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MINHAS PÉROLAS

domingo, 5 de fevereiro de 2012

EU "NONADA" DE MIM ( O pior da velhice é a desgraça do ser pobre)


Crônica

EU "NONADA" DE MIM ( O pior da velhice é a desgraça do ser pobre)

Por Claudeci Ferreira de Andrade
          Eu tenho uma aluna que, no início do ano, era sorridente e feliz, dada com todos e especialmente comigo até o dia em que, por acaso, ela me apresentou à sua mãe, não sei quais foram as suas orientações, nem o que falou a meu respeito, mas, depois disso, aquela mocinha mudou completamente o seu comportamento para comigo, se protegendo, agora mal olha para mim. Isso não me preocupa tanto, pois não preciso da simpatia dela para viver melhor, apenas me preocupa o fato de ainda ser o professor dela. Que contribuição aquela mãe deu para a formação de sua filha? Será que ela vai se interessar por aprender de um professor desmoralizado e mal afamado? Todos os dia ainda passo por aquela rua, na direção do colégio, e ela, às vezes, acompanhada de sua mãe nem sequer, os cumprimentos da formalidade. O leproso está passando! Só os velhos gostam dos velhos, por que vão perdendo juntamente e por igual o gosto por tudo, e, por outro lado, vão gostando mais do nada que dar origem do tudo. 
          Os jovens devem ser ensinados a amar e respeitar os idosos, não falo pejorativamente, porque hoje existe tanto mal, mas falo, sim, de responsabilidade social, isto é cidadania. Aquela mãe, com a idade que tem e as deficiências físicas que incorporarão em sua vida em breve, espera ter a simpatia da filha, os futuros cuidados, treinada a se proteger dos asquerosos?
          O pior que a velhice é a desgraça do ser pobre, assevero que é difícil admitir que qualquer idiota jovem se impõe melhor que eu, na vizinhança. As rugas de minha cara, marcas das expressões de quando eu era feliz e não sabia, sabem muito bem arruinar meu argumento e a gabarolice de que um dia foi herói. Do que adianta vinho novo em odre velho? Meu espírito é promissor, mas o corpo não ajuda. O que ainda me mantém vivo é o que falam a meu respeito, embora na tentativa de me desvirtuar e denegrir, porque enquanto se protegem de mim, consideram-me pelo menos um perigo. Só meu espelho não me ama, de algum jeito, pois insiste em dizer-me que não sou nem um perigo a ninguém, nem nada. Defino-me melhor com um termo de João Guimarães Rosa: Eu "nonada" de mim mesmo.
Claudeko
Enviado por Claudeko em 09/12/2011
Reeditado em 05/02/2012
Código do texto: T3380588


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