"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

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MINHAS PÉROLAS

segunda-feira, 29 de junho de 2009

TITUBEAR SEM CETEBEAR (Alguém quer comprar uma monografia e/ou um diploma ?)







Claudeci Ferreira de Andrade



TITUBEAR SEM CETEBEAR (Alguém quer comprar um diploma ou uma monografia?)

segunda-feira, 29 de junho de 2009
Claudeci Ferreira de Andrade
          A difusão galopante das tais escolas abertas, escolas que vão até você, e as que oferecem cursos a distância, tem preocupado a bons educadores. É muito grande o número dos que sentem perplexidade e angústia diante dessa “moda”, disseminada, com segurança tecnológica e muita intransigência, por educadores das mais variadas linhas pedagógicas, de que essa onipresença virtual salvará a educação.
          Alguns educadores iludidos de que estão completos, acostumados a comprar módulos e provas respondidas, por fim, somaram em seus salários os 30% por “titularidade” fácil. Contudo, agora esses viciados em “novas tecnologias educacionais” alarmam-se quando um outro tipo de educador levanta dúvida sobre o verdadeiro sentido da educação e da escola moderna!
          Logo, a minha reação como educador zeloso e compreensivo é aceitável. Confesso que senti uma espécie de crise profissional quando descobri que uma coluna do edifício de minhas convicções pedagógicas abalou-se: a mais velha. É verdade que, se eu tivesse a coragem de ir até o fim, acabaria, muitas vezes, por verificar que, substituída essa coluna por outra mais nova, o edifício ficaria perfeito e mais suntuoso. Por outro lado, se alguns se regozijam com a velha coluna, outros, igualmente, sentem profundo alívio ao descobrirem que o método tradicional fatídico não era parte essencial da pedagogia ideal: a coluna já estava quebrada, ameaçando ruir todo o edifício das boas convicções pedagógicas; poder removê-la, já havia pensado. Mas, também penso que educação não se faz com experiências isoladas; faz-se, construindo-a sobre as grandes verdades fundamentais bem apreendidas, interpretando-se por elas todas as demais afirmações bem sucedidas e todos os fracassos.
          O que aprendo com meus colegas, dentro da Secretaria de Educação, é que eles são mais “generosos”, muito mais prontos a tratar com “amor” e “bondade” os seus “clientes”. Porém, são eles feitores da educação ideal quando repassam gratuitamente o disquete com as provas dos cursos do Ceteb (Centro de Ensino Tecnológico de Brasília) respondidas!? Quando fomentam uma aceleração para recuperar o tempo perdido dos pobres coitados que, por motivos cruéis da existência, não estudaram no tempo próprio!? Quando compõem comissão avaliativa para classificação daqueles que “perderam” seus documentos escolares ou reclassificação dos que se mostraram evoluídos demais para a série em que estão!? Quando se graduam num curso de regime parcelado para se adequarem à urgente exigência da LDBEN, garantindo assim o vínculo empregatício na educação pública!?
          Quisera eu ser sábio e ser discriminado merecidamente, do que não saber nada e sofrer com a certeza de que não sei nada. Só os cultos e intelectuais merecem o sofrimento da discriminação, porque a maioria é "sem miolos", portanto, (massa)crante.

Encaminhamento de percepção

 1-Quais as diferenças qualitativas surtidas nos cursistas destes tipos de regime: presencial, parcelado e a distância?
 2-Você compraria uma monografia de conclusão de graduação pela internet? Justifique.
 3-Que mal há em ser tradicional ou moderno em se tratando de Pedagogia?
 4-O que faz titubear o narrador entre os dois adjetivos zeloso e compreensivo?
 5- "O narrador queria saber muito e ter a discriminação reservada aos sábios, do que parecer sábio e sofrer com a certeza de que não sabe nada". Comente:
 6-Faça uma ilustração para a crônica que acabou de ler.
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 01/07/2009
Código do texto: T1676342

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DEMOCRACIA EDUCACIONAL (Assim se faz autonomia?)









A EDUCAÇÃO É O CELEIRO EXCLUSIVO DA MULHER! DE ONDE VEM A DEMOCRACIA?

Crônica

DEMOCRACIA EDUCACIONAL (Assim se faz autonomia?)

 Por Claudeci Ferreira de Andrade


           Neste mês, consta no calendário escolar mais um “Sábado Letivo”, um bom dia para acontecer aquele encontro de professores para ajustarem o currículo de estudo da modalidade supletivo, já há muito planejado. Só uma coisinha faltava para os integrantes da equipe organizadora: como fazer para que, na capacitação, obtivessem a presença de todos os professores já convidados. Então, idealizaram uma manobra para compensar o dia trabalhado dos que comparecerem: via ofício, comunicaram que ganhariam dois sábados letivos posteriormente se tão-somente contribuíssem nas atividades dos dois períodos do tal sábado - matutino e vespertino – e a lista de frequência correria no final da tarde como parte da artimanha.
           Assim aconteceu, foi de surpreender a presença deles no turno matutino, ali estavam 70% dos professores esperados. Essa aquiescência deveu-se puramente à estratégia técnica, ou ao café-da-manhã, ou ao almoço? Para você que está achando essa pergunta descabida e inconveniente, explique-me a razão dos só 30% que assinaram na folha de frequência, levando ainda em conta, os que chegaram só depois do almoço! Porém, os gazeteadores não contavam com o implacável “corte de ponto” que veio depois como consequência da “improdutividade”. Então, justificaram-se, os que se achavam injustiçados, um após o outro:
           — Me disseram que o café-da-manhã era pão, leite, toddy, pão-de-queijo, salgados e bolos! Mas, me enganaram, foi apenas refrigerante com pão e margarina, então para não ser gorado também no almoço, saí mais cedo quando a cabeça já queria doer.
           — Olha, para mim coisa abominável é a atitude de vocês, também professores, mas, viabilizando nosso prejuízo. É como a tempestade, arrancando árvores e fazendo erosão! É o pobre explorando o pobre! É o perdoado de uma grande dívida cobrando ao seu devedor de pouca coisa!
           — Estou insatisfeito por pensar em perder meu ponto, pois não tenho justificativa alguma, apenas fiz minha proposta de Geografia e achei ser isso o suficiente, porém falei com o professor Fulano no Carrefour, e ele me falou que tem um grupo dos ameaçados que vai entrar com um processo na justiça se for consumado o “corte”. Tomem cuidados!
           — Perguntei para o coordenador da sala em que participei, ele me falou que não tinha lista de presença! Nem para me explicar que não tinha uma lista ali, mas tinha uma geral que passaria no final da tarde. Por isso, fui embora sem assiná-la, já que não poderia estar ali naquela manhã por causa doutro compromisso.
           Aquele que classificava as falas disse ironicamente:
           — Nada como uma boa declaração para reparar!
           Concluí, todos nós vemos o que queremos, e, nesse particular, digo que a próxima convocação terá mais força, e a reunião será levada mais a sério sem ser preciso colhermos evasivas. Isso é democracia educacional e autonomia escolar. Se funcionar é o que importa, questionar é um mero detalhe, e por aqui, as mudanças acontecem muito lentamente.

Encaminhamento de percepção

1- O que motivou a ironia daquele que classificava as justificativas dos gazeteadores?
2- Defina melhor Democracia Educacional e Autonomia Escolar.
3- Trace o perfil psicológico de cada um dos entrevistados por sua justificativa.
4- Que características deve ter a reunião sabatina para caracterizar-se um “Sábado Letivo”?
5- Qual das justificativas lhe parece mais mentirosa? Justifique.
6- Em que momento o narrador se inclui na equipe organizadora?
7- Faça sua ilustração para a crônica que acabou de ler.
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 30/06/2009
Código do texto: T1675159


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domingo, 28 de junho de 2009

“É PRECISO DEMITIR MAUS PROFESSORES”





domingo, 28 de junho de 2009

“É PRECISO DEMITIR MAUS PROFESSORES”
por Claudeci Ferreira de Andrade
          
O Professor da Universidade de Stanford e integrante da Academia Nacional para Educação dos Estados Unidos, Eric Hanushek, falando sobre o tema: A importância do investimento em educação para o desenvolvimento econômico de um país. disse: "Estaríamos melhor se nos livrássemos dos professores particularmente ruins". http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,e-preciso-demitir-maus-professores,392313,0.shtm (acessado em 13/04/2013).
         O professor palestrante atribuiu toda culpa das mazelas do ensino ao professor ruim! Mas, quem é o bom? Eu que sempre achei que todo problema da baixa qualidade da educação estava no aluno, sua falta de interesse, porque os conhecimentos não atingiam seu fim último, ou seja, “batiam fofo”, mas, fui obrigado a me conformar, olhando a frase de efeito adotada pelas Secretarias Municipais para a Educação: O "Só ensina quem aprende”. É uma frustrada expectativa! Porque, por aqui têm muitos que não aprenderam e estão a ensinar! Será que o fato de ver o quanto o professor é ruim põe fim nos problemas da educação? Não sei!
         Refletindo um pouco mais, pensei em alguns critérios, baseando-me na necessidade do dia-a-dia, tentando me avaliar se sou ou não um desses ruins: Câncer da educação. Mas, tenho um curso de licenciatura na área em que estou atuando e a domino! Não estou vivendo separado da leitura, leio mais que apenas o livro adotado para dar minhas aulinhas! Conduzo a minha sala de forma a dar uma boa impressão para o colega que está sempre de plantão me vigiando e, por insegurança, comparando-se a divulgar sua falta de domínio de classe! Não enrolo minha aula com frivolidade, fingindo ser amigo demais de alunos, falando de minha vida pessoal e segredos fúteis o tempo todo! Não estou mais ensinando palavras cruzadas para os alunos, utilizando jornais, dando brecha para a escola me criticar de malandro! Não falo tudo o que ocupa meu cérebro: tolices, banalidades, imagens ilusórias da vida! Então...
         Concluí que me pareço muito com poucos! Então mereço o salário que ganho! O Professor Eric (método norte-amerino) sugere que se aumente o salário só dos bons professores. Que seja assim, pelo que estão as autoridades esperando? E nós professores pelo que estamos esperando? Será que temos demais o que já disse Millôr Fernandes: "Capacidade de saber cada vez mais sobre cada vez menos, até saber tudo sobre nada." O que falta em nós para desocuparmos o lugar?
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 29/06/2009
Código do texto: T1673229


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sábado, 27 de junho de 2009

PERGUNTAS PARA RELIGIOSOS (Uma sã consciência tem "luz", se não, RECEBA)


Texto

Perguntas para Religiosos

*Se o céu só será possível mediante os mérito de Jesus, o Cristo; então tem mais dignidade quem, por méritos próprios, conquista o inferno?
*Qual o pecado que tem no mundo e não se encontra na igreja?
*Qual o benefício espiritual que a igreja oferece que não se recebe em quaisquer outros lugares do mundo?
*Por que os membros convertidos de uma igreja gostam de contar como eram "carga torta" antes de ir para a igreja?
*Se um anjo, enviado de Deus, entrasse em uma igreja qualquer e dissesse a todos ali que continuassem se abstendo dos prazeres do mundo, mas que ninguém iria para o céu, na próxima reunião, teria adorador algum naquele lugar?
*Onde está a eficácia da fé, se é possível abusar dela?
*Como não me considerar filho de Deus se não tem como Deus deixar de ser o Pai gerador de todas as coisas?
*Se quanto mais se peca, requer maior Graça, então o segredo para viver na Graça é viver pecando?
*Por que nas igrejas evangélicas falam mais no Diabo que em Deus, promovem mais o medo que a gratidão, falam mais em pecado(dinheiro, sexo etc.) que nos Dons de Deus para o homem(caridade, perdão etc.)?
*A adoração a Deus (música gospel, oração, imagens e filmes) tende a uma humanização dEle. Precisamos de um deus mais humano?
*Dizer que a igreja é a casa de Deus não seria subestimar demais a Onipresença Divina?
*Que espécie de divindade pretende ser o pastor evangélico se propondo pleitear ("colocar Deus na parede"), intercedendo pelas pessoa perante Deus?
*O que o ser humano tem para dizer a Deus, em oração, que Ele não saiba? ("ganhar no grito"  já é chacota sobre crente!).
*A evangelização com a promessa de prosperidade socioeconômica, não seria uma "hipocritização"?
*Se a Bíblia é a regra infalível de fé para a igreja, e diz que "quem é amigo do mundo não é amigo de Deus", por que as igrejas promovem o Natal, Páscoa, Dia internacional da Mulher e outras festividades mundanas, incentivando à amizade com o mundo?
* Por que os crentes atacam com ameças e baixarias comprometendo a reputação de quem ataca suas crenças? Por que os crentes precisam defender seu Deus? Quem é o Deus de quem?
* Onde há muita riqueza, razoavelmente distribuída, e mecanismos de proteção social, a religião vai mal, onde há muita pobreza, insegurança  concentração de renda e competição desenfreada, a religião vai bem. Por que a força da religião é, portanto, inversamente proporcional ao bem-estar da sociedade?
*Por que as pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas?
*Por que os intelectuais universais (Sigmund Freud, Albert Einstein, Steven Weinberg (físico), Arthur Schopenhauer, Karl Marx, Anatole France, Thomas Hobbes, Stendhal etc.) todos trataram da religião com desprezo?
*Se querem ir para o Céu, por que não querem morrer, sendo esta a única condição de ir para lá?
*Se Deus se retira do homem pecador, como poderá continuar onipresente?
Claudeko
Enviado por Claudeko em 16/05/2009
Reeditado em 08/04/2012
Código do texto: T1597688


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sábado, 20 de junho de 2009

“Eleição” de chapa única (Um paradoxo muito estranho!)




CRÔNICA

“Eleição” de Chapa Única (Um paradoxo muito estranho!)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          
Consultando o dicionário Caldas Aulete, deparei-me com a palavra eleição com o seguinte significado: Escolha, por meio de votos, de pessoa para ocupar um cargo público ou privado. Então, pensei na maior conquista da educação pública! Ainda que, a realidade seja um paradoxo estranho!
          A eleição direta para gestores escolares veio como um mecanismo de democratização dessa liderança. Um instrumento desse deve ser respeitado tanto por autoridades da escola como pela comunidade em geral. Do que adiantaria uma caneta na mão de um analfabeto? Mas, uma caneta na mão de uma pessoa letrada tem muito valor! No entanto, a diretiva de ação do processo eletivo está enferma, que opção têm os votantes em uma chapa única? Quando, porém, uma pessoa se depara com uma cédula de um quadrinho só, para marcar ou não marcar, sendo que o voto branco não é considerado válido, sente-se eleitora? ( O voto em branco não vai para nenhum candidato, ele é considerado inválido. Simples assim. (http://www.acidezmental.xpg.com.br/voto_nulo_e_branco.html). (acessado em 30/03/2013). Ainda mais, sabendo que em muitos casos, uma cédula em branco é o objeto de desejo incontrolável de corruptores que quase sempre têm um “jeitinho brasileiríssimo” para driblar o sistema de segurança. E para anular uma chapa única é difícil demais, pois o senso comum reza que “é melhor qualquer coisa que nada”, ou melhor, "mal acompanhado que só” e, ainda, a intromissão de um interventor mandado pela secretaria de educação nunca será bem vinda por motivos que a atual gestão com possibilidade de reeleição sabe elencá-los muito bem.
           É muito discreta, nojentamente, e quase que imperceptível a transgressão quando um orientador diz, para um votante, num ambiente de eleição, com uma cédula de quadrinho único em mãos:
          — Vai, é só marcar o quadrinho, só isso!
          Quem o impedirá?
          Eu também de olho no poder tentei formar uma chapa para concorrer à direção naquele ano, mas não consegui. O que de extraordinário tinha nessa minha intenção era oferecer mais uma opção em nome da verdadeira democracia. Todos os colegas que julguei adequados para trabalhar comigo, recusaram, fiz três convites e desisti. Tiveram medo: prefiro acreditar assim, do que pensar que duvidaram de minha competência; sendo uma coisa ou outra, sabemos que os medrosos sempre se tornam meros fantoches, e perdem o poder de escolha e até a individualidade. Aliás, escolher o que se a “opção” é única? A chapa única foi a realidade de muitos colégios por aqui! A ideia de democratização é isso? Gerar “livres agentes da passiva morais”!
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 28/06/2009
Código do texto: T1671215


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sábado, 13 de junho de 2009

TODOS DANÇAM! (“Ninguém é totalmente desprezível”)





CRÔNICA

TODOS DANÇAM! (“Ninguém é totalmente desprezível”)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Sei lá quem já falou isto, mas realmente: “ninguém é totalmente desprezível”! Estávamos fazendo os preparativos para a festa junina na escola, todos da comunidade escolar interna precisavam ajudar: tirar folhas dos coqueiros, caçar bambu, subir na armação metálica para dependurar balões de papel e outras atividades corriqueiras do evento. A mão-de-obra totalmente voluntária. Os alunos e professores, quando solicitados, mostravam-se solícitos, mas para fazer as coisas mais fáceis: cortar bandeirolas, confeccionar cartaz, desenhar, pintar, colar papel etc. Porém, um grupo seleto de desprendidos apresentou-se para fazer aquelas ações recusadas, ou seja, as mais pesadas. Observando melhor, notei que os alunos mais indisciplinados em sala tinham grande contribuição para a escola: faziam o serviço que era recusado pela maioria, talvez por ser mais grosseiro, mais arriscado e brutal! Todavia, eles trabalhavam bem, e todos se aproveitavam de seus talentos: faz isso, faz aquilo... Eu, que segurava a escada para um deles trocar as lâmpadas do telhado, gostava do espetáculo.
          Minha reflexão é: que espécie de cidadão queremos educar, não havíamos que diversificar as metodologias ao invés de taxarmos um tipo de aluno de incompetente?
          Como explicar isto: Um aluno indisciplinado, sem produtividade dentro da sala, com os livros, pode ser um bom aluno no pátio da escola com as ferramentas certas! E observei também que às alunas eram-lhes vetadas as atividades pesadas, mesmos as de mau comportamento dentro da sala, não paravam de colar papel amarrar cordão e encangar coisas! Também se tornaram “ovelhinhas”! Contudo, quem poderá explicar isso? Os psicopedagogos? E assim mesmo, a conduta desses alunos “produtivos do pátio”, nos eventos festivos da escola, ainda será considerada inadequada? Só porque eles estão vivendo desajustados educacionalmente dos convencionais métodos da escola! A escola existe para preparar cidadãos. No entanto, o que é isso? A única espécie de cidadão que podemos construir com o sistema calejado que temos é apenas idealizada. E não é real. Verdadeira cidadania só provém da prestatividade, a final a escola não devia preparar o aluno para servir cabalmente a sociedade no que ela precisar? E como melhor condicioná-los em seus direitos e obrigações?
          Eu lhes convido a contemplar a vida real – a examinar a “literatura” que produz efeitos reais, enxergar saudáveis perspectivas das relações interpessoais, avaliar melhor os alunos que queremos. Alguém está minando nossas energias do cérebro com tolices (uniformização). O mundo é a realidade.
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 27/06/2009
Código do texto: T1669605

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domingo, 7 de junho de 2009

O Banquete Olfativo: Entre o Erro e a Gramática do Aroma (Há uma lógica no erro - Jean piaget)









CRÔNICA

O Banquete Olfativo: Entre o Erro e a Gramática do Aroma (Há uma lógica no erro - Jean piaget)


Por Claudeci Ferreira de Andrade

Dizem que até o erro tem sua lógica. Jean Piaget que me perdoe, mas a lógica daquela manhã no Segundo Ano “D” era de outra natureza — digamos… mais orgânica. Na calada da noite, algum “artista” resolveu deixar um despacho biológico bem atrás da última sala do pavilhão, ali, sem cerimônia, no pé da quadra. E pronto: a turma, já conhecida por ser a mais pá virada do matutino, amanheceu sitiada por um odor que, definitivamente, não era de Deus.

Diante do caos, os alunos tentaram o que sabiam fazer melhor: improvisar. Num surto de engenharia sanitária, alguém teve a brilhante ideia de cobrir o “evento” com uma tábua. Resultado? Pioraram tudo. Como ensina a sabedoria popular: “bosta quanto mais se mexe mais fede”. O que era só um incômodo virou presença constante — um cheiro encorpado, insistente, daqueles que não pedem licença: entram, sentam e dominam o ambiente.

Sem ar, sem dignidade e sem plano B, restou apelar pra coordenação. Eu já tava meio tonto, entre a maresia fétida e o burburinho da molecada, quando vi a coordenadora surgir como quem traz esperança no bolso. Fiz silêncio — um silêncio respeitoso, quase religioso — esperando o veredito salvador.

Mas a vida… ah, a vida gosta de uma ironia bem colocada.

A coordenadora entrou decidida, deu duas fungadas dignas de um cão farejador e, com a maior naturalidade do mundo, soltou:

— "Não estou sentindo nada".

Pronto. Foi o estopim. Lá no fundão, a quinta série — essa entidade indestrutível que mora em todo adolescente — acordou de vez. Porque, convenhamos, há mistérios que a ciência ainda não explica: por que qualquer referência a cheiro ruim desencadeia um riso coletivo quase espiritual? Se o riso é sinal de felicidade, aquela sala, naquele instante, era um paraíso.

Percebendo o alvoroço, a coordenadora tentou retomar o controle e disparou a frase que entraria pra história:

— "Vocês estão com alguma coisa aí no fundo!"

Ela falava de bagunça, claro. Mas a língua, traiçoeira, adora uma ambiguidade. E adolescente, quando vê brecha, não perdoa.

— "Ora, professora, não é no meu fundo, é no lado de fora da sala! Eu tomei banho hoje!" — rebateu um dos espirituosos, com a convicção de quem sabia exatamente o estrago que estava causando.

A sala veio abaixo. Risada pra todo lado, carteira batendo, gente quase chorando. Ali, naquele caos aromático, a linguística deu seu show sem pedir licença.

Minutos depois, surgem elas — as verdadeiras heroínas da manhã — munidas de balde, vassoura e desinfetante, como quem entra numa batalha silenciosa. Aos poucos, o ar foi voltando ao seu estado civilizatório, e a ordem, meio capenga, se reinstalou.

Foi então que me caiu a ficha: aquele desastre tinha, de algum jeito torto, “ornamentado” a aula. Sim, porque no meio do absurdo nasceu uma oportunidade. Aproveitei o embalo e transformei o episódio numa aula viva de fonologia, ambiguidade e interpretação. Nada como um exemplo… concreto.

Desde então, a história virou ferramenta. Volta e meia, trago essa crônica pra sala e lanço o desafio: escrever sobre o cotidiano escolar com humor, com olhar afiado, com verdade. Porque, no fim das contas, entre o erro e o acerto, o caminho é curto — mas é estreito, viu… e, às vezes, meio fedido também.


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Este texto, apesar de ser uma crônica humorística e pessoal, aborda diversos elementos de interesse sociológico que podem ser explorados em sala de aula, tais como a burocracia escolar, a ineficácia das instituições, a cultura da indisciplina e a ambiguidade da comunicação social. Como professor de Sociologia do Ensino Médio, preparei 5 questões discursivas simples e diretas para alinharmos os conceitos sociológicos às situações cotidianas da escola:

Texto Base: A Crônica "O Banquete Olfativo: Crônica de uma Aula Inesquecível"

1. Burocracia e Ineficácia Institucional:

O texto descreve o pedido de ajuda à coordenadora pedagógica para resolver um problema de higiene básica, o que é encarado como um procedimento para "restabelecer o conforto para o aprendizado". Analise esta situação sob a perspectiva da burocracia (conceito de Max Weber). Como a necessidade de envolver a coordenação para um problema simples (limpeza) pode ser vista como um sintoma de rigidez ou ineficácia institucional na escola?

2. O Papel da Indisciplina e a Cultura Escolar:

A turma em questão é descrita como a "mais indisciplinada" e o problema se concentra na última sala do pavilhão. Em Sociologia da Educação, o que o conceito de "cultura escolar" abrange? Discuta como a indisciplina e o foco dos alunos no gracejo e na ambiguidade linguística podem ser interpretados como uma forma de resistência cultural ou uma resposta à rotina da aula de Língua Portuguesa.

3. Ambiguidade e Comunicação Social (Interacionismo):

A cena entre a coordenadora e o aluno se baseia em uma ambiguidade linguística sobre a palavra "fundo". Explique como essa situação se relaciona com o conceito sociológico de interação social. Por que a clareza da comunicação é essencial para a manutenção da ordem social e como a falha em interpretar corretamente a intenção (o cheiro versus a travessura) gera o conflito cômico descrito?

4. Hierarquia e Desautorização:

O texto ironiza a visita da coordenadora, dizendo que o episódio foi a "maior contribuição que já recebi [...] para melhorar a qualidade das minhas tradicionais aulas". Analise o relacionamento entre o professor (narrador) e a coordenadora em termos de hierarquia e autoridade dentro da instituição escolar. Como a atitude da coordenadora, que nega sentir o odor, pode ser interpretada como uma forma de desautorizar a percepção do professor e dos alunos?

5. O Simbólico do Espaço e a Marginalização:

O evento ocorre atrás do segundo ano "D", a "última sala do pavilhão", próxima à quadra de esportes, em um local onde a indisciplina já era regra. Sob a ótica da Sociologia do Espaço ou da Marginalização, o que a localização física (o "fundão", o fim do pavilhão) pode simbolizar em relação à importância, ao controle e à ordem dessa turma no contexto da escola?

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