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MINHAS PÉROLAS

domingo, 31 de agosto de 2025

Avaliação de desempenho que se transforma em perseguição (“Se um sistema educacional é um fracasso, a culpa é dos educadores, não dos educandos.” — Carlos Drummond de Andrade)

 

Avaliação de desempenho que se transforma em perseguição (“Se um sistema educacional é um fracasso, a culpa é dos educadores, não dos educandos.” — Carlos Drummond de Andrade)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

É isso que, no fim das contas, acaba acontecendo — e está acontecendo agora na rede estadual de educação. Professores estão sendo perseguidos, assediados e até expostos a divisões artificiais entre estudantes e docentes. O absurdo chegou ao ponto de alunos avaliarem seus professores, como se fossem juízes de um processo sem critério algum. O que deveria ser um instrumento de melhoria virou mecanismo de intimidação.

Enquanto isso, gestores e autoridades que descumprem a legislação permanecem impunes. Prefeitos, governadores e até o presidente escapam sem qualquer responsabilização. Queremos, sim, uma reforma administrativa, mas que puna os gestores que não cumprem seu papel e não aqueles que estão na linha de frente, ensinando em salas de aula sucateadas. Essa é a luta por justiça social que precisamos travar juntos, pelo Brasil.

Mas se a palavra é avaliação, que seja feita com seriedade e justiça. Em países como Finlândia e Canadá, por exemplo, o desempenho docente é acompanhado por equipes pedagógicas qualificadas, com foco em formação contínua e não em punição. Avaliações por pares, feedback construtivo e planos de desenvolvimento individuais mostram que é possível conciliar rigor e respeito. “A crítica sem proposta é apenas ruído”, dizia Paulo Freire — e talvez seja hora de lembrarmos que a educação precisa de políticas de apoio, não de linchamentos simbólicos. Um modelo equilibrado poderia transformar a avaliação em instrumento de crescimento, e não em arma de perseguição.

E aí surge a pergunta inevitável: que competência tem o estudante para avaliar o professor? Como disse um dos colegas: “É o poste mijando no cachorro!” Muitos alunos ainda não dominam plenamente a leitura, mas já se arrogam o direito de julgar a formação de seus mestres. Em algumas escolas, diretores chegam a orientar os alunos nas provas a portas fechadas, proibindo a presença dos professores. Outro docente resumiu: “É o mesmo que o bandido avaliar o policial pelas costas...”

Claro que o professor precisa ser avaliado — pela postura, pela dedicação, pela responsabilidade. Mas não por mecanismos distorcidos. “Não são todos, mas há professores que não dão aula e apenas enrolam”, reconheceu um educador. O problema é que, nesse modelo atual, o professor que exige mais pode ser punido, enquanto o que pouco ensina, paradoxalmente, recebe melhor avaliação.

Como desabafou uma professora: “Não desista de derrubar essa resolução de avaliação! Estamos sendo ameaçados e humilhados.” O retrato não poderia ser mais claro: em 2009, uma docente foi avaliada por alunos do 8º ano do estado. Sua comparação diz tudo: “É a banana comendo o macaco.”


https://www.instagram.com/reel/DMga1bMJU7h/?utm_source=ig_web_copy_link (Acessado em 31/08/2025)


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Para nossa aula de sociologia, vamos analisar este texto que aborda a polêmica avaliação de professores. Ele levanta pontos importantes sobre poder, educação e justiça social. Leiam-no com atenção e respondam às questões a seguir para aprofundarmos a discussão.


1 - O autor critica a avaliação de desempenho que se tornou um "mecanismo de intimidação" e "perseguição". Com base no texto, explique como essa prática reflete um problema maior de responsabilização no setor público brasileiro.

2 - O texto compara a avaliação de professores por alunos a situações como "o poste mijando no cachorro!" e "o bandido avaliar o policial pelas costas...". Analise sociologicamente o que essas metáforas revelam sobre as relações de poder dentro da escola.

3 - O autor aponta que o atual modelo de avaliação pode premiar o professor que "enrola" e punir o que "exige mais". De que maneira essa crítica questiona a justiça e a eficácia do sistema de avaliação?

4 - O texto sugere que, em países como Finlândia e Canadá, a avaliação é feita por "equipes pedagógicas qualificadas". Qual a diferença fundamental entre esse modelo e o criticado no Brasil, no que diz respeito ao objetivo da avaliação?

5 - A frase de Paulo Freire, "'A crítica sem proposta é apenas ruído'", é citada. De que forma o autor usa essa ideia para argumentar que a luta dos professores não é contra a avaliação em si, mas contra a falta de apoio e critérios justos?

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