"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

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MINHAS PÉROLAS

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

O simulacro educacional: entre o cuidado e a fraude ("Nunca conseguirás convencer um rato de que um gato traz boa sorte." — Graham Greene)

 


O simulacro educacional: entre o cuidado e a fraude ("Nunca conseguirás convencer um rato de que um gato traz boa sorte." — Graham Greene)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Houve um tempo em que a escola confundia zelo com vigilância. O diário de classe exigia explicações minuciosas para cada ausência, como se a vida privada do aluno fosse mera extensão administrativa da sala de aula. Professores, constrangidos, tornavam-se escrivães da intimidade alheia, compelidos a registrar doenças, conflitos familiares ou a falta de um atestado que jamais deveria ser público. A engrenagem só começou a falhar quando a resposta “assunto particular” se generalizou — não por virtude institucional, mas por esgotamento moral. A escola recuou não porque aprendeu, mas porque sucumbiu ao ridículo.

Hoje, paradoxalmente, vivemos o extremo oposto. O controle se dissolveu, não em nome da autonomia, mas da improvisação. A escola já não invade a intimidade; agora atravessa o território doméstico. Surgem as campanhas de “busca ativa”, os mutirões de resgate, o professor convertido em agente simbólico de recuperação da evasão. Buscar o aluno, em si, não é o problema — pode ser gesto legítimo de cuidado pedagógico. O escândalo começa depois: quando esse cuidado dispensa reciprocidade, quando a presença é contabilizada sem aprendizagem, quando o retorno não implica compromisso. O resgate vira encenação; a educação, concessão automática.

É nesse ponto que a fraude se instala. Não se trata de defender reprovações em massa, nem de idealizar um passado seletivo que nunca existiu para os pobres. Trata-se de reconhecer que promover sem ensinar é tão violento quanto excluir. O discurso meritocrático, quando ignora fome, trabalho precoce, trauma, racismo e currículos alheios à vida concreta, converte desigualdade em culpa individual. O discurso oposto — que absolve o sistema de ensinar e o aluno de aprender — produz outra crueldade: a da expectativa rebaixada, da tutela permanente, da escolarização sem saber.

A merenda escolar, nesse contexto, revela a ambiguidade do nosso tempo. Para milhões de crianças, é a refeição mais segura do dia — negá-la seria barbárie. O problema não é alimentar, é desistir de educar. Quando a comida substitui o ensino, o direito degenera em assistencialismo. Quando caminha junto da exigência pedagógica, torna-se política civilizatória. A tragédia começa quando a escola se contenta em saciar o corpo e abandona o espírito.

Há ainda uma confusão conceitual conveniente. A progressão continuada, quando acompanhada de apoio efetivo, funciona; a promoção automática sem suporte é fraude estatística. O Brasil escolheu a segunda e simulou praticar a primeira. Nesse processo, professores, gestores e políticas públicas compartilham responsabilidades. Há docentes que ensinam com rigor e invenção; há outros que apenas cumprem protocolo. Criticar o sistema exige honestidade: ninguém está fora dele, nem acima dele.

Talvez alguns alunos resistam não à educação, mas à escola que domestica, silencia e desqualifica sua cultura. Fugir pode ser sintoma, não vício moral. Ainda assim, romantizar toda evasão como resistência libertária é tão falso quanto tratá-la como preguiça. A escola que educa precisa ser desejável, mas também exigente; acolhedora, sem ser indulgente; justa, sem ser conivente.

Não salvaremos a educação laçando alunos para inflar planilhas, nem simulando sucesso pedagógico para preservar carreiras. Isso não forma sujeitos; apenas administra fracassos. Honrar alguém sem lhe oferecer condições reais de aprender é uma forma refinada de desprezo — não de sabedoria. O Brasil não precisa de estatísticas otimistas, mas de um projeto claro: universalizar a escola com qualidade, sem mentir para si mesmo. Porque o que hoje se chama ensino, quando desprovido de verdade e propósito, não constrói nação alguma — apenas perpetua o simulacro. "Como o que prende a pedra na funda, assim é aquele que dá honra a um tolo." — Provérbios 26:8.


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Como seu professor de Sociologia, fico impressionado com a lucidez deste texto. Ele toca em feridas profundas da nossa estrutura educacional, abordando desde o controle burocrático de Max Weber até as questões de reprodução social e cidadania. Para nossa aula, preparei 5 questões que ajudarão a turma a refletir sobre a função social da escola hoje:


1. Da Vigilância ao Abandono: O texto descreve dois momentos: um passado de "vigilância da intimidade" e um presente de "improvisação e controle dissolvido". Sociologicamente, como a mudança do foco da escola — de registrar faltas para apenas "contabilizar presenças sem aprendizagem" — afeta a formação do cidadão e a qualidade do ensino público?

2. A "Promoção Automática" como Fraude Social: O autor afirma que "promover sem ensinar é tão violento quanto excluir". Relacione essa frase à ideia de desigualdade social: por que a aprovação de um aluno que não aprendeu nada pode ser considerada uma forma de "crueldade" ou "desprezo" por parte do Estado?

3. O Papel Social da Merenda e do Assistencialismo: O texto diferencia a merenda como "política civilizatória" (quando acompanha o ensino) de "assistencialismo" (quando substitui o ensino). Qual é o risco social de a escola passar a ser vista pela comunidade apenas como um local de alimentação e não como um espaço de construção de conhecimento e criticidade?

4. Meritocracia vs. Condições Reais: O autor critica o discurso meritocrático que ignora a fome e o racismo, mas também critica a "tutela permanente" que não exige nada do aluno. Como a escola pode encontrar um equilíbrio entre acolher as dificuldades sociais dos estudantes e, ao mesmo tempo, manter um ensino que realmente os desafie e os prepare para a vida?

5. A Escola como Simulacro: Ao final, o texto menciona que "administrar fracassos" para "inflar planilhas" não constrói uma nação. Na sua visão, por que o governo e as instituições muitas vezes preferem manter estatísticas positivas de aprovação em vez de enfrentar o problema real da falta de aprendizado?

Dica do Prof: Galera, foquem na ideia de que a escola é um espaço de disputa. De um lado, temos o interesse político por números e estatísticas (o "simulacro"); do outro, a necessidade real de vocês de terem uma educação que mude suas vidas. O texto sugere que a "verdade" é o único caminho para uma educação que não seja apenas fachada.

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domingo, 25 de dezembro de 2022

O Ponto, a Marcha e o Vazio: Memórias de Senador Canedo ("Prefiro a decepção pelo conhecimento da realidade do que a comemoração de uma farsa." — Carlos Alberto Hang)

 


O Ponto, a Marcha e o Vazio: Memórias de Senador Canedo ("Prefiro a decepção pelo conhecimento da realidade do que a comemoração de uma farsa." — Carlos Alberto Hang)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Houve um tempo em que o calendário da cidade ainda tentava fabricar pertencimento. Datas cívicas, marchas, palanque, hino — tudo isso compunha um esforço quase pedagógico de afirmar: somos uma comunidade. Para o funcionalismo público, sobretudo na educação, não se tratava de escolha, mas de dever. Comparecer era menos celebrar e mais confirmar a própria existência administrativa: assinar o ponto.

Recordo-me de um sábado em que caminhei três quilômetros até o centro das comemorações do aniversário de Senador Canedo. Não fui movido por civismo ou entusiasmo, mas pela exigência burocrática de validar meu vínculo com o Município. Ao chegar, a festa ainda pulsava — discursos, som, bandeiras. O caderno, porém — esse objeto modesto e soberano — já havia partido. Às nove em ponto, a coordenadora pedagógica, indiferente ao fato de que o ritual coletivo seguia vivo, recolheu o documento e foi embora. A celebração podia continuar; a papelada, não.

Senti raiva. Não uma raiva histórica, dessas que teriam faltado aos escravizados — porque não faltou revolta, faltaram armas, vitórias e estruturas menos brutais. O que emergiu foi uma indignação menor, porém legítima, de quem vive num tempo em que a dignidade deveria ser regra, não exceção. Caminhar quilômetros para nada, ser descartado por um procedimento cego, revelou algo maior: uma burocracia que já não serve à vida, apenas a si mesma.

Hoje, o que resta é um vazio estranho. O aniversário da cidade passou sem marcha, sem ponto, sem festa. Não foi apenas a pandemia que silenciou as ruas. Antes dela, o espaço público já vinha sendo corroído: comunidades fragmentadas pelo consumo privado, praças substituídas por telas, rituais esvaziados pelo desencanto político. Senador Canedo, cidade jovem e periférica, talvez tenha tentado, nesses desfiles, inventar uma identidade que nunca se consolidou — ou que foi abandonada antes de amadurecer.

Curiosamente, senti falta. Não da imposição, mas da tentativa de encontro. Humanos precisam de rituais; o problema nunca foi a festa, mas sua forma autoritária. Talvez o desafio não seja resgatar a marcha obrigatória, e sim reinventar celebrações voluntárias, onde a presença seja desejo, não ameaça de desconto em folha.

Entre o ponto que humilha, a marcha que se esvaziou e o silêncio que ficou, resta a palavra. Escrever é também um gesto cívico: memória contra o esquecimento, crítica contra a naturalização do vazio. Talvez seja assim que uma comunidade recomece — não pelo "caderno de ponto", mas pela escuta.


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Como seu professor de Sociologia, fico muito satisfeito com a profundidade desta crônica. Ela nos permite discutir temas fundamentais da nossa disciplina, como a burocracia, a formação da identidade coletiva e a diferença entre coerção (obrigação) e consenso (vontade). Para o nosso estudo, preparei 5 questões que conectam o seu relato aos conceitos sociológicos que trabalhamos em sala:


1. Burocracia e Desumanização: No texto, o autor descreve que a coordenadora levou o caderno de ponto embora às nove horas, ignorando que o evento ainda acontecia. Segundo a visão de Max Weber sobre a burocracia, como o foco excessivo em "regras e papéis" (como o caderno de ponto) pode acabar sufocando o sentido humano e social das atividades?

2. Rituais e Identidade Social: O autor menciona que os desfiles eram uma tentativa de "inventar uma identidade" para a cidade. Por que os rituais coletivos (festas, desfiles, comemorações) são importantes para que as pessoas sintam que pertencem a uma comunidade e não sejam apenas indivíduos isolados?

3. Coerção vs. Engajamento: O texto critica o fato de a participação ser uma "ameaça de desconto em folha" e sugere que as celebrações deveriam ser "voluntárias". Na sua opinião, o que faz com que um cidadão queira participar da vida da sua cidade sem que seja obrigado por uma lei ou contrato de trabalho?

4. O Esvaziamento do Espaço Público: O autor afirma que as praças foram substituídas por telas e as comunidades fragmentadas pelo consumo. Como o uso excessivo de redes sociais e o foco no consumo individual podem enfraquecer a nossa participação política e social na cidade onde moramos?

5. O Papel da Memória e da Escrita: Ao final, o texto diz que "escrever é um gesto cívico". Por que manter a memória sobre como as coisas eram (mesmo as ruins) é fundamental para que uma sociedade consiga criticar o presente e planejar um futuro melhor?

Dica do Prof: Ao responder, tente pensar na sua própria experiência em Senador Canedo ou na sua escola. Você sente que participa dos eventos por "pertencimento" ou por "obrigação"? Essa distinção é a chave para entender a legitimidade do poder na sociedade.

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sábado, 24 de dezembro de 2022

NÃO FUI CON/VI(N)CENTE: A Fragilidade das Certezas e o Estigma do Mestre ("A amizade é o conforto indescritível de nos sentirmos seguros com uma pessoa, sem ser preciso pesar o que se pensa nem medir o que se diz". — George Eliot)

 


NÃO FUI CON/VI(N)CENTE: A Fragilidade das Certezas e o Estigma do Mestre ("A amizade é o conforto indescritível de nos sentirmos seguros com uma pessoa, sem ser preciso pesar o que se pensa nem medir o que se diz". — George Eliot)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Certezas não são, em si, o problema. O risco começa quando se cristalizam em dogmas precoces, imunes à revisão. Há conhecimentos solidamente fundamentados — a Terra não é plana, a gravidade não é opinião —, mas persiste a tentação humana de converter convicções provisórias em verdades finais. É nesse excesso de segurança que a ignorância costuma se esconder, travestida de autoridade.

O Titanic não afundou por erro de cálculo, mas por decisões humanas: alertas ignorados, velocidade mantida, botes insuficientes. A técnica fez o que podia; a soberba gerencial completou o desastre. Não foi a ciência que falhou, e sim seu uso arrogante. O mesmo vale para aviões que caem ou projetos que naufragam: não é o conhecimento que trai, é a recusa em reconhecer limites. A dúvida, longe de ser fraqueza, mantém a razão viva. Quem jamais a admite não inspira confiança — inspira obediência.

Esse culto à onisciência encontra no professor seu bode expiatório preferido. Durante séculos, ele foi o raro letrado da aldeia; hoje, mal remunerado e socialmente desvalorizado, carrega ainda o peso simbólico de “mestre”. Exige-se que saiba tudo, responda a tudo, que nunca diga “não sei”. Muitos acabam simulando certezas não por vaidade, mas por sobrevivência: em ambientes autoritários, admitir ignorância soa como perda de legitimidade. Chama-se isso, de modo vago, de “politicamente correto”, quando, na verdade, é medo de decepcionar, de ser julgado incompetente, de não corresponder ao papel.

Lembro-me de um açougueiro do bairro, vendedor de espetinhos de retalhos. Sempre me tratou com deferência ao saber que eu era professor. Um dia, porém, comentou que não acreditava muito nisso. Talvez porque eu não performasse a intelectualidade esperada: roupa simples, conversa direta, almoço na calçada. Talvez porque, no imaginário social, um professor devesse frequentar restaurantes, não balcões populares. Respondi apenas que não vivo de aparências. Nunca mais voltei. Minha retirada foi digna, mas silenciosa demais; perdi a chance de perguntar por que ele duvidava e de reconhecer que éramos, afinal, trabalhadores da mesma engrenagem.

Há algo de cruel nessa expectativa de pureza simbólica. O professor, de salário apertado, vigia o próprio corpo — o que come, onde anda — para sustentar um mito que não o sustenta materialmente. Exemplos, dizem, comunicam mais que discurso. Mas, exemplo de quê? De austeridade forçada? De autocensura cotidiana?

Talvez a resistência possível comece em gestos mínimos: dizer “não sei” em sala de aula e ensinar que pensar é conviver com incertezas; recusar a fantasia do mestre infalível; lembrar que conhecimento não é altar, é oficina. O resto — dignidade, crítica, solidariedade de classe — vem depois, se ainda houver fôlego.


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Sou seu professor de Sociologia. O texto que acabamos de ler toca em pontos centrais da nossa disciplina: como a sociedade constrói imagens sobre as profissões, como o poder se manifesta através do conhecimento e como a desigualdade afeta até a forma como nos comportamos em público. Para refletirmos sobre esses temas, preparei 5 questões discursivas simples. Vamos lá:


1. A Ciência e a Decisão Humana. O autor argumenta que o Titanic não afundou por falha da ciência, mas pela "soberba gerencial" e decisões humanas erradas. Questão: Na sociologia, estudamos que a tecnologia não é neutra. Como o exemplo do Titanic demonstra que o conhecimento técnico precisa estar aliado à ética e à responsabilidade social para evitar desastres?

2. O Papel Social do Professor. O texto menciona que a sociedade exige que o professor "saiba tudo" e nunca admita ignorância, transformando-o em um "mestre infalível". Questão: Por que a sociedade cria expectativas tão rígidas sobre certas profissões (como professores ou médicos) e como essa pressão pode prejudicar o profissional, impedindo-o de agir com naturalidade?

3. O Estigma e a Aparência. No episódio do açougueiro, o professor foi questionado sobre sua profissão porque não "performava a intelectualidade esperada" (comia na calçada, vestia-se de forma simples). Questão: O que esse estranhamento do açougueiro nos diz sobre os preconceitos de classe? Por que associamos inteligência ou cultura a determinados modos de vestir ou lugares de frequência?

4. Conhecimento como "Oficina" e não "Altar". O autor sugere que o conhecimento deve ser visto como uma "oficina" (algo em construção) e não como um "altar" (algo sagrado e imutável). Questão: Qual a importância de aprendermos a dizer "não sei" para o desenvolvimento do pensamento crítico e para uma sociedade mais democrática e aberta ao diálogo?

5. Condição Material e Status Simbólico. O texto aponta uma contradição: o professor é socialmente cobrado por uma "postura de mestre", mas é "mal remunerado e desvalorizado". Questão: Como a desvalorização salarial do professor entra em conflito com o "status" que a sociedade espera dele? É possível ter dignidade profissional apenas com "respeito simbólico", sem condições materiais adequadas?

Dica do Prof: Ao responder, tente relacionar o texto com a sua própria experiência na escola. Você já sentiu medo de dizer que não sabia algo? Já julgou alguém pela aparência antes de conhecer sua capacidade?

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sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

A Dialética do Prazer: entre o ético, o sagrado e o profano ("O que não dá prazer não dá proveito." — William Shakespeare)

 


A Dialética do Prazer: entre o ético, o sagrado e o profano ("O que não dá prazer não dá proveito." — William Shakespeare)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Sou feito de sensibilidade. O mundo me alcança pelos sentidos, e é por eles que a vida se revela como experiência. O prazer, nesse horizonte, não é excesso nem desvio: é mediação. Engana-se, porém, quem o toma como absoluto sem medida. O prazer que afirma a vida nasce do encontro — nunca da violação. Ele só é legítimo quando respeita a autonomia do outro, quando é escolhido, partilhado ou, ao menos, não imposto. Epicuro já advertia: há prazeres que libertam e há prazeres que escravizam. Não é o prazer em si que corrompe, mas sua ruptura com a ética.

Ainda assim, aprendemos cedo a desconfiar do corpo. A culpa é uma pedagogia antiga. Certas instituições religiosas — não o sagrado em si, mas suas engrenagens de poder — converteram o desejo em mercadoria moral: vendem absolvição àqueles que antes ensinaram a se odiar. Erigem interditos rígidos e, paradoxalmente, fazem do proibido o centro da imaginação. Onde há medo, há controle; onde há culpa, há obediência. O divino, reduzido à contabilidade moral, transforma-se em negócio. Não por acaso, tantas tradições místicas — cristãs, islâmicas, orientais, indígenas — floresceram à margem das igrejas: nelas, o êxtase, o corpo e até o prazer reaparecem como vias de transcendência, não como pecados a serem extirpados.

O prazer, contudo, não se esgota no indivíduo isolado. Os mais duradouros raramente são solitários. Há o prazer discreto da amizade, da confiança partilhada, do amor que não consome, mas sustenta. Há o prazer de criar junto, de ensinar e aprender, de reconhecer-se no outro. Esses prazeres não clamam por atenção; permanecem. Menos intensos na superfície, são mais profundos no tempo. Reduzir o prazer ao instante sensorial é empobrecê-lo; ampliá-lo à dimensão relacional é torná-lo plenamente humano.

É verdade que o risco seduz. O desconhecido convoca. Existe uma euforia própria de atravessar limites — mas nem todo limite deve ser transposto. Há uma diferença decisiva entre o risco consciente, preparado e assumido como escolha, e a autodestruição impulsiva disfarçada de coragem. Amar a vida não é flertar com a morte por tédio. O corpo que busca intensidade também exige cuidado. Nem todo abismo é vocação; às vezes, é apenas ausência de amparo.

E a dor? Há quem encontre nela uma forma de prazer — e isso, por si só, não é patológico. Quando escolhida, consciente e reversível, a dor pode integrar jogos de desejo, rituais simbólicos, experiências-limite que não negam a vida. Mas há dores que não libertam: a automutilação silenciosa, os vínculos abusivos, o apego ao trauma. Romantizá-las é perpetuar a violência. O prazer que afirma a vida não exige a anulação de si.

Também não basta afirmar que o prazer é “natural”, como se isso o justificasse automaticamente. A natureza é ambígua: nela coexistem cuidado e brutalidade. O prazer não é legítimo por ser natural, mas por constituir uma condição de vida digna, desde que atravessado pela responsabilidade. Não se trata de liberar tudo, mas de reeducar o desejo. Afinal, como já intuiu a psicanálise, desejamos também aquilo que nos é negado. Uma sociedade sem proibições não é necessariamente um paraíso hedonista; pode tornar-se um deserto de sentido. O desafio não é abolir os limites, mas torná-los habitáveis.

Há, ainda, uma dimensão política incontornável. O controle do prazer sempre foi uma técnica de poder. Trabalha-se muito e frui-se pouco; produz-se sem tempo para sentir. O sistema oferece prazeres rápidos e compráveis, enquanto nega os prazeres profundos: o ócio, o corpo descansado, a convivência, a criação. Defender o prazer é também criticar o trabalho alienado, o consumo compensatório, o moralismo que transforma a exaustão em virtude. Sem tempo livre e sem condições materiais, o hedonismo converte-se em privilégio de poucos.

Talvez, por isso, precisemos de uma educação para o prazer: aprender a sentir sem culpa, a desejar sem destruir, a cuidar do próprio corpo e do corpo do outro. Ensinar com eros, como queria Rubem Alves; aprender com o corpo inteiro, como lembram as pedagogias do cuidado. O prazer não é inimigo da ética — pode ser sua aliada mais potente.

O que nos corrói não é a morte inevitável, mas a vida amputada antes dela. Não falo da dor que adoece, nem da miséria que bloqueia o sentir. Falo da negação moralista e voluntária do prazer, desse ascetismo neurótico que confunde virtude com secura. Isso, sim, nos mata enquanto ainda respiramos. O prazer, quando ético, relacional e consciente, não nos afasta da vida: devolve-nos a ela.


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Sou seu professor de Sociologia. O texto que acabamos de ler é uma excelente oportunidade para exercitarmos nossa imaginação sociológica. Ele nos mostra que o prazer, o corpo e o desejo não são apenas "coisas íntimas", mas estão mergulhados em relações de poder, economia e cultura. Para compreendermos como a sociedade molda o que sentimos e o que nos é permitido desfrutar, respondam às questões abaixo:


1. O Prazer como Técnica de Controle. O autor afirma que "o controle do prazer sempre foi uma técnica de poder", citando que o sistema oferece prazeres rápidos e compráveis enquanto nega o tempo para os prazeres profundos. Questão: Como a sociedade atual utiliza o consumo de "prazeres rápidos" (como redes sociais e compras) para compensar a exaustão do trabalho e manter os indivíduos obedientes ao sistema produtivo?

2. Culpa e Instituições Sociais. O texto menciona que certas instituições converteram o desejo em "mercadoria moral", usando a culpa para gerar obediência e lucro. Questão: De que maneira a criação de padrões morais rígidos sobre o corpo e o comportamento serve como uma forma de controle social, segundo a perspectiva sociológica de que as instituições moldam a subjetividade humana?

3. Ética e Autonomia nas Relações. O texto defende que o prazer só é legítimo quando respeita a autonomia do outro e é partilhado, citando que "o prazer não é inimigo da ética". Questão: Por que, em uma sociedade democrática, o consentimento e o respeito à vontade do próximo são fundamentais para que o exercício da liberdade individual não se transforme em opressão ou violência?

4. A Desigualdade do Hedonismo. O autor argumenta que, sem tempo livre e condições materiais, o prazer profundo torna-se um "privilégio de poucos". Questão: Como a desigualdade socioeconômica afeta o que chamamos de Direito ao Lazer? Explique por que o "ócio criativo" é distribuído de forma desigual entre as diferentes classes sociais.

5. Educação para o Sentir. Ao final, o texto propõe uma "educação para o prazer", que ensine a sentir sem culpa e a cuidar do próprio corpo e do corpo do outro. Questão: Por que a educação formal muitas vezes ignora as emoções e o corpo, focando apenas na produtividade? Como uma educação voltada para o cuidado e para a sensibilidade poderia transformar nossas relações sociais?

Dica do Prof: Para responder, pensem no conceito de Alienação. Às vezes, estamos tão focados em produzir e consumir que esquecemos de nos perguntar: "Este prazer é meu ou me foi vendido?".

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quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

ESPIRRANDO VÍRUS: O Teatro das Máscaras e o Sopro da Existência ("A esquerda é boa para duas coisas: organizar manifestações de rua e desorganizar a economia." — Humberto Castello Branco)

 

ESPIRRANDO VÍRUS: O Teatro das Máscaras e o Sopro da Existência ("A esquerda é boa para duas coisas: organizar manifestações de rua e desorganizar a economia." — Humberto Castello Branco)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Há momentos em que a palavra máscara engana. Ela pode ocultar ou proteger, mentir ou salvar. A pandemia nos ensinou isso de modo brutal: nem toda cobertura do rosto é disfarce — algumas são defesa mínima da vida. Talvez o equívoco esteja menos nas máscaras e mais no uso que fazemos delas.

Em tempos de efervescência — eleições, megaeventos, crises sanitárias — as ruas se enchem de corpos e vozes. Não porque o barulho seja virtude em si, mas porque, para muitos, o silêncio nunca foi opção. Protestar não é distração da urgência; frequentemente, é a própria urgência ganhando forma pública. A democracia não acontece apenas nos gabinetes: ela também respira no asfalto.

Costumamos chamar tudo isso de espetáculo para nos proteger do incômodo que provoca. É confortável reduzir a política a um teatro vazio quando não somos nós que precisamos gritar para existir. Mas quem ocupa a rua raramente o faz por gosto estético; faz por falta de alternativa. O grito nasce onde a escuta falhou.

Escrevo, contudo, desde um corpo que falha. Pulmões congestionados, respiração curta, a consciência constante de que o ar não é garantido. Foi dessa experiência que compreendi algo decisivo: respirar é um ato profundamente político. Não apenas porque depende de hospitais, políticas públicas, saneamento e meio ambiente, mas porque há quem tenha o fôlego arrancado pela violência, pela pobreza e pelo descaso institucional.

Minha dor não é exceção moral nem argumento contra a luta alheia. Pelo contrário: ela me aproxima de quem também luta por ar — literal ou simbólico. George Floyd dizendo “I can’t breathe”, crianças asmáticas nas periferias poluídas, pacientes sem leitos, trabalhadores sufocados por jornadas desumanas. O corpo doente não está fora da política; ele é uma de suas provas mais contundentes.

Talvez por isso a poesia de Guto Rios encontre aqui seu lugar verdadeiro — não como ornamento, mas como ética:

"No abraço me esforço à beira do poço… sorrio e vou."

Há resistência nesse sorriso frágil, não cinismo; há esforço apesar do abismo, não desprezo pelas vozes que ecoam.

Assisto ao mundo não da margem confortável do privilégio, mas do limite comum da finitude. E nesse limite aprendi: a vida não é apenas sopro mecânico — é relação, sentido, luta compartilhada. Se escrevo, é porque ainda acredito que pensar é respirar com mais profundidade.

Talvez o verdadeiro teatro não esteja nas ruas, mas na ilusão de neutralidade de quem acredita poder observar tudo sem se implicar. Todos usamos máscaras; a questão não é se, mas para quê. As piores não são as que cobrem o rosto, mas as que anestesiam a consciência.

E enquanto houver gente lutando para respirar — em qualquer sentido —, o silêncio jamais será virtude suficiente.


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Sou seu professor de Sociologia. O texto que acabamos de ler é uma reflexão profunda que conecta a biologia do corpo (o ato de respirar) com a estrutura da sociedade. Ele nos convida a entender que a saúde, o protesto e a própria vida não são apenas escolhas individuais, mas questões coletivas e políticas. Vamos analisar esses pontos através de 5 questões discursivas simples:


1. O Sentido Político do Respirar. O autor afirma que "respirar é um ato profundamente político" e menciona que o fôlego é arrancado pela violência e pelo descaso. Questão: Como as condições de vida de um indivíduo (onde ele mora, o hospital que frequenta e a poluição que respira) demonstram que a saúde não depende apenas da vontade pessoal, mas de decisões do Estado?

2. O Grito e a Falha da Escuta. O texto diz que "o grito nasce onde a escuta falhou" e que ocupar a rua, muitas vezes, é a única alternativa para quem não é ouvido. Questão: Na democracia, por que as manifestações de rua são consideradas ferramentas essenciais de participação política para grupos que não possuem representação nos "gabinetes" do governo?

3. O Corpo como Prova Social. O texto relaciona a dor do autor com casos como o de George Floyd ("I can't breathe") e pacientes sem leitos. Questão: Como o sofrimento do corpo humano (a doença ou a falta de ar) pode servir como uma denúncia das desigualdades sociais e das injustiças cometidas pelas instituições?

4. A Neutralidade como Ilusão. O autor critica quem acredita na "ilusão de neutralidade", ou seja, quem acha que pode observar os problemas do mundo sem se envolver ou ser afetado por eles. Questão: Na sociologia, dizemos que nenhum indivíduo é uma ilha. Por que é impossível ser totalmente "neutro" ou indiferente diante dos conflitos e problemas da sociedade em que vivemos?

5. Máscaras e Consciência. Ao final, o texto afirma que as piores máscaras são as que "anestesiam a consciência". Questão: O que significa, do ponto de vista sociológico, ter uma consciência anestesiada diante da realidade social? Como a educação pode ajudar a retirar essa "máscara"?

Dica do Prof: Lembrem-se que a Sociologia nos ajuda a tirar a "lente" do senso comum. Não pensem apenas no "eu", mas no "nós". O texto nos mostra que a nossa dor ou a nossa saúde estão conectadas à dor e à saúde de todo o mundo.

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terça-feira, 20 de dezembro de 2022

AMEAÇAS EM TROCA: Desisti da EJA ("Educar uma pessoa apenas no intelecto, mas não na moral, é criar uma ameaça à sociedade." — Theodore Roosevelt)

 


AMEAÇAS EM TROCA: Desisti da EJA ("Educar uma pessoa apenas no intelecto, mas não na moral, é criar uma ameaça à sociedade." — Theodore Roosevelt)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Houve um tempo em que acreditei, com convicção quase ingênua, que a bondade era o ponto de partida de todos. Imaginava o mal como desvio: fruto de escolhas reiteradas, de influências nocivas ou de negligência moral. A escola, pensava eu, existia justamente para corrigir rotas, ampliar horizontes, oferecer outras possibilidades de ser. Hoje, não ouso mais falar em essências puras. Falo, com cautela, de aparências perigosas: há sujeitos que parecem predestinados à perdição não por natureza, mas porque foram lançados tão cedo a contextos de violência, escassez e abandono que a brutalidade se tornou, para eles, linguagem de sobrevivência. Quando protegidos pelo anonimato ou pela certeza da impunidade, não revelam uma índole secreta; apenas reproduzem o mundo que aprenderam a habitar.

Foi nesse intervalo entre ideal e realidade que reli Emerson, afirmando que “Nenhum grande homem se queixa de falta de oportunidades”. A frase, tomada isoladamente, soa como sentença moral: quem fracassa não se esforçou o suficiente. Mas a sala de aula ensina o contrário. O esforço nunca parte do mesmo ponto; oportunidades não se distribuem com justiça matemática. Ainda assim, é verdade que alguns conseguem transformar frestas em passagem, enquanto outros, esmagados pela urgência da sobrevivência, sequer aprendem a nomear o que lhes falta. A meritocracia, quando aplicada sem contexto, vira crueldade elegante.

Reencontro, hoje, ex-alunos na Educação de Jovens e Adultos. Muitos retornam marcados por ressentimento: atacam o sistema, desafiam a autoridade, vestem a condição de vítimas com fúria defensiva. Durante anos, interpretei esse gesto como leviandade deliberada. Agora, sou forçado a reconhecer que, em parte, era reação — não a um professor específico, mas a uma escola incapaz de dialogar com suas urgências, a currículos alheios à sua vida concreta, a um sistema que exige disciplina de quem nunca experimentou cuidado. Isso não absolve a violência; tampouco autoriza ameaças. Explica. E explicar, aprendi, não é justificar — é tentar impedir que se repita.

As marcas desse embate não foram abstratas. Fui ameaçado de morte em sala de aula. Não como metáfora, mas como anúncio cru de um limite ultrapassado. A instituição respondeu com o silêncio funcional de sempre; segui lecionando, como quem atravessa um campo minado fingindo que o chão é firme. Algo em mim se quebrou ali. Não imediatamente, mas aos poucos, como fratura por estresse. O medo constante, a vigilância permanente, a sensação de descartabilidade corroeram mais do que qualquer insulto.

Foi então que compreendi a imagem do veneno. Agredido e agressor, percebi, bebem da mesma substância: o ódio. Um o destila como ataque; o outro o internaliza como desejo de vingança ou punição divina. Eu também bebi. Não com gritos, mas com pensamentos amargos, fantasias de justiça absoluta, endurecimento moral. O ódio não me fortaleceu; intoxicou-me. Tornou-me mais rígido, menos atento, menos humano.

Quando me chamei de “imprestável”, não falava de incompetência técnica, mas de esgotamento existencial. Ainda assim, reconheço hoje o equívoco dessa palavra: ela carrega a lógica que transforma pessoas em peças defeituosas. Não estou imprestável — estou ferido. Ferido por um trabalho que exige entrega emocional contínua sem oferecer proteção, escuta ou reparação. Há nome para isso: trauma ocupacional, burnout, dano existencial. Saber disso não cura, mas desloca a culpa do indivíduo para o sistema que adoece silenciosamente seus agentes.

A tragédia não precisa terminar na derrota. Se há aprendizado possível, ele não está no cinismo nem na autoflagelação, mas na recusa de continuar bebendo o veneno. Não sei ainda qual é o antídoto definitivo. As tradições falam em compaixão, aceitação, perdão. Talvez o primeiro gesto seja mais modesto: nomear o sofrimento, reconhecer seus determinantes coletivos e recusar a narrativa fácil que divide o mundo entre bons e maus. Enquanto a escola continuar sendo linha de frente de desigualdades estruturais, todo otimismo será frágil — e todo ódio, compreensível, mas nunca inofensivo.


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Sou seu professor de Sociologia. O texto que acabamos de ler é um relato denso e corajoso sobre a realidade do trabalho docente e as contradições do nosso sistema educacional. Ele nos convida a olhar para além do senso comum, utilizando conceitos fundamentais da nossa disciplina. Preparei 5 questões discursivas para pensarmos a escola como um espaço de tensões sociais:


1. Socialização e Determinismo Social. O autor afirma que alguns indivíduos parecem "predestinados à perdição" não por natureza, mas por contextos de violência e abandono onde a brutalidade vira sobrevivência. Questão: Como o conceito de socialização primária (o aprendizado básico na infância) ajuda a explicar por que alguns jovens reproduzem comportamentos violentos dentro da escola?

2. A Crítica à Meritocracia. O texto menciona que "a meritocracia, quando aplicada sem contexto, vira crueldade elegante", pois as oportunidades não se distribuem com justiça. Questão: Por que, sociologicamente, é problemático avaliar o sucesso de um aluno apenas pelo seu "esforço individual" sem considerar o seu capital cultural e as condições materiais de sua família?

3. Instituição Escolar e Reprodução Social. O narrador sugere que a revolta dos alunos na EJA pode ser uma reação a uma escola que oferece currículos alheios à vida concreta e disciplina sem cuidado. Questão: De que forma a escola pode acabar reforçando a exclusão social em vez de combatê-la, quando ignora as necessidades reais e a cultura dos alunos das classes populares?

4. O Indivíduo e as Estruturas de Ódio. O autor utiliza a metáfora do "veneno" para dizer que agredido e agressor bebem do mesmo ódio, gerando endurecimento moral e desumanização. Questão: Como a violência estrutural (falta de segurança, precariedade e abandono estatal) acaba afetando a subjetividade e a saúde mental tanto de professores quanto de alunos?

5. Burnout e a Lógica da Produtividade. Ao final, o texto contesta a palavra "imprestável", preferindo termos como "trauma ocupacional" ou "dano existencial", deslocando a culpa do indivíduo para o sistema. Questão: Relacione o esgotamento do professor (Burnout) com as exigências da sociedade atual por "entrega emocional" e resultados estatísticos, mesmo em ambientes de alta vulnerabilidade.

Dica do Prof: Para responder, lembrem-se de que a Sociologia busca "desnaturalizar" os problemas. O ódio ou o fracasso escolar não são "naturais", são construídos socialmente.

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