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MINHAS PÉROLAS

segunda-feira, 29 de junho de 2009

TITUBEAR SEM CETEBEAR (Alguém quer comprar uma monografia e/ou um diploma ?)







Claudeci Ferreira de Andrade



TITUBEAR SEM CETEBEAR (Alguém quer comprar um diploma ou uma monografia?)

segunda-feira, 29 de junho de 2009
Claudeci Ferreira de Andrade
          A difusão galopante das tais escolas abertas, escolas que vão até você, e as que oferecem cursos a distância, tem preocupado a bons educadores. É muito grande o número dos que sentem perplexidade e angústia diante dessa “moda”, disseminada, com segurança tecnológica e muita intransigência, por educadores das mais variadas linhas pedagógicas, de que essa onipresença virtual salvará a educação.
          Alguns educadores iludidos de que estão completos, acostumados a comprar módulos e provas respondidas, por fim, somaram em seus salários os 30% por “titularidade” fácil. Contudo, agora esses viciados em “novas tecnologias educacionais” alarmam-se quando um outro tipo de educador levanta dúvida sobre o verdadeiro sentido da educação e da escola moderna!
          Logo, a minha reação como educador zeloso e compreensivo é aceitável. Confesso que senti uma espécie de crise profissional quando descobri que uma coluna do edifício de minhas convicções pedagógicas abalou-se: a mais velha. É verdade que, se eu tivesse a coragem de ir até o fim, acabaria, muitas vezes, por verificar que, substituída essa coluna por outra mais nova, o edifício ficaria perfeito e mais suntuoso. Por outro lado, se alguns se regozijam com a velha coluna, outros, igualmente, sentem profundo alívio ao descobrirem que o método tradicional fatídico não era parte essencial da pedagogia ideal: a coluna já estava quebrada, ameaçando ruir todo o edifício das boas convicções pedagógicas; poder removê-la, já havia pensado. Mas, também penso que educação não se faz com experiências isoladas; faz-se, construindo-a sobre as grandes verdades fundamentais bem apreendidas, interpretando-se por elas todas as demais afirmações bem sucedidas e todos os fracassos.
          O que aprendo com meus colegas, dentro da Secretaria de Educação, é que eles são mais “generosos”, muito mais prontos a tratar com “amor” e “bondade” os seus “clientes”. Porém, são eles feitores da educação ideal quando repassam gratuitamente o disquete com as provas dos cursos do Ceteb (Centro de Ensino Tecnológico de Brasília) respondidas!? Quando fomentam uma aceleração para recuperar o tempo perdido dos pobres coitados que, por motivos cruéis da existência, não estudaram no tempo próprio!? Quando compõem comissão avaliativa para classificação daqueles que “perderam” seus documentos escolares ou reclassificação dos que se mostraram evoluídos demais para a série em que estão!? Quando se graduam num curso de regime parcelado para se adequarem à urgente exigência da LDBEN, garantindo assim o vínculo empregatício na educação pública!?
          Quisera eu ser sábio e ser discriminado merecidamente, do que não saber nada e sofrer com a certeza de que não sei nada. Só os cultos e intelectuais merecem o sofrimento da discriminação, porque a maioria é "sem miolos", portanto, (massa)crante.

Encaminhamento de percepção

 1-Quais as diferenças qualitativas surtidas nos cursistas destes tipos de regime: presencial, parcelado e a distância?
 2-Você compraria uma monografia de conclusão de graduação pela internet? Justifique.
 3-Que mal há em ser tradicional ou moderno em se tratando de Pedagogia?
 4-O que faz titubear o narrador entre os dois adjetivos zeloso e compreensivo?
 5- "O narrador queria saber muito e ter a discriminação reservada aos sábios, do que parecer sábio e sofrer com a certeza de que não sabe nada". Comente:
 6-Faça uma ilustração para a crônica que acabou de ler.
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 01/07/2009
Código do texto: T1676342

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