"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

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MINHAS PÉROLAS

sábado, 9 de junho de 2012

AVALIAÇÃO DE GREVE: O Desabafo da Coerência (Professor grevista é aquele que não aprende)


Crônica

AVALIAÇÃO DE GREVE: O Desabafo da Coerência (Professor grevista é aquele que não aprende)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Os professores, por vezes fragilizados e desunidos, insistem em ensinar, embora o façam sob a constante reclamação de que as crianças jamais aprendem. Parece-me que a falta de credibilidade atingiu o mais alto patamar. O que isso tem a ver? Sim, eles mesmos, insistindo no mesmo erro, fazem greve todo ano e voltam de mãos vazias. O ponto dos dias parados é cortado e, por cima, terão de repor nas férias, com aulas infrutíferas, diga-se de passagem. "Ainda segundo a Procuradoria-Geral do Estado, a reposição de aulas por parte dos professores faltosos ao serviço na semana passada ocorrerá no mês de julho, e não mais aos sábados, conforme orientação expedida pelo Conselho Estadual da Educação e Ministério Público." (Professor em greve pode ter ponto cortado, diz PGE- DM Pág.12 de 12/02/2012). A misericórdia é que ninguém precisa trabalhar nos sábados, dia do Senhor!

O paradoxo, no entanto, não reside na luta, mas em sua forma cíclica e inócua. A crítica não mira a moral dos docentes, mas a impotência da estratégia. A categoria tem o direito inalienável à paralisação, mas o resultado pífio anualmente transforma o ato de resistência em punição velada: dias sem salário por aulas que serão repostas sem eficácia pedagógica. Essa equação perversa — amparada na legalidade fria da PGE e na ambiguidade da CLT, que lida com trabalhadores em contextos tão díspares — é o que, de fato, fragiliza a classe. Afinal, a sociedade cobra a qualidade da educação, mas silencia diante do castigo imposto àqueles que ousam reivindicar melhores condições. É essa falta de apoio que me faz sofrer um "nó no cérebro".

Professor também é sociedade e tem esse direito como qualquer outra categoria! Até a Polícia faz greve (Bahia, Rio etc), o que antes era impensável! As esposas faziam por eles; será essa mais uma conquista das mulheres? Epa! Isso me gera outro nó no cérebro: a educação não está repleta de mulheres cultas e empoderadas?

A ira de pais e alunos é atiçada contra os mestres "abusados", e não percebem que nem o alunado é, de fato, prejudicado. Greve de professor, afinal, não faz sentido: ninguém tem prejuízo, depois repõe. O imbecil sou eu, perseguindo a coerência. Como diz o Oscar Wilde: "A coerência é a virtude dos imbecis".

O governo, cinicamente, gosta da greve: diminui a folha de pagamento e economiza nas contas de água, luz e material de limpeza, enquanto finge estar demasiadamente preocupado com a quantidade de aulas. Epa! Sofro mais um nó no cérebro: se o ensino público é desqualificado, onde, afinal, o governo está pecando? Eita, vida ambígua! Ou será que a greve na educação tornou-se, realmente, "vale-férias" antecipadas? Socorra-me, CLT!

Fechamos com as palavras de José Saramago: "Aprendi a não tentar convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro."


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Como seu professor de Sociologia, vejo neste texto uma excelente oportunidade para debatermos as relações de poder, o papel dos sindicatos e a crise de legitimidade das instituições em nossa sociedade. Apresento um panorama crítico sobre a greve de professores, expondo contradições que a Sociologia tenta entender.

Abaixo, seguem 5 questões discursivas e simples para que possamos aprofundar nossa reflexão sobre o tema:

1 - Crise de Credibilidade e Legitimidade: O texto afirma que "a falta de credibilidade atingiu o mais alto patamar" na relação entre professores e alunos. Com base nos seus conhecimentos sociológicos, explique como a repetição de greves sem resultados efetivos pode afetar a legitimidade do professor e da própria escola como instituição social.

2 - Direito de Greve e Relações de Poder: O autor critica a "impotência da estratégia" da greve, mencionando que ela se transforma em "punição velada" (corte de ponto e reposição ineficaz). Explique o conceito de direito de greve sob a ótica da Sociologia do Trabalho e discuta por que, no contexto da educação pública, esse instrumento de luta pode se tornar ineficaz ou ambíguo, conforme sugere o texto.

3 - Ambivalência Social e Apoio Popular: O texto destaca que "a sociedade cobra a qualidade da educação, mas silencia diante do castigo imposto" aos professores. Discuta a ambivalência da sociedade em relação à luta docente. Por que a população, que seria a principal beneficiada pela melhoria da educação, frequentemente apoia menos a greve de professores do que a de outras categorias (como a polícia, mencionada no texto)?

4 - A Visão do Estado (Governo): O narrador ironiza que "o governo, cinicamente, gosta da greve" por diminuir custos. Analise, sob a perspectiva sociológica, como o Estado (ou o governo) se posiciona estrategicamente diante das paralisações do serviço público, considerando os interesses econômicos (corte de gastos) e a necessidade de manter uma aparência de preocupação social.

5 - Gênero e Luta Sindical: O autor levanta o questionamento sobre a presença majoritária de mulheres na educação ("a educação não está repleta de mulheres cultas e empoderadas?") em contraste com as greves de categorias predominantemente masculinas (como a policial). Faça uma breve análise sociológica sobre a questão de gênero no magistério e como essa característica pode, ou não, influenciar a organização, a coesão e a percepção social da luta sindical dos professores.

Olá! **** Bom Dia! ***primeiro que leio hoje.... meu amigo teacher diz o mesmo: classe desunida e perdida em seu receio pois perderão os dias depois das greves diminuíndo ainda mais o pequeno salário mensal com tais descontos... a Educação no Brasil desce a ladeira... mas o governo mandará tablets para as escolas do estado como se isso fosse ajudar a melhorar as condições de ensino e a sina dos professores... a ver... texto sincero e reflexivo... *** E há também - A Rosa Preciosa - em meu soneto medieval de hoje. **** Um beijo azul com saudades

sábado, 2 de junho de 2012

O CARNAVAL DOS PROMOVIDOS: O Baile de Máscaras e o Espelho Que Evitei ("Quanto maior o poder, mais perigoso é o abuso" — Edmund Burke)



Crônica

O CARNAVAL DOS PROMOVIDOS: O Baile de Máscaras e o Espelho Que Evitei ("Quanto maior o poder, mais perigoso é o abuso" — Edmund Burke)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Há dias em que a escola se parece com um baile de máscaras mal ensaiado. Já não sei o que mais me cansa: o lobo sob a pele de cordeiro ou a ovelha que aprende a rosnar para sobreviver. Caminho por corredores onde a moral troca de figurino conforme a plateia, e tudo soa excessivo — vozes altas, sorrisos ensaiados, silêncios calculados. Nesse carnaval institucional, observo mais do que participo. Talvez por medo. Talvez por cansaço. Talvez porque, em algum ponto, eu tenha me sentido grama pisoteada e decidido não crescer mais.

Digo — e escrevo — que sou visto como o pior professor da instituição. Não sei se isso foi dito em voz alta ou se ecoou dentro de mim até ganhar estatuto de verdade. Sei apenas que a sensação de inadequação se instalou como mofo: silenciosa, persistente, corrosiva. Quando o reconhecimento não vem — ou quando acredito que não virá — começo a desaparecer. No recreio, no intervalo, meu refúgio é o brilho da tela do smartphone. Ali me escondo. Não por vício, mas por defesa: é o lugar onde não preciso explicar nada a ninguém.

Durante muito tempo, olhei para os outros como predadores educados: urubus de terno escuro, alimentando-se de restos com polidez institucional. Via falsidade em excesso, competição travestida de mérito, eficiência usada como chicote. Aos poucos, porém, percebi algo mais incômodo: eu também carregava veneno nas veias. Não o deles — o meu. O veneno da desconfiança absoluta, da generalização, do isolamento escolhido como escudo. Criticava a engrenagem, mas me deixava triturar por ela em silêncio.

Houve um tempo em que fui cogitado para a coordenação. Lembro do convite como quem se recorda de um sonho mal explicado. Recusei. Disse a mim mesmo que era por princípio: não queria uivar por conveniência nem balir por submissão. Hoje suspeito que havia também medo. Medo de fracassar à vista de todos. Medo de confirmar, publicamente, a imagem que eu mesmo havia construído. Transformei esse medo em discurso ético — e segui em frente, talvez mais coerente, mas certamente mais sozinho.

Nesta escola, a palavra “eficiência” muitas vezes chega como vingança. Gente ferida ferindo outros, hierarquias despejando frustrações em cascata, pequenos poderes exercidos com fervor quase religioso. Eu observo — e me calo. Já não sei se meu silêncio é resistência ou rendição. Sei apenas que, ao evitar vínculos, acabo confirmando a narrativa que mais me machuca: a de que não pertenço.

Por muito tempo, fiz do medo meu companheiro mais fiel. Ele me dizia onde não pisar, com quem não falar, o que não tentar. Parecia proteção. Hoje entendo: era cárcere. Morrer socialmente dentro da escola não é ato político — é desistência lenta. E escrevo isso não como acusação aos outros, mas como confissão.

Talvez nem todos sejam lobos. Talvez algumas ovelhas também estejam cansadas de balir. Talvez eu precise admitir que estou adoecido por um sistema que adoece muitos — e que não sairei inteiro disso sozinho. Ainda não sei como pedir ajuda, mas sei que preciso. Porque permanecer neste baile apenas observando, com a máscara colada ao rosto, já não é opção.

E, se esta crônica ainda sangra, ao menos agora sangra com nome, com consciência e com a recusa definitiva de transformar dor em veneno. Eu mereço mais do que sobreviver escondido. E, pela primeira vez em muito tempo, começo a suspeitar disso sem ironia.


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Olá! Como seu professor de Sociologia, vejo que este texto é um mergulho profundo na Microssociologia e na Psicologia Social. Ele trata de como as instituições (como a escola) moldam nosso comportamento através de máscaras, papéis sociais e, por vezes, violência simbólica. Aqui estão 5 questões discursivas, simples e diretas, para explorarmos esses conceitos:


1. O "Baile de Máscaras" e os Papéis Sociais. O autor utiliza a metáfora de um "baile de máscaras" para descrever a escola, onde pessoas agem como "lobos" ou "ovelhas". Na sociologia, o que significa dizer que os indivíduos usam "máscaras sociais" para sobreviver ou se adaptar a uma instituição?

2. O Estigma e a Identidade Docente. O texto menciona a crença de ser "o pior professor da instituição" e como essa ideia se tornou uma "verdade corrosiva". Como o julgamento dos outros (o olhar do grupo) pode afetar a identidade de um profissional e levá-lo ao que o autor chama de "desaparecer"?

3. O Smartphone como Refúgio e Isolamento. O uso do smartphone no intervalo é descrito não como vício, mas como "defesa". De que forma o isolamento tecnológico pode ser lido como uma resposta à falta de pertencimento e aos conflitos de um ambiente de trabalho hostil?

4. A "Eficiência" como Violência Simbólica. O autor afirma que a palavra "eficiência" muitas vezes chega como uma "vingança" ou ferramenta de poder. Explique como conceitos que parecem positivos (como produtividade e eficiência) podem ser usados para exercer pressão e causar sofrimento dentro das hierarquias escolares.

5. Da Sobrevivência à Consciência de Si. Ao final, o autor percebe que o medo era um "cárcere" e decide não "morrer socialmente". Por que o reconhecimento de que o sofrimento é causado por um sistema (e não apenas por uma falha individual) é o primeiro passo para a mudança e para a saúde mental do trabalhador?

Dica do Professor:

Muitas vezes achamos que nossa tristeza no trabalho é uma "fraqueza" nossa. Mas, como vimos no texto, a escola é um organismo. Se o ambiente está doente, as pessoas que fazem parte dele também sentirão os sintomas. Entender a estrutura ajuda a aliviar a culpa!

Caramba, Claudeko... E tu ainda foste convidado?(risos) Aqui está um precioso trabalho literário com a criticidade aflorada com teu toque peculiar. Aplausos! Saudade de tu, menino. Ando meio sem tempo pra net. Por acaso estou passando aqui no Recanto e tu estás "na vitrine". Sinta-se abraçado calorosamente por esta tua fã de PE, tá? Desejo que vivas um prazeroso final de semana. Bjs

sábado, 26 de maio de 2012

VERGONHA DE MÃE (Lágrimas poderosas, as de crocodilo)



Crônica

VERGONHA DE MÃE (Lágrimas poderosas, as de crocodilo)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Que tipo de escola muda o aluno indisciplinado de sua sala, para uma turma de bom comportamento; ou, de lugar, pondo os bons no fundão e os dispersos nos primeiros lugares, na tentativa de conter a baderna? Qual é o foco dela, senão contaminar as outras "células" ou nivelar todo mundo por baixo?!
          Naquela reunião, aquela mãe confessou passar por tamanha humilhação, tendo de ir à escola reivindicar o retorno de seu filho à sala anterior, considerando questões didáticas-pedagógicas superiores da família, jamais consideradas pelos pedagogos provocadores da mudança, e, diga-se de passagem, essa mãe era professora também. Quais critérios, na relação custo benefício, levaram em conta a maioria dos professores? Como eles votaram e concluíram sobre o tal aluno não poder ficar nessa ou naquela sala? Que pedagogia "OVINI" é essa cujos bons alunos da outra sala, a suposta anfitriã comportada, são ignorados para opinar? Alguns deles quiseram até sair de lá, quando ficaram sabendo do indivíduo indisciplinado que iria ser seu novo colega de sala!
          Pois é, aquela mãe e seu filho saíram da sala dos professores aos pulos, valeram as "lágrimas de crocodilo". Eu nem queria estar na pele do coordenador e dos professores donos da causa naquele momento faustoso para ela. E posso apenas imaginar as implicações morais na vida da escola com uma certa satisfação também, por ter votado pela não discriminação do dito aluno, e não ter sido ouvido. Minha máxima é: Nunca se resolve problemas relacionais e de indisciplina, mudando o desordeiro de lugar, sem que o mude primeiramente de caráter. Ninguém merece! Só se  deve promover alguém por mérito ou um motivo verdadeiramente nobre.
          O que passou pela mente daquele aluno, de comportamento contrário às regras, quando recebeu a ordem de mudança de sala? Desconheço, mas tampouco foram bons pensamentos para dar no que deu! Quais foram os motivos reais da mudança dele no espaço físico? Será se não foi apenas um teste de poder? Agora sabemos quem pode mais na escola!
         O que ainda de forma alguma compreendi, foi o fato de um aluno ser indisciplinado com um professor e com outro não, e isso tornar-se motivo de um manejo para uma sala de comportamento melhor, fazendo-o de "semente de iogurte", azedando a porção maior! Assim, também, tiraram a voz da minoria dos professores dele, os quais de jeito nenhum concordaram com a mudança. Porque se o for improdutivo com todos, a escola deve expulsá-lo de vez considerando o bem dele e dos outros. Aqui cabe o lugar-comum: "uma fruta podre estraga outras". E o pensamento de Henry Thoreau: "A massa nunca se eleva ao padrão do seu melhor membro; pelo contrário, degrada-se ao nível do pior."
          Nós professores andamos como quem pisa em ovos! Iludidos que estamos podendo, fingimos ditar regras, mas na verdade essas regras são sempre ajustadas por baixo, os manda-chuvas mesmo são os pais e alunos, e as demais autoridades os protegem. O empregado bem sucedido diz: "o cliente sempre tem razão". E eu digo: "ita fiat"!
Claudeko
Enviado por Claudeko em 04/02/2012
Reeditado em 26/05/2012
Código do texto: T3479564


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sábado, 19 de maio de 2012

AOS MEUS DISCÍPULOS (Se sou um deus ou uma besta, só o tempo revelará)



Crônica

AOS MEUS DISCÍPULOS (Se sou um deus ou uma besta, só o tempo revelará)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Quem quiser saber o caminho certo, encontre-me num cruzamento qualquer desta vida, estarei trilhando por ele. Se quiser seguir meus passos não os achará. O caminhar do homem criativo é solitário e não linear. Embora dissesse Aristóteles: "O homem solitário é uma besta ou um deus." Creio ser meio solitário e meio deus, sim, não só por interferir no meio, mas, muito mais, por filtrar o meio para beber do naturalismo sadio!
          No ano passado, ficaram retidos, para repetir a série, alguns pouquíssimos alunos, e um, em especial,  chamou-me muito bem a atenção, este é o motivo maior desta crônica. Lembrando da maioria de meus alunos declarados evangélicos, os quais certamente nem leem ou leem pouco os Evangelhos; são arrogantes, prepotentes, subestimadores e autossuficientes, querem nos convencer que são melhores seres humanos que nós todos juntos. Mas, conseguem senão evidenciar e exaltar a mesquinhez de sua existência e de seu testemunho viciado, diminuindo o Cristo de quem eles se dizem seguidores!
          Por isso, estou cobrando mais do aluno reprovado, pois é o objeto de minhas observações de então, até porque sempre se ofereceu a mim como modelo ideal de "Filho de Deus". Os filhos louvam o Pai todos os dias com um cântico novo, que seja assim, porém sem esquecerem nunca de cumprir suas outras obrigações!
          É tão fácil ser promovido nos estudos, ainda mais nos colégios públicos da atualidade por causa das estatísticas midiáticas. E, alguns crentes ainda conseguem ser reprovados, isso é inadmissível. O tal aluno, um músico da igreja, trazia o seu violão à sala de aula todos os dias e, nos intervalos, exibia seus talentos, rodeado das menininhas evangélicas, cantavam dezenas de músicas gospel. No final do ano, herdou a reprovação, provando que só o louvor a Deus não é o suficiente para se ter uma carreira acadêmica promissora, também importam as preocupações da vida material. Ou os professores que o reprovaram são do Lúcifer?! Eu não duvido sobre alguns terem pacto com ele, suportando os algozes da profissão, cada dia mais difícil. E talvez seja o caso aqui, porque os professores geralmente avaliam apenas os conhecimentos mundanos! Ou ainda o testemunho cristão e trabalho missionário do mancebo não foram suficientes na quela etapa dos seus estudos, pois seria o mais provável, talvez Deus estivesse usando os professores para retê-lo, obrigando-o a repetir aquela série, repetindo também a sua influência ali? Digo obrigou, porque creio de todo coração, ele queria ir adiante, apenas exerceu demais a sua fé, esta desvinculada das obras não fanáticas, isto está na epístola de Tiago, o que ele não sabia ou ignorou! "Fé sem as obras é morta" (Tg 2:26). 
           Finalmente, os cantores abandonaram seu violonista, findaram-se as rodinhas da música santificadora e sobrou apenas o batidão "fanquista" do receio, no terceiro ano é assim, depois de formados, todos somem. O poeta já tinha lhe advertindo que cada coisa ter o seu lugar apropriado: "É diferente, diferente eu também sou, um  pouco d'água mata a sede, e um calmante passa a dor". Se sou um deus ou uma besta, só o tempo confirmará, como o fez ao nosso protagonista.
Claudeko
Enviado por Claudeko em 21/01/2012
Reeditado em 19/05/2012
Código do texto: T3453981


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sábado, 12 de maio de 2012

MODULAÇÃO TEMPORÃ ("Quando não encontramos o repouso em nós próprios, é inútil ir procurá-lo noutro lado". François La Rochefoucauld)



Crônica

MODULAÇÃO TEMPORÃ ("Quando não encontramos o repouso em nós próprios, é inútil ir procurá-lo noutro lado". François La Rochefoucauld)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

No limiar de cada ano letivo, sou testemunha e vítima de um espetáculo que se desenrola nos colégios estaduais, uma espécie de ringue onde os professores travam uma batalha silenciosa e ora estridente, garantindo sua carga de aula, que, mais do que uma mera estatística, representa a luta pela manutenção do padrão de vida. Em meu retorno do recesso do final de ano, vejo esses atores profissionais e concursados se embrenhando na disputa pelo número mágico de aulas — seja ele 20, 30, ou 40 —, tudo em busca do tão desejado salário. E se preferir carga mínima, terá que justificar com documentos mil.

Nessa encenação da vida real, percebo que os critérios para a distribuição de aulas variam a cada ano, envoltos na teia complexa da política do grupo gestor, em que apadrinhamento, vinganças e o medo de denúncias delineiam as regras do jogo. Na ciranda de aulas voláteis, até mesmo os "veteranos de casa" se submetem a ministrar disciplinas que pouco se alinham com sua formação original. Pedagogos, por exemplo, se aventuram no Ensino Médio, lecionando desde Filosofia até Sociologia, enquanto encaram a difícil tarefa de administrar 32 diários de classe.

A ironia da situação revela-se na chamada "Pré-Modulação", um processo que se inicia em janeiro, perdura ao longo do ano, e colhe os frutos amargos das decisões precipitadas. O que deveria ser um período de descanso para os professores, no entanto, transforma-se em um interregno tenso e incerto. Enquanto outros trabalhadores de outras profissões se afastam para suas férias com a certeza de um retorno seguro ao mesmo posto, os educadores, em seu recesso, são assombrados por uma pergunta perturbadora: "O que será da minha vida quando eu voltar ao trabalho?"

Assim, o recesso docente de final de ano letivo e férias se tornam uma espécie de suspense angustiante, no qual os professores, ainda em seus dias de descanso, ligam para a secretaria da escola, buscando desesperadamente suas aulas. Este ritual força uma pré-modulação, uma distribuição de aulas fora de época que, inevitavelmente, será refeita devido à imprecisão. Eu, porém, vejo esse processo como um desperdício remunerado de esforços, provando que o fruto forçado a amadurecer cedo demais inevitavelmente apodrece antes do tempo.

Por que deveríamos acreditar em um apagão na educação se há professor demais e aula de menos? A resposta não reside na escassez de professores, mas na precariedade de um sistema que desperdiça talentos, submete educadores a um jogo desgastante e, no final, compromete a qualidade do ensino. O ciclo se repete, e a dança anual pela carga horária revela-se não apenas como uma questão de números, mas como um reflexo mais amplo das mazelas de um sistema educacional em descompasso. A verdade é que, enquanto alguns lutam por suas aulinhas, a educação como um todo corre o risco de se perder nos descaminhos de uma pré-modulação desgastante e desencontrada para atender as preferências por conveniência dos privilegiados.

Por isso que não quis pegar aula. Formei-me em Letras, por paixão. Pretendo fazer uma Pós de Literatura e Crítica Literária. Acho mais minha cara. Sou apaixonado pelas palavras, letras, literatura. Mas não para ficar dessa forma. Um ótimo texto! O pior é que tem professor demais - talvez -, porém, o governo e prefeito sempre abre vagas para substituto e nunca conseguem preenchê-las pois muitos desistem no meio do caminho. Abraço do Gonçalves.


sábado, 5 de maio de 2012

POMBOS DE RUA (Crianças aprendem o que querem aprender)



Crônica

POMBOS DE RUA (Crianças aprendem o que querem aprender)

          Por Claudeci Ferreira de Andrade


         Na ferragem trançada, sustentadora da cobertura do auditório, na Praça Criativa, em Senador Canedo, os pombos se empoleiram a fim de dormir, rotina de todos os dias. Aquela noite, seria mais uma de tolerância, sobreviventes das ruas dormirão mais tarde. Fazendo coisa útil? Sim! Assistindo a uma palestra educativa, intitulada: "Alunos Que Não Aprendem". Observei-os por uma semana nas diversas palestras do Encontro Municipal de Educação, percebi neles, àquela noite especialmente, estavam mais inquietos, se empurravam, batendo asas, consequentemente acordavam alguns cochilantes cá em baixo. Estes, meio envergonhados, se consertavam na cadeira, olhavam ao alto e disfarçavam muito bem. Os pombos, eu os relacionei aos meus alunos. Por que eles nunca aprendem? É lógico; de forma alguma querem aprender, querem só diversão. Lá de cima, escolhiam o intruso de baixo com a finalidade de adubar a cabeça. Mira invejável! Quatrocentos cursistas para duas ou três dezenas de atiradores cloacais. Era como um jogo lúdico de revesamento, ou melhor, de "roleta russa". Muitas figurinhas foram carimbadas. Os vilões empenados brincavam à noite na aula, e muito cedo, pela manhã, comiam as opulentas migalhas restantes do "Coffee Break" dos figurões.
           Pombos, símbolo da paz, representação do Espírito Santo, empreendedores de Missão Divina, inocência; agora, os de rua são espertos, aprendem sim! Seria muita maldade acusar essas benfazejas criaturas de distribuírem piolhos, porém vi professores ali, coçando a cabeça. Eu também cocei a minha, mas só expressando incerteza, quando o palestrante disse sobre as crianças que escrevem: "COMUOG", querendo dizer: "como hoje". Estarreci-me com a frouxidão nos critérios do ensino acadêmico nas mãos desses pedagogos Show. Justificou ele : - aprenderam sim, do ponto de vista fonológico! Então, conclui que todos aprendem, tanto pombos, quanto crianças e fica afirmado sobre nós: só aprendermos se quisermos aprender, ou seja, o extremamente necessário para viver melhor; lição pombal. O problema do Sistema Educacional é a imposição sem razão. E por cima ainda, nos venderam os livros receituários.
         
Claudeko
Enviado por Claudeko em 11/01/2012
Reeditado em 17/01/2012
Código do texto: T3435020

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