o ensino). Qual é o risco social de a escola passar a ser vista pela comunidade apenas como um local de alimentação e não como um espaço de construção de conhecimento e criticidade?

4. Meritocracia vs. Condições Reais: O autor critica o discurso meritocrático que ignora a fome e o racismo, mas também critica a "tutela permanente" que não exige nada do aluno. Como a escola pode encontrar um equilíbrio entre acolher as dificuldades sociais dos estudantes e, ao mesmo tempo, manter um ensino que realmente os desafie e os prepare para a vida?

5. A Escola como Simulacro: Ao final, o texto menciona que "administrar fracassos" para "inflar planilhas" não constrói uma nação. Na sua visão, por que o governo e as instituições muitas vezes preferem manter estatísticas positivas de aprovação em vez de enfrentar o problema real da falta de aprendizado?

Dica do Prof: Galera, foquem na ideia de que a escola é um espaço de disputa. De um lado, temos o interesse político por números e estatísticas (o "simulacro"); do outro, a necessidade real de vocês de terem uma educação que mude suas vidas. O texto sugere que a "verdade" é o único caminho para uma educação que não seja apenas fachada.

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domingo, 25 de dezembro de 2022

O Ponto, a Marcha e o Vazio: Memórias de Senador Canedo ("Prefiro a decepção pelo conhecimento da realidade do que a comemoração de uma farsa." — Carlos Alberto Hang)

 


O Ponto, a Marcha e o Vazio: Memórias de Senador Canedo ("Prefiro a decepção pelo conhecimento da realidade do que a comemoração de uma farsa." — Carlos Alberto Hang)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Houve um tempo em que o calendário da cidade ainda tentava fabricar pertencimento. Datas cívicas, marchas, palanque, hino — tudo isso compunha um esforço quase pedagógico de afirmar: somos uma comunidade. Para o funcionalismo público, sobretudo na educação, não se tratava de escolha, mas de dever. Comparecer era menos celebrar e mais confirmar a própria existência administrativa: assinar o ponto.

Recordo-me de um sábado em que caminhei três quilômetros até o centro das comemorações do aniversário de Senador Canedo. Não fui movido por civismo ou entusiasmo, mas pela exigência burocrática de validar meu vínculo com o Município. Ao chegar, a festa ainda pulsava — discursos, som, bandeiras. O caderno, porém — esse objeto modesto e soberano — já havia partido. Às nove em ponto, a coordenadora pedagógica, indiferente ao fato de que o ritual coletivo seguia vivo, recolheu o documento e foi embora. A celebração podia continuar; a papelada, não.

Senti raiva. Não uma raiva histórica, dessas que teriam faltado aos escravizados — porque não faltou revolta, faltaram armas, vitórias e estruturas menos brutais. O que emergiu foi uma indignação menor, porém legítima, de quem vive num tempo em que a dignidade deveria ser regra, não exceção. Caminhar quilômetros para nada, ser descartado por um procedimento cego, revelou algo maior: uma burocracia que já não serve à vida, apenas a si mesma.

Hoje, o que resta é um vazio estranho. O aniversário da cidade passou sem marcha, sem ponto, sem festa. Não foi apenas a pandemia que silenciou as ruas. Antes dela, o espaço público já vinha sendo corroído: comunidades fragmentadas pelo consumo privado, praças substituídas por telas, rituais esvaziados pelo desencanto político. Senador Canedo, cidade jovem e periférica, talvez tenha tentado, nesses desfiles, inventar uma identidade que nunca se consolidou — ou que foi abandonada antes de amadurecer.

Curiosamente, senti falta. Não da imposição, mas da tentativa de encontro. Humanos precisam de rituais; o problema nunca foi a festa, mas sua forma autoritária. Talvez o desafio não seja resgatar a marcha obrigatória, e sim reinventar celebrações voluntárias, onde a presença seja desejo, não ameaça de desconto em folha.

Entre o ponto que humilha, a marcha que se esvaziou e o silêncio que ficou, resta a palavra. Escrever é também um gesto cívico: memória contra o esquecimento, crítica contra a naturalização do vazio. Talvez seja assim que uma comunidade recomece — não pelo "caderno de ponto", mas pela escuta.


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Como seu professor de Sociologia, fico muito satisfeito com a profundidade desta crônica. Ela nos permite discutir temas fundamentais da nossa disciplina, como a burocracia, a formação da identidade coletiva e a diferença entre coerção (obrigação) e consenso (vontade). Para o nosso estudo, preparei 5 questões que conectam o seu relato aos conceitos sociológicos que trabalhamos em sala:


1. Burocracia e Desumanização: No texto, o autor descreve que a coordenadora levou o caderno de ponto embora às nove horas, ignorando que o evento ainda acontecia. Segundo a visão de Max Weber sobre a burocracia, como o foco excessivo em "regras e papéis" (como o caderno de ponto) pode acabar sufocando o sentido humano e social das atividades?

2. Rituais e Identidade Social: O autor menciona que os desfiles eram uma tentativa de "inventar uma identidade" para a cidade. Por que os rituais coletivos (festas, desfiles, comemorações) são importantes para que as pessoas sintam que pertencem a uma comunidade e não sejam apenas indivíduos isolados?

3. Coerção vs. Engajamento: O texto critica o fato de a participação ser uma "ameaça de desconto em folha" e sugere que as celebrações deveriam ser "voluntárias". Na sua opinião, o que faz com que um cidadão queira participar da vida da sua cidade sem que seja obrigado por uma lei ou contrato de trabalho?

4. O Esvaziamento do Espaço Público: O autor afirma que as praças foram substituídas por telas e as comunidades fragmentadas pelo consumo. Como o uso excessivo de redes sociais e o foco no consumo individual podem enfraquecer a nossa participação política e social na cidade onde moramos?

5. O Papel da Memória e da Escrita: Ao final, o texto diz que "escrever é um gesto cívico". Por que manter a memória sobre como as coisas eram (mesmo as ruins) é fundamental para que uma sociedade consiga criticar o presente e planejar um futuro melhor?

Dica do Prof: Ao responder, tente pensar na sua própria experiência em Senador Canedo ou na sua escola. Você sente que participa dos eventos por "pertencimento" ou por "obrigação"? Essa distinção é a chave para entender a legitimidade do poder na sociedade.

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sábado, 24 de dezembro de 2022

NÃO FUI CON/VI(N)CENTE: A Fragilidade das Certezas e o Estigma do Mestre ("A amizade é o conforto indescritível de nos sentirmos seguros com uma pessoa, sem ser preciso pesar o que se pensa nem medir o que se diz". — George Eliot)

 


NÃO FUI CON/VI(N)CENTE: A Fragilidade das Certezas e o Estigma do Mestre ("A amizade é o conforto indescritível de nos sentirmos seguros com uma pessoa, sem ser preciso pesar o que se pensa nem medir o que se diz". — George Eliot)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Certezas não são, em si, o problema. O risco começa quando se cristalizam em dogmas precoces, imunes à revisão. Há conhecimentos solidamente fundamentados — a Terra não é plana, a gravidade não é opinião —, mas persiste a tentação humana de converter convicções provisórias em verdades finais. É nesse excesso de segurança que a ignorância costuma se esconder, travestida de autoridade.

O Titanic não afundou por erro de cálculo, mas por decisões humanas: alertas ignorados, velocidade mantida, botes insuficientes. A técnica fez o que podia; a soberba gerencial completou o desastre. Não foi a ciência que falhou, e sim seu uso arrogante. O mesmo vale para aviões que caem ou projetos que naufragam: não é o conhecimento que trai, é a recusa em reconhecer limites. A dúvida, longe de ser fraqueza, mantém a razão viva. Quem jamais a admite não inspira confiança — inspira obediência.

Esse culto à onisciência encontra no professor seu bode expiatório preferido. Durante séculos, ele foi o raro letrado da aldeia; hoje, mal remunerado e socialmente desvalorizado, carrega ainda o peso simbólico de “mestre”. Exige-se que saiba tudo, responda a tudo, que nunca diga “não sei”. Muitos acabam simulando certezas não por vaidade, mas por sobrevivência: em ambientes autoritários, admitir ignorância soa como perda de legitimidade. Chama-se isso, de modo vago, de “politicamente correto”, quando, na verdade, é medo de decepcionar, de ser julgado incompetente, de não corresponder ao papel.

Lembro-me de um açougueiro do bairro, vendedor de espetinhos de retalhos. Sempre me tratou com deferência ao saber que eu era professor. Um dia, porém, comentou que não acreditava muito nisso. Talvez porque eu não performasse a intelectualidade esperada: roupa simples, conversa direta, almoço na calçada. Talvez porque, no imaginário social, um professor devesse frequentar restaurantes, não balcões populares. Respondi apenas que não vivo de aparências. Nunca mais voltei. Minha retirada foi digna, mas silenciosa demais; perdi a chance de perguntar por que ele duvidava e de reconhecer que éramos, afinal, trabalhadores da mesma engrenagem.

Há algo de cruel nessa expectativa de pureza simbólica. O professor, de salário apertado, vigia o próprio corpo — o que come, onde anda — para sustentar um mito que não o sustenta materialmente. Exemplos, dizem, comunicam mais que discurso. Mas, exemplo de quê? De austeridade forçada? De autocensura cotidiana?

Talvez a resistência possível comece em gestos mínimos: dizer “não sei” em sala de aula e ensinar que pensar é conviver com incertezas; recusar a fantasia do mestre infalível; lembrar que conhecimento não é altar, é oficina. O resto — dignidade, crítica, solidariedade de classe — vem depois, se ainda houver fôlego.


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Sou seu professor de Sociologia. O texto que acabamos de ler toca em pontos centrais da nossa disciplina: como a sociedade constrói imagens sobre as profissões, como o poder se manifesta através do conhecimento e como a desigualdade afeta até a forma como nos comportamos em público. Para refletirmos sobre esses temas, preparei 5 questões discursivas simples. Vamos lá:


1. A Ciência e a Decisão Humana. O autor argumenta que o Titanic não afundou por falha da ciência, mas pela "soberba gerencial" e decisões humanas erradas. Questão: Na sociologia, estudamos que a tecnologia não é neutra. Como o exemplo do Titanic demonstra que o conhecimento técnico precisa estar aliado à ética e à responsabilidade social para evitar desastres?

2. O Papel Social do Professor. O texto menciona que a sociedade exige que o professor "saiba tudo" e nunca admita ignorância, transformando-o em um "mestre infalível". Questão: Por que a sociedade cria expectativas tão rígidas sobre certas profissões (como professores ou médicos) e como essa pressão pode prejudicar o profissional, impedindo-o de agir com naturalidade?

3. O Estigma e a Aparência. No episódio do açougueiro, o professor foi questionado sobre sua profissão porque não "performava a intelectualidade esperada" (comia na calçada, vestia-se de forma simples). Questão: O que esse estranhamento do açougueiro nos diz sobre os preconceitos de classe? Por que associamos inteligência ou cultura a determinados modos de vestir ou lugares de frequência?

4. Conhecimento como "Oficina" e não "Altar". O autor sugere que o conhecimento deve ser visto como uma "oficina" (algo em construção) e não como um "altar" (algo sagrado e imutável). Questão: Qual a importância de aprendermos a dizer "não sei" para o desenvolvimento do pensamento crítico e para uma sociedade mais democrática e aberta ao diálogo?

5. Condição Material e Status Simbólico. O texto aponta uma contradição: o professor é socialmente cobrado por uma "postura de mestre", mas é "mal remunerado e desvalorizado". Questão: Como a desvalorização salarial do professor entra em conflito com o "status" que a sociedade espera dele? É possível ter dignidade profissional apenas com "respeito simbólico", sem condições materiais adequadas?

Dica do Prof: Ao responder, tente relacionar o texto com a sua própria experiência na escola. Você já sentiu medo de dizer que não sabia algo? Já julgou alguém pela aparência antes de conhecer sua capacidade?

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