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MINHAS PÉROLAS

sábado, 4 de maio de 2013

PERGUNTAR NÃO OFENDE (— por que o senhor veio hoje, professor?)




Crônica da vida escolar

PERGUNTAR NÃO OFENDE (— por que o senhor veio hoje, professor?)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Alunos preguiçosos vão para a escola, obrigados pelas leis e ora seduzidos pelos favores politiqueiros do governo, mas não querem aulas!!! Ah, aula ... Única coisa que tenho para oferecer-lhes!!!
          Estou chegando em cima da hora, para meu turno de trabalho, na correria, vou para a última sala do corredor. À medida que vou passando nas portas tumultuadas por alunos, eles me perguntam: — por que o senhor veio hoje, professor?
          Então respondo com outra pergunta: — quem está no lugar errado?
         A escola pública está apodrecida! Os alunos não querem ficar na sala de aula. Como o professor pode encaminhar os trabalhos com eles passeando nos corredores, se "agarrando" e se escondendo das coordenadoras nos banheiros e nas outras salas desapercebidos pelo professor? Esses, os piores estudantes, são os que mais reclamam por facilidades e notas boas, eles denunciam, praguejam, brigam e xingam; nunca foram avisados de nada, eles não sabem de nada e jogam sempre a culpa no professor, enfim, no sistema. Entretanto, são para esses que os políticos movem suas ações de "sucesso". Não há ninguém bom. Eu culpo o sistema, também. Se banharmos um porco e perfumá-lo, vesti-lo com finas roupas, ele vai voltar para o chiqueiro. Têm pessoas que não nasceram para estudar, e o sistema ainda não entendeu isso. Estas tornam-se restolho na educação, quando forçadas a fazer o que não querem, fazem exatamente o que não devem, e existem somente para atrapalhar os outros. Eu não ganho para separar brigas, sou especialista em Língua Portuguesa e eles não me deixam fazer o que mais sei fazer. A lama do chiqueiro também respingou em mim. Ou melhor, quando estou no chiqueiro, os porcos pensam que sou porco. Até aí, não me incomoda, pois eu, baseado em mim, também fico pensando que eles são gente.
          Isso é muito evidente e não engana ninguém, assim como o Filho pródigo não se tornou porco com os porcos, os porcos não se tornaram humanos com a sua  convivência no chiqueiro. Porém, eles não só me sujam, mas também mordem. Por isso, ou eu saiu do espaço deles, seguindo atitude do rapaz arrependido, ou eles saem do meu redunto. Sou judeu por convicção, não me alimento de porco! Mas, não sei onde banquetear, se onde vivo a maioria come porco.
          Cientistas com espírito de porco descobriram semelhanças notáveis entre humanos e suínos. — "Eu vejo o porco como um grande modelo animal para os males do modo de vida humano. Os porcos gostam de ficar vagando por aí, eles gostam de beber e, se tiverem chance, provavelmente vão sentar e ver TV – diz Lawrence Schook, da Universidade de Illinois, um dos mentores da pesquisa: http://noticias.r7.com/esquisitices/noticias/somos-iguais-aos-porcos-20091120.html (link visitado em 04/05/2013).
          Uns poucos são iguais aos porcos, outros a águias, e aquela maioria é apenas gente comum, e a escola não serve para nenhum deles, ela não tem chance.
Claudeko Ferreira
Enviado por Claudeko Ferreira em 09/11/2012
Reeditado em 04/05/2013
Código do texto: T3977725
Classificação de conteúdo: seguro

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