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sábado, 8 de junho de 2013

Educai as crianças de hoje para não punir os adultos amanhã


07/06/2013 às 21h38

Educai as crianças de hoje para não punir os adultos amanhã

DIÁRIO DA MANHÃ
NATAL ALVES FRANÇA PEREIRA
Desde a mais tenra idade somos orientados sobre o que é permitido ou não. A formação de um cidadão começa no seio familiar, onde de fato, temos os primeiros ensinamentos que podem garantir o surgimento de futuros homens de bem, dentro dos princípios da integridade e dignidade. Esta é a educação de berço e será complementada com os ensinamentos escolares, estudos e todas as convivências sociais ao longo da vida de um cidadão.
O aumento dos envolvimentos de menores na criminalidade, inclusive com participações em assassinatos bárbaros assusta muito. Esta situação preocupa nossa gente brasileira, que se mobiliza e cobra das autoridades iniciativas visando mudar este quadro. A responsabilidade pela não entrada dos nossos jovens no mundo do crime é de todos: pais, políticos e sociedade em geral. Em alguns casos, o fato de os pais apresentarem baixa renda e passarem grande parte do dia longe de seus filhos pode contribuir para que sejam “adotados” pelo crime, inclusive com finalidade de serem usados como uma espécie de “escudo” para maiores escaparem das punições. O relacionamento com o filho adolescente faz parte de todo um processo que se inicia já nos primeiros anos de vida e que, geralmente, predomina no futuro. A adolescência é uma fase complexa, na medida em que ocorrem inúmeras transformações biopsíquicas somadas à crescente necessidade de autoafirmação e independência em que o adolescente busca expandir seus limites e rechaçar o controle dos pais sobre si. Se o adolescente foi acostumado a ter todos os desejos satisfeitos e não aprendeu a suportar frustrações, será muito difícil aceitar qualquer tipo de controle. Da infância até a adolescência, as pessoas interiorizam noções de bom e mau, certo e errado, justiça, obrigações, direitos e deveres, aperfeiçoando a capacidade de fazer julgamentos morais a respeito dos próprios atos e dos atos dos demais. Porém, é normal a ocorrência de confusões durante o processo de desenvolvimento moral. Em várias situações, os padrões morais aprendidos sem discussão durante a infância passam a ser questionados na adolescência, especialmente quando se chocam com os padrões da “turma” que, por sua vez, passa a ter grande importância na vida do adolescente. Outro fator de grande influência na formação do adolescente é a divergência entre os direitos propagados pela família e aqueles vivenciados na realidade. Faz-se necessário entender que a aprendizagem não se dá apenas verbalmente, mas ocorre, especialmente, através de modelos de comportamento, ou seja, por exemplos reais. Essa divergência entre a mensagem latente e a realidade vivida provoca uma perda de parâmetros para o adolescente. Talvez, a redução do índice de criminalidade não esteja em construções de presídios ou aumento da capacidade de reclusões, não são as grades ou as exclusões dos convívios sociais que nos garantirão paz, educai as Crianças, para que não seja necessário punir os adultos. A educação e a formação de um povo devem ser uma constante, em especial, é preciso que o poder público e toda sociedade observem e cumpram melhor o estatuto da criança e do adolescente. Sendo violado este estatuto, ocorre uma punição indireta, por inexistir algumas preocupações básicas importantes, dentre elas, com a qualidade de ensino, isso, quando se consegue vagas em escolas públicas, por vezes, em estabelecimentos em péssimas condições de segurança, físicas e humanas. Impressiona a banalização de ocorrências criminosas no espaço escolar, o que sugere a hipótese de que as agressões estariam, de alguma maneira, encontrando respaldo em valores violentos que as antecedem e as legitimam no interior de certos grupos. Condições precárias de moradia, associadas à violência doméstica e a inclinações perversas, propiciam circunstâncias facilitadoras do abuso sexual, notadamente contra crianças. Esse tipo de violência tende a se repetir por anos antes que as vítimas consigam relatar o que estão passando ou que os fatos sejam descobertos. Na verdade, a maior parte das ocorrências de abuso sexual jamais se transformará em processo penal por ausência de comunicação às polícias ou aos conselhos tutelares. Ao lado do abuso sexual, outro fenômeno que vem gerando preocupações crescentes no Brasil é o da exploração sexual de crianças e adolescentes, inclusive com a existência de um quadro assustador de estruturação de redes criminosas que agenciam os “serviços” sexuais de crianças e adolescentes, subtraindo-lhes o direito à infância e à juventude. Paz, para ser vivida, tem de ser construída, dia a dia, nos pequenos atos, que podem ser geradores de grandes transformações. É para ser realizada, não só idealizada. Se faz, não é dada. É, sobretudo, ação. Só se torna realidade quando caminha junto com o desenvolvimento humano. Daí, a importância do papel estruturante da educação, na inclusão social e no protagonismo juvenil. Ampliando o acesso a atividades de lazer, cultura e esporte cria oportunidades para o exercício, desde a juventude, de valores como a não-violência, a liberdade de opinião e o respeito mútuo, fortalecendo suas noções de convivência em um grupo social. Haverá redução de desigualdades sociais na mesma proporção em que houverem mais qualidades na educação, isto é fato. Seja como for, o gosto pelo saber, ou o prazer de aprender, constitui uma motivação mais forte. O lazer é, igualmente, uma motivação importante para a adesão dos jovens, com efeito, a descoberta da escola como lugar de convívio, divertimento e acesso à cultura nos fins de semana é um fato da maior relevância na história da educação brasileira. Acostumados a ver e ouvir, veiculando nas mídias, notícias de crimes e os mais variados tipos de violências, bem como, das superlotações nos presídios e da necessidade de construções de novos, pois, o número de detentos é crescente, a nação brasileira, anseia por soluções para esta situação, para tanto, a classe política e todo o povo precisa se unir objetivando maior alcance na capacidade de mais investimentos na educação e consequentemente menos em punições, aproximando-nos cada vez mais da a verdadeira paz social.
(Natal Alves França Pereira, servidor público do Estado de Goiás, formado em Ciências Contábeis e filiado à Associação Goiana de Imprensa)
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