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MINHAS PÉROLAS

sábado, 12 de novembro de 2016

A REPROVAÇÃO ESCOLAR NÃO INTERESSA A NINGUÉM! (Não é preciso morrer ou matar ninguém, professor!)


Crônica da Vida Escolar

A REPROVAÇÃO ESCOLAR NÃO INTERESSA A NINGUÉM! (Não é preciso morrer ou matar ninguém, professor!)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           O pior e mais deplorável argumento a fim de passar à outra série um aluno sem mérito algum é perguntar ao professor: — "Você quer tê-lo novamente como seu aluno no próximo ano...?" O se ver livre por essas vias, termina por incentivar os sem sonhos a perturbarem mais ainda as aulas, atrapalhando professores e colegas. Descobriram o segredo! Mas, é assim que os coordenadores contribuem com a confecção de índices maiores de aprovação; coitados, também são pressionados de cima para baixo.
           A coordenadora de disciplina odeia muito ver o professor sentado à mesa, lendo e corrigindo as redações dos alunos, ou simplesmente escrevendo vistos no caderno deles, tanto que é tema em todas as reuniões pedagógicas. E aconselha-nos nervosamente sobre esse momento: — "Devem passar outra atividade no quadro para os alunos nunca ficarem um instante ociosos e evitar a bagunça". (Como se eles não tivessem outras disciplinas para estudar!). Ora, se os alunos sabem que serão aprovados automaticamente, vão se importar com mais uma tarefa no quadro, valendo os pontos prometidos!? O que esses evitadores de serviço não sabem, é que quando os alunos não querem estudar, tampouco se atentam às suas atividade e nem de uma e nem de outras matérias. Ninguém gosta de professor mesmo, jamais; todos usam-nos e abusam da boa vontade deles!
           No início do ano, todos da equipe escolar juntos em uníssono, reafirmamos o voto: — "Vamos aprovar só os alunos dedicados e estudiosos, sejamos rígidos, nossa escola é séria"! Agora, em um passo de mágica, logo o tempo prova o contrário, os bons propósitos mudam, e tornam-se  em nada à medida que os projetos de recuperação paralela, feira de ciências e interclasses não funcionam.  De forma alguma, não se enganam mais os alunos; os espertos nunca querem estudar e pronto, eles continuam usando de todo subterfúgio espúrio para se dar bem. A escola, por sua vez, também tentando lucrar. Aqui une a fome com a vontade de comer: o professor quer também se dar bem.
           No final, terceiro bimestre em diante, a pressão psicológica aumenta em cima do professor (enquanto deveria ser em cima do aluno), é um assédio moral aqui, outra imoralidade ali, uma falta de ética acolá e assim vamos que vamos, contanto que todos os alunos sejam promovidos. A reprovação não interessa a ninguém. Se o professor por descuido ou uma expressão de justiça deixa algum aluno com nota abaixo da média, no final do ano, quando vai ver, os que mexem no diário eletrônico colocaram os alunos "especiais" promovidos. 
           Observei também durante o ano, é precisamente no quarto bimestre, que aumentam as denúncias sobre professores. As mais banais, versando sobre o comportamento moral, espiritual, ético e profissional do professor dentro da sala, questões pessoais e outros assuntos particulares, trato com notas, até o modo do professor se vestir. Porém, o fim é sempre o mesmo, capitação de nota para conseguir, de qualquer jeito, a aprovação. Tudo isso reforçado ainda mais com a visita de pais "nunca" vistos no ambiente escolar, "barraqueiros" e ameaçadores, aqueles sabedores do endereço da secretaria da educação, e de todos os seus telefones. Há outros mais educados, simples e descaradamente oferecendo-nos suborno e propina em troca de aprovação dos filhos.
             Contudo ainda, falando da dependência curricular, o aluno, por último, será promovido mesmo que fique reprovado em duas matérias, ele nem se preocupará, pois um "trabalhosinho" lhe esperará para cumprir o feito. É lógico, o professor de jeito nenhum quer trabalho extra no próximo ano, então é melhor ficar livre de problema agora mesmo! E no final, não é preciso morrer ou matar ninguém!
Kllawdessy Ferreira

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Enviado por Kllawdessy Ferreira em 08/11/2016
Reeditado em 12/11/2016
Código do texto: T5817005
Classificação de conteúdo: seguro

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