"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

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MINHAS PÉROLAS

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

CONSTRANGIMENTOS ESCOLARES ("Nunca conseguirás convencer um rato de que um gato traz boa sorte." — Graham Greene)

 


CONSTRANGIMENTOS ESCOLARES ("Nunca conseguirás convencer um rato de que um gato traz boa sorte." — Graham Greene)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

No velho normal, vivi este momento no colégio, quando se perguntava o motivo da falta do aluno; o professor era obrigado a registrar isso no diário de classe. Então o professor, sentindo-se o otário da vez, delegou a função para o representante de sala, assim a determinação solitária da cúpula funcionava bem. Até que finalmente perceberam que a resposta de todos era a mesma: "É assunto particular". E não podia ser diferente. Pois, era muito constrangedor dizer que não foi à aula porque estava doente e não tinha atestado médico, ou conduzia um atestado contendo o "cid", revelando o seu problema: a hemorroida inflamada dificultando o assentar-se, talvez! E essa prática durou muito tempo, durante a gestão interventora.

Agora, no novo normal, sou motivado a perguntar: por que não é mais importante aquele controle, quando se faz a chamada na sala virtual? Ou a maioria das decisões pedagógicas são impensadas, ou mal pensadas, ou só conveniência pura, ou é incompetência mesmo de quem gerencia a educação? Por isso, passamos constrangimentos tais, como a "operação resgate", "caça tesouro" que significa correr atrás de aluno para reprová-lo ou promovê-lo sem mérito. Isso não é mais perigoso que fazer educação que se estabeleça por si mesma? Como pode tamanho desinteresse do alunado, sendo ele o maior beneficiado, sem pagar o preço justo.

Agora estou ouvindo de muitas escolas públicas que estão sacrificando seu recesso de final de ano para dar merenda para os ex-alunos.

https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/escolas-de-sp-fazem-projetos-nas-ferias-para-dar-merenda-as-criancas-em-situacao-de-vulnerabilidade/ (acessado em 26/12/2022).

Por que não querem? Não se importam? Ou as práticas escolares não os convenceram por si só que são indispensáveis! A resposta é simples: a escola deixou de ser escola ou é nova escola, e eu não estou reconhecendo?

Então, digo que não é pegando-os no laço desesperadamente e enchendo as salas de desmotivados, vítimas da sociedade e improdutivos que salvaremos a educação, acho que assim somente salvaremos nosso emprego e mais nada. Do que o Brasil precisa mais? "Como o que prende a pedra na funda, assim é aquele que dá honra a um tolo." — Provérbios 26:8.

domingo, 25 de dezembro de 2022

ANIVERSÁRIO SEM COMEMORAÇÃO ("Prefiro a decepção pelo conhecimento da realidade do que a comemoração de uma farsa." — Carlos Alberto Hang)

 


ANIVERSÁRIO SEM COMEMORAÇÃO ("Prefiro a decepção pelo conhecimento da realidade do que a comemoração de uma farsa." — Carlos Alberto Hang)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Nos anos passados, era assim, velho normal, TINHA FESTA na CIDADE, com desfiles e tudo mais: A participação era obrigatória para o funcionalismo público, especialmente para o pessoal das escolas municipais. Eu corria para assinar o ponto: Só em uma delas Fiz uma caminhada à toa no Sábado, foram três quilômetros de minha casa ao palanque de amostras para as comemorações cívicas dos muitos anos da Senador Canedo.            

Como obrigação empregatícia tinha de assinar o caderno de ponto lá no evento para provar que foi. E o caderno de ponto estivera a 300 metros dali, no ponto combinado. Mas, não assinei minha presença, cheguei atrasado demais para isso, já passava das nove horas, e a coordenadora não ia esperar mais. O engraçado, foi que o evento não tinha acabado, mas ela foi somente para levar o caderno de ponto. Bateu-me uma revolta, daquelas que faltou aos escravos de outrora, que não passou em mim até hoje.

           Neste ano, senti saudade disso (... é como diz o ditado: acostuma-se até com o que não presta). O aniversário de minha cidade passou em branco. Devo culpar a Covid-19 ou o antipatriotismo da esquerda política: NOVO NORMAL. CiFA.

sábado, 24 de dezembro de 2022

NÃO FUI CON/VI(N)CENTE ("A amizade é o conforto indescritível de nos sentirmos seguros com uma pessoa, sem ser preciso pesar o que se pensa nem medir o que se diz". — George Eliot)

 


NÃO FUI CON/VI(N)CENTE ("A amizade é o conforto indescritível de nos sentirmos seguros com uma pessoa, sem ser preciso pesar o que se pensa nem medir o que se diz". — George Eliot)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Quem tem muita certeza sobre tudo sabe pouco de tudo! O Titanic foi feito para afundar, embora seus fabricantes especialistas não soubessem disso: os arrogantes seriam humilhados. Assim como um avião não é feito para submergir, mas acontece na sua queda. O que não vimos ainda foi um submarino voando para mergulhar nas nuvens! Talvez, um desses leve o homem a Marte para patinar no gelo marciano, sem primeiro ter ido à lua. Mas, na lua não tem gelo, pelo menos os que disseram ter ido lá nunca disseram. Quem tem muita certeza das coisas não é digno de confiança. O Professor é o sabe tudo, acha que tem respostas para tudo e ai dele, se não souber somente fingir que as tem. Isso também é politicamente correto.

           É fácil descobrir quem é professor em uma roda de amigos, ele se mete em todos os assuntos, tem sempre uma opinião sobre tudo. E se acha na obrigação de responder qualquer pergunta, com medo de que alguém não acredite que é Professor. Aconteceu: Eu comprava espetinho do açougueiro que vendia retraços de qualquer carne para não desperdiçar. Ele me tratava como professor e me chamava assim, mas um dia disse-me que não acreditava que eu era realmente professor, não descobri o porquê.  Somente lhe respondi que não vivia de aparência. E nunca mais fui lá comprar seus espetinhos, pois ele não era meu amigo e professor não pode comer espetinho na rua. Um exemplo vale mais que muitas palavras.   CiFA

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

UM PRAZER LEVA AO OUTRO ("O que não dá prazer não dá proveito." — William Shakespeare)

 


UM PRAZER LEVA AO OUTRO ("O que não dá prazer não dá proveito." — William Shakespeare)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Sou portador de sentidos e sensibilidades com os cinco sentidos bem intermediadores, sou a razão do prazer que sinto. Se o prazer é pecado, então, a existência de todo ser humano é pecado. A natureza tem prazer em nos possuir! O medo do pecado é exatamente o maior bloqueador da felicidade, como não ter prazer de existir? Portanto, é do forte desejo do prazer proibido que a religião se aproveita e vende a paz de consciência para os compradores de Deus com dízimos. E o pecado que o Céu condena tem na igreja: As relações sexuais e ambição! Mas, são os do inferno que nos ensinam que tudo é pecado, divulgando o inferno como lugar ideal!

Há, sim, maneiras diferentes de gozar a vida. Saborear cada consequência prazerosa tanto para vida como para a morte, o gozo último deve ser o real sentido do viver. Isto é, o prazer que traz a vida é o mesmo que traz a morte: a novidade! Na região mais profunda da língua está a percepção do amargo, pois no corpo pronto para morrer ainda desperta sensações desconhecidas. Quem pode dizer que também não é prazer, se a dor pode viciar! Tudo realizado no limite é prazeroso em dobro: escapar do perigo ileso é bom demais. Ruim não é a morte, é o que mata. (CiFA


quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

ESPIRRANDO VÍRUS ("A esquerda é boa para duas coisas: organizar manifestações de rua e desorganizar a economia." — Humberto Castello Branco)

 


ESPIRRANDO VÍRUS ("A esquerda é boa para duas coisas: organizar manifestações de rua e desorganizar a economia." — Humberto Castello Branco)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Em tempo de votação, na copa do mundo,  parada gay e carnaval, nessas ocasiões as máscaras vão cair, não subestime o valor do óbvio; pois o que for necessário para as manifestações públicas da esquerda convencer, ela usará. Saúde não é conveniente agora, assim como não era em tempo de guerra: “não se faz Copa do Mundo construindo hospitais”. Era só politicagem. Ninguém grita desarmado e com a boca tampada. Quem só ganha no grito é porque só tem uma competência: gritar, um grito abafado por causa da fralda na cara.  

           Vamos entender as palavras de Guto Rios: "No abraço me esforço à beira do poço, descalço ... soluço, roço, encosto e gosto. Me retorço nesse esboço sonhando com o espaço, desfaço o laço e me contrasto com o que posso, toco, embaraço e com olhar de um palhaço sorrio e vou!" E eu só assistindo daqui com os pulmões cheio de muco, esperando a morte chegar... Mas, tenho ainda que concordar com Aristóteles de Oliveira Marques: "A vida é sopro; às vezes, é espirro."  (CiFA

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

AMEAÇAS EM TROCA... ("Educar uma pessoa apenas no intelecto, mas não na moral, é criar uma ameaça à sociedade." — Theodore Roosevelt)

 


AMEAÇAS EM TROCA... ("Educar uma pessoa apenas no intelecto, mas não na moral, é criar uma ameaça à sociedade." — Theodore Roosevelt)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Antigamente eu pensava que todas as pessoas nasciam para serem boas, embora algumas se esforçassem para serem ruins, devido às más companhias: influências ruins.  Mas, hoje mudei de ideia, têm muitos que nascem para a perdição. Bastando só uma oportunidade segura e elas provam a sua índole depravada. O perverso sentindo-se invisível, grita, assobia e faz coisas horríveis.

            "Nenhum grande homem se queixa de falta de oportunidades." (Ralph Waldo Emerson). Isso é verdade, eu nunca vi faltar vaga de trabalho para pessoas competentes, apenas trocam de emprego por convite melhores! Porém, já vi muitos ex-alunos daqueles que não respeitavam seus professores e nem a escola, não valorizavam seus estudos e hoje para garantirem um subemprego, voltaram para a EJA. Reencontro-os no mesmo estado de espírito, comendo no prato que cuspiram, acusando o sistema, dizendo que não tiveram oportunidade, são vítimas sociais! Ou ...levianos sociais? Sofri muitas ameaças de morte em sala de aula, todavia morremos juntos, tomando o mesmo veneno: O ódio! Também estou imprestável, porque pedia a Deus vingança. CiFA

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

INSTRUMENTOS DE CONTROLE ("Existem momentos na vida em que a única alternativa possível é perder o controle." — Paulo Coelho)

 


INSTRUMENTOS DE CONTROLE ("Existem momentos na vida em que a única alternativa possível é perder o controle." — Paulo Coelho)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

No velho normal, o professor era autoridade em sala de aula, um profissional de respeito, mas agora, no novo normal, fazemos o que dá, o que é possível ou nos deixam fazer. Somos regulados por denúncias de populares comuns e algozes de plantão; só porque têm filhos na escola, querem ensinar os professores a ensiná-los. E por não confiar na escola e nem em professor algum, "deitam e rolam". Então, descontam em alguém a raiva de ser pobre e "burro", sem ser senhor de ninguém. E os noticiários cobrem tudo, é estupro e abusos na escola, desvios de verbas, furtos e depredação do patrimônio. E alunos indisciplinados pregando o evangelho, pagando de "crente" e distribuindo "mimimi".

           De modo que, vivemos e trabalhamos em tal situação que precisamos nos munir de muitos relatórios, estatísticas, tabelas e planilhas, fotos e gravações, comprobatórios para nos assegurar da honestidade de nosso trabalho ou cobrir nossa lambança; e a pior parte é ter que dar satisfação para todo mundo.
          Sei também que os donos do Deus Igrejeiro criam leis e normas e põem seu Deus para vigiá-las e atribuir consequências a quem quer transgredi-las. Ao contrário, cumpro leis essenciais; por isso, digo como Napoleão Bonaparte: "A religião é aquilo que impede os pobres de matarem os ricos". É só mais um instrumento de controle infiltrado na escola com ensino de doutrinas. A escola é um palanque fácil e covil de toda espécie de seita, porém se diz laica... Inegável mesmo é a manifestação de rebeldia dos pobres e a imposição de ideologias escravizantes dos militantes e ativistas.  CiFA

domingo, 18 de dezembro de 2022

O Dilema do Cobaia: Entre o Dever e a Desconfiança ("CPI? Como Protelar Investigação?" — Francismar Prestes Leal)

 


O Dilema do Cobaia: Entre o Dever e a Desconfiança ("CPI? Como Protelar Investigação?" — Francismar Prestes Leal)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Houve um tempo em que a palavra "vacina" dispensava adjetivos morais; era um gesto técnico, quase burocrático, que não exigia confissão de fé nem declarações de obediência. A pandemia, porém, dissolveu essa neutralidade. Subitamente, ciência, política e sobrevivência passaram a disputar o mesmo corpo — e a lucidez, sob pressão, deixou de ser um luxo garantido.

Cheguei a esse dilema movido por inquietação, não por ideologia. Leituras de John Le Carré e o impacto de O Jardineiro Fiel aguçaram uma suspeita antiga: quando interesses colossais entram em cena, a verdade costuma chegar escoltada. Mais do que revelar culpados, a CPI da Pandemia descortinou o emaranhado desconfortável entre urgência sanitária, lucro e poder.

Nesse cenário, a exigência institucional impôs-se. Quando o colégio onde leciono iniciou o levantamento do status vacinal, a escolha deixou de ser abstrata: tornou-se condição de permanência. Agi por pragmatismo, como quem teme o desemprego. Submeti-me não por entusiasmo, mas porque o dever civil apresentou-se como cláusula de existência material.

Recordei-me de Chateaubriand: “A ameaça do mais forte faz-me sempre passar para o lado do mais fraco.” Naquela equação, o elo frágil era o indivíduo isolado diante de normas que confundem convicção com conformidade. Fui ao posto de saúde e filmei o ato — um gesto talvez excessivo, mas sintomático de uma era em que o próprio corpo carece de provas.

Não me senti uma cobaia literal; reconheço que a ciência, embora imperfeita, não operava no escuro. Contudo, algo se rompe quando a adesão nasce do constrangimento. A obediência pode ser racional, mas a tranquilidade não se impõe por decreto. Dias depois, um desconforto físico real trouxe à tona um risco sutil: a erosão da confiança, matéria invisível sem a qual nenhuma política pública se sustenta.

A imunidade coletiva é um conceito legítimo e a proteção dos vulneráveis, um imperativo ético. Entretanto, quando a saúde pública silencia a dúvida e converte hesitação em desvio moral, o cidadão deixa de ser sujeito responsável para tornar-se destinatário de protocolos. Onde não há escuta, a adesão é apenas silêncio.

Escrevo para registrar a experiência de quem cumpre, mas não consente plenamente; de quem aceita, mas não celebra. Entre o dever e a desconfiança, resta esta crônica: a memória de um tempo em que muitos se sentiram salvos e outros, como eu, sentiram-se apenas corpos administrados.


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Sou seu professor de Sociologia. O texto que acabamos de ler é um excelente ponto de partida para discutirmos como as instituições sociais (escolas, governos, ciência) interagem com o indivíduo e como o poder é exercido sobre os nossos corpos. Preparei 5 questões discursivas simples para explorarmos esses conceitos sociológicos:


1. A Ciência como Instituição Social. O autor afirma que a vacina deixou de ser um "gesto técnico" para se tornar um campo de disputa política e moral. Questão: Na sociologia, as instituições não são neutras. Como o texto exemplifica que a ciência pode ser influenciada por fatores externos, como a política e a economia (mencionando lucros e poder)?

2. Coerção Social e Institucional. O narrador decide se vacinar para manter seu emprego como professor, descrevendo isso como uma "cláusula de existência material". Questão: Explique como a escola, funcionando como uma instituição social, exerceu coerção (pressão social/normativa) sobre o indivíduo. Por que ele sente que sua escolha não foi inteiramente livre?

3. O Conceito de Biopolítica (Corpos Administrados). Ao final, o autor menciona que se sentiu apenas "mais um corpo administrado" pelo Estado e por protocolos de saúde pública. Questão: Quando o Estado cria protocolos para gerenciar a saúde de toda a população, o cidadão pode se sentir desumanizado. Como o texto descreve a perda da autonomia do indivíduo perante as regras coletivas?

4. A Erosão da Confiança e o Tecido Social. O texto destaca que nenhuma política pública se sustenta sem a "confiança", que ele chama de "matéria invisível". Questão: Do ponto de vista sociológico, qual é o risco para a sociedade quando as pessoas cumprem as regras por medo ou obrigação, mas deixam de confiar nas instituições que criaram essas regras?

5. Conformidade vs. Convicção. O autor cita Chateaubriand para falar sobre a fragilidade do indivíduo isolado diante das normas que "confundem convicção com conformidade". Questão: Qual é a diferença entre uma pessoa que age por acreditar no benefício coletivo (convicção) e uma que age apenas para evitar punições ou exclusão social (conformidade)? Use exemplos do texto.

Dica do Prof: Não foquem apenas na questão da vacina em si, mas em como o poder e a autoridade das instituições moldam o que fazemos e como nos sentimos.

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sábado, 17 de dezembro de 2022

BOBO ALEGRE: O Peso da Consciência e a Pobreza de Espírito ("A verdadeira felicidade está na ignorância. Feliz aquele que pouco sabe." — Marçal Pereira)

 


BOBO ALEGRE: O Peso da Consciência e a Pobreza de Espírito ("A verdadeira felicidade está na ignorância. Feliz aquele que pouco sabe." — Marçal Pereira)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Há uma sedução persistente na ideia de que a felicidade habita o território do não saber. Fernando Pessoa formulou a pergunta com a crueldade de quem não encontra resposta: “Porque é que para ser feliz é preciso não saber?” O Eclesiastes, atribuído a Salomão, ecoa a mesma angústia ao constatar que a sabedoria amplia a dor e que tanto o sábio quanto o tolo caminham para o mesmo fim. Não se trata, porém, de exaltar a ignorância como virtude, mas de reconhecer um paradoxo incômodo: a lucidez cobra um preço alto, e o mundo não recompensa quem vê demais.

Há quem atravesse a vida tropeçando sem notar os obstáculos, protegido por uma inconsciência funcional que anestesia o medo, a culpa e a perplexidade. Não invejo essa felicidade, mas compreendo seu apelo. Como ironiza André Dahmer, a ignorância parece, de fato, gerar uma espécie de paz — não porque seja verdadeira, mas porque não interroga. Pensar dói. Pensar expõe. Pensar dissolve ilusões que sustentavam a alegria fácil.

O meu sofrimento não nasce da dor em si, mas da compreensão dela. Dor moral, dor empática, dor intelectual: a consciência amplia todas. Saber que o mundo não é justo, que a morte é inegociável, que o bem não triunfa automaticamente — tudo isso corrói o conforto da inocência. Ainda assim, não escolho a cegueira. Não desejo a felicidade que depende da omissão do real. Prefiro a lucidez ferida à serenidade artificial.

É nesse ponto que a palavra de Cristo desloca o problema, sem resolvê-lo de modo simplista: “Bem-aventurados os pobres de espírito.” Essa pobreza não é ignorância, nem inferioridade intelectual, nem resignação passiva. É uma forma específica de sabedoria: o reconhecimento consciente dos próprios limites. Trata-se de saber — e não de ignorar — que a razão não basta, que o ego não sustenta o peso do mundo e que a existência não se deixa fechar em sistemas coerentes.

A pobreza de espírito não elimina a dor do conhecimento; ela a transforma. Não promete felicidade fácil, mas oferece um outro tipo de repouso: o abandono da arrogância de compreender tudo. É um esvaziamento que não nasce da alienação, mas da humildade lúcida. Não se trata de negar o pensamento, mas de impedir que ele se converta em tirania sobre a própria alma.

Talvez a paz possível não esteja em saber menos, mas em sustentar o saber sem idolatrá-lo. Não em desistir da consciência, mas em reconhecer que nem tudo o que compreendemos pode ser carregado sozinhos. A pobreza de espírito não cura a lucidez — apenas a torna habitável.


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Sou seu professor de Sociologia. Hoje vamos analisar este texto profundo que discute a relação entre conhecimento, sofrimento e humildade. Na Sociologia, estudamos como a consciência da realidade (a "lucidez") afeta o nosso comportamento e a nossa saúde mental dentro da sociedade. Preparei 5 questões discursivas simples para ajudá-los a refletir sobre esses conceitos:


1. O Preço da Lucidez na Modernidade. O texto afirma que "a lucidez cobra um preço alto" e que pensar pode dissolver as "ilusões que sustentavam a alegria fácil". Questão: Do ponto de vista sociológico, como o excesso de informações e o conhecimento crítico sobre os problemas do mundo (desigualdades, guerras, crises) podem gerar a angústia mencionada pelo autor?

2. A "Inconsciência Funcional" e a Alienação. O autor menciona pessoas que vivem protegidas por uma "inconsciência funcional" que anestesia o medo e a culpa. Questão: Relacione o conceito de alienação com essa "felicidade que não interroga". Por que viver sem questionar a realidade pode ser considerado uma forma de proteção individual, mas um problema para a coletividade?

3. Consciência Moral e Empatia. O texto diz que a consciência amplia a "dor moral" e a "dor empática". Questão: Como a capacidade de se colocar no lugar do outro (empatia) e o conhecimento das injustiças sociais transformam a dor individual em uma preocupação coletiva?

4. O Limite da Razão e a Humildade Lúcida. A "pobreza de espírito" é definida no texto como o "reconhecimento consciente dos próprios limites". Questão: Vivemos em uma sociedade que valoriza o "domínio total" e a "certeza". Como a proposta do autor de "abandonar a arrogância de compreender tudo" desafia a ideia moderna de que a ciência e a razão podem resolver todos os problemas humanos?

5. A Espiritualidade como Habitáculo da Lucidez. O autor conclui que a pobreza de espírito não cura a lucidez, mas "a torna habitável". Questão: Em vez de fugir da realidade (cegueira), o texto propõe sustentar o saber com humildade. Como essa atitude pode ajudar o cidadão a ser mais responsável e consciente em sua participação na sociedade, sem cair no desespero?

Dica do Prof: Para responder, pensem em como o que sabemos sobre o mundo muda a maneira como nos sentimos e como agimos com as outras pessoas.

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