"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" A hipocrisia é a arma dos mercenários." — Alessandro de Oliveira Feitosa

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sábado, 9 de junho de 2018

AUTODIVULGAÇÃO ("A popularidade tem matado mais profetas do que a perseguição" — Vance Havner)



Crônica

AUTODIVULGAÇÃO ("A popularidade tem matado mais profetas do que a perseguição" — Vance Havner)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Ao despertar hoje, encarei meu reflexo no espelho, não apenas para arrumar o cabelo, mas para confrontar uma pergunta que há tempos me assombra: quem sou eu neste mundo tão conectado e, paradoxalmente, tão solitário? O celular vibrou, mais uma notificação exigindo atenção, lembrando-me de como as redes sociais se tornaram vitrines onde expomos nossas vidas, muitas vezes maquiadas, em busca de validação.

Saí para o trabalho, observando a multidão nas ruas. Cada rosto, pensei, esconde o mesmo dilema que enfrento: como se destacar sem perder a essência? Como ser autêntico em um mundo que parece valorizar mais a aparência que o conteúdo? No escritório, entre reuniões, percebi como nos tornamos produtos, vendendo nossa imagem, habilidades e tempo. Mas a que custo?

Há algo intrigantemente desafiador neste mundo moderno, algo que nos coloca diante de uma encruzilhada constante: ser um produto na vitrine ou preservar nossa identidade e privacidade. É uma dualidade que enfrentamos diariamente, um delicado equilíbrio entre a necessidade de nos destacarmos e a importância de sermos fiéis à nossa essência.

Vejo-me como protagonista desta crônica, navegando por um palco incerto onde sou, simultaneamente, ator e plateia da minha própria vida. É uma busca incessante por visibilidade e reconhecimento, mas também uma jornada de autoconhecimento e reflexão sobre quem sou e quem quero ser.

Diariamente, me questiono: o que me define? Como posso ser autêntico e, ao mesmo tempo, me destacar em meio à multidão? Este quebra-cabeça complexo é moldado por minhas experiências, valores, relacionamentos e pela própria busca por identidade. Descubro, então, que é essencial equilibrar as diferentes esferas da vida: trabalho e lazer, dinheiro e experiências, tempo e destino - todos esses elementos se entrelaçam em um grande espetáculo, onde a harmonia é fundamental.

No meio desse turbilhão, as relações afetivas emergem como o alicerce da minha existência. À noite, jantando com amigos, sinto o conforto das relações verdadeiras. Ali, entre risos e confissões, percebo que é nos laços afetivos que encontramos nossa âncora. São esses momentos que nos lembram quem realmente somos, fornecendo força nos momentos de fraqueza, apoio nos desafios e significado em meio à jornada.

Refletindo sobre o dia, penso em como equilibramos responsabilidades e prazeres. É uma dança constante, às vezes desajeitada, mas necessária. Sou como um "velho moço", carregando a sabedoria da idade e a curiosidade da juventude. Um eterno aprendiz, sempre aberto a novas experiências e conhecimentos, que respeita opiniões diversas, mas também defende suas convicções com paixão.

Sei que a vida é efêmera, que a morte espreita a cada esquina, mas não temo o fim. Temo, sim, não viver plenamente, não aproveitar cada instante como se fosse o último. Anseio por sentir cada emoção como se fosse a primeira vez, por ser feliz e, acima de tudo, por ser eu mesmo.

Nessa busca incessante pelo equilíbrio entre essência e exposição, encontro minha própria voz, minha própria identidade. E, ao fazê-lo, aprendo uma valiosa lição: a autenticidade é o caminho para a verdadeira realização, e ser nós mesmos é o que nos torna únicos e inigualáveis.

Antes de dormir, olho novamente para o espelho. Vejo alguém que busca ser autêntico em um mundo que muitas vezes pede o contrário. Alguém que sabe da efemeridade da vida e, por isso mesmo, quer vivê-la intensamente. Deito-me com uma certeza: a verdadeira realização está em ser quem somos. No grande palco da vida, não precisamos ser o melhor ator, mas sim o mais sincero. Afinal, nossa unicidade é nosso maior trunfo.

E você, caro leitor, já se perguntou hoje quem é no palco da sua vida? Lembre-se: a melhor performance é aquela que vem do coração, aquela que reflete quem somos em nosso âmago.

Questões Discursivas sobre Identidade e Autêntica no Mundo Digital: Uma Análise Sociológica

1. O texto apresenta uma reflexão profunda sobre a busca por identidade e autenticidade em um mundo digitalizado e interconectado. De acordo com o autor, quais são os principais desafios que essa busca enfrenta na sociedade contemporânea?

2. O autor se autodescreve como um "protagonista" em sua própria vida, navegando por um "palco incerto" onde é "ator e plateia". Com base em seus conhecimentos de sociologia, explique como essa metáfora representa as diferentes maneiras pelas quais construímos e expressamos nossa identidade na era digital.

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sábado, 2 de junho de 2018

OPORTUNIDADE ("Encontra-se oportunidade para fazer o mal cem vezes por dia e para fazer o bem uma vez por ano". — Voltaire)



Crônica

OPORTUNIDADE ("Encontra-se oportunidade para fazer o mal cem vezes por dia e para fazer o bem uma vez por ano". — Voltaire)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

            **Um Novo Começo: O Ano Letivo e Suas Promessas**

Hoje, o sol raiou mais uma vez, e com ele, a esperança de um novo começo se fez presente. As ruas ganharam vida, e o município se agitou com a chegada das aulas. Era o início de um capítulo inexplorado, repleto de oportunidades para conhecer novas pessoas e construir relações que, embora fossem predominantemente com crianças e adolescentes, eu sabia que não seriam menos significativas.

Não, eu não subestimava essas amizades. Sabia que, mesmo nos olhos jovens e nas mentes em formação, residia um poderoso potencial. Suas opiniões sobre mim, suas percepções, poderiam traçar meu caminho até lugares inimagináveis, onde o reconhecimento e a realização aguardavam ansiosamente.

Minha intuição me sussurrava que esse era o início de algo grandioso. Eu me sentia determinado, consciente do que desejava e do que precisava fazer para conquistar meu merecido lugar sob os holofotes. Por enquanto, esse era meu segredo, uma fagulha de potencial pronto para incendiar o futuro.

O dia se desenrolava diante de mim, e com ele vinham surpresas, nem todas agradáveis. Mas eu estava preparado para enfrentá-las, pois sabia que o amanhã me aguardava com novas decisões a serem tomadas. As palavras sábias de Albert Einstein ecoavam em minha mente: "No meio da dificuldade encontra-se a oportunidade."

O ano anterior havia sido uma etapa, agora nascia outra: este novo ano. Era um período repleto de novidades, um capítulo ainda em branco esperando para ser escrito. Afinidade, como Artur da Távola disse, é retomar a relação de onde ela parou, sem lamentar o tempo de separação. As oportunidades de amadurecimento estavam ali, e eu estava pronto para abraçá-las.

Este momento era meu, cheio de possibilidades. Eu estava disposto a me abrir para os novos contatos que certamente surgiriam. Aprimorar minha expressão e minha comunicação era essencial, pois o presente era o momento de aproveitar as chances de ser reconhecido pelo meu valor.

Minhas ideias estavam em ação, meus projetos ganhavam vida, mas eu sabia que não podia abandonar meu lado estrategista. Outras pessoas poderiam já ter trilhado esse caminho antes de mim. As pessoas que cruzavam meu caminho naquele dia eram as melhores para meu caminho de sucesso, e cada uma delas poderia ser a chave que abriria as portas para um futuro brilhante.

Então, quem seria você, meu caro leitor? Neste novo começo, estamos todos reunidos na mesma jornada, ansiosos por descobrir as surpresas que o futuro nos reserva. A vida é uma viagem emocionante, e eu estou pronto para embarcar nessa aventura com coragem, determinação e a certeza de que cada dia traz consigo a promessa de algo extraordinário.
Kllawdessy Ferreira

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Enviado por Kllawdessy Ferreira em 02/02/2017
Reeditado em 02/06/2018
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Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (autoria de Claudeci Ferreira de Andrade,http://claudeko-claudeko.blogspot.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

sábado, 26 de maio de 2018

ATO DE ACOLHER ("Os filhos precisam de ninho e de asas. Ninho é o acolhimento, o aconchego. Asas para ter liberdade para crescer." — Isabelle Ludovico)



Crônica

ATO DE ACOLHER ("Os filhos precisam de ninho e de asas. Ninho é o acolhimento, o aconchego. Asas para ter liberdade para crescer." — Isabelle Ludovico)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Eu sempre gostei de escrever. Desde pequeno, eu me sentia atraído pelas palavras, pelas histórias, pelas ideias. Eu tinha uma caneta e um caderno como meus melhores amigos, e neles eu registrava os meus pensamentos, os meus sentimentos, os meus sonhos.

Mas hoje, ao abrir o meu velho caderno, eu me deparei com um texto que me fez parar e refletir. Um texto que eu escrevi há muitos anos atrás, quando eu tinha 17 anos e estava no último ano do Ensino Médio. Um texto que revelava a minha visão da vida naquela época, uma visão pessimista e sem sentido.

O texto era uma espécie de resenha do livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, que eu havia lido por obrigação escolar. Eu me lembro de como eu me identifiquei com o personagem principal, um homem que narra a sua vida após a morte, fazendo um balanço negativo de sua existência. Eu me lembro de como eu fiquei impressionado com a frase final do livro: “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.”

Eu me lembro de como eu repetia essa frase para mim mesmo, como se fosse um mantra. Eu me lembro de como eu respondia a todos que me perguntavam sobre filhos com a mesma frase: “COMO PODERIA EU COMETER TAMANHO ERRO REPRODUZINDO A MISÉRIA QUE SOU?” Eu me lembro de como eu achava que a vida não tinha sentido, que o futuro não tinha esperança, que o amor não existia.

Mas hoje, ao reler esse texto, eu percebo o quanto eu mudei. O quanto a vida me surpreendeu. O quanto o amor me transformou.

Hoje, eu sou pai de uma linda mulher, fruto de uma relação desprotegida que aconteceu há muitos anos atrás. Uma menina que apareceu na minha vida como um milagre, como um presente divino. Uma menina que cresceu, se educou e se tornou uma jóia rara. 

Hoje, eu não preciso mais ler o defunto escritor. Eu encontrei em outros autores, mais simples e otimistas, uma inspiração para viver. Como Paulo Coelho, que disse: “Uma coisa é você achar que está no caminho certo, outra é achar que o seu caminho é o único. Nunca podemos julgar a vida dos outros, porque cada um sabe da sua própria dor e renúncia.”

Hoje, eu quero construir uma família honrada, onde o amor e o respeito sejam os pilares da nossa convivência. Porque eu aprendi com a sabedoria das escrituras: “A pessoa que se revolta contra o ensino e a correção acabará pobre e envergonhada; quem dá valor ao ensino e segue as instruções receberá honra.” (Provérbios 13:18 BV).

Hoje, eu desejo que a minha descendência seja abençoada por mil gerações, e que eu possa ser o exemplo de um pai que, apesar dos seus erros, buscou o caminho da redenção e do perdão. Pois, como disse Éder Moises: “Não lamente a flor caída. Logo ela te trará frutos e descendência.”

Hoje, eu escrevo esta crônica para contar a vocês a minha história de vida. Uma história que começou com um livro triste e terminou com um livro feliz. Uma história que mostra que a vida é cheia de surpresas e possibilidades. Uma história que prova que o amor é a força mais poderosa do universo.

E vocês? O que vocês pensam sobre a vida e o amor? O que vocês escolheram fazer com as suas vidas? O que vocês esperam do futuro?

Eu adoraria saber as suas opiniões.

Kllawdessy Ferreira

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Enviado por Kllawdessy Ferreira em 26/12/2016
Reeditado em 26/05/2018
Código do texto: T5863642 
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sexta-feira, 25 de maio de 2018

Uma causa perdida

Uma causa perdida

sábado, 19 de maio de 2018

SOU ÁRVORE DESFOLHADA NO OUTONO, AINDA VIVA ("Os caluniadores são como o fogo que enegrece a madeira verde, não podendo queimá-la." — Voltaire)



Crônica

SOU ÁRVORE DESFOLHADA NO OUTONO, AINDA VIVA ("Os caluniadores são como o fogo que enegrece a madeira verde, não podendo queimá-la." — Voltaire)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

            Hoje acordei com uma sensação estranha, como se fosse um bicho magro de presépio, ilustrando o Natal de alguém, mas sem sentir a alegria da festa. Lembrei-me de uma cena da minha infância, quando eu subia em uma árvore para tentar pegar uma fruta apetitosa, mas nunca conseguia alcançá-la. Eu me esforçava, me arriscava, sacudia os galhos, mas nada adiantava. A fruta continuava lá, inatingível, rindo da minha frustração. Então eu descia, desanimado, e ficava jogando pedras na árvore, como se isso fosse me vingar.

            Essa cena é uma metáfora da minha vida atual. Eu tenho um objetivo, um sonho, uma esperança, mas parece que ele está cada vez mais longe de mim: ser sábio. É como ver o sol se pondo, ou sendo abandonado pelos seus raios. Eu quero me proteger, evitar desperdícios e excessos, controlar a impulsividade, fazer atividades leves, ser cordial com as pessoas. Mas isso não é suficiente para sair do marasmo em que me encontro. O fruto não cai de uma mão beijada.

               Então eu pensei: será que estou fazendo algo errado? Será que estou me conformando com pouco? Será que estou deixando de lutar pelo que quero? Será que estou perdendo a fé?

                 Foi aí que eu resolvi vestir uma camisa verde folha, que eu tinha guardada no armário. Eu gosto dessa cor, porque ela me lembra a natureza, a vida, a esperança. Eu me senti como um tapete de grama, cobrindo o chão das fazendas, fazendo as bestas felizes no campo. Eu pensei que talvez essa cor me trouxesse sorte, sucesso, felicidade. Mas logo percebi que isso era uma ilusão.

            A cor verde não é garantia de nada. Ela pode ser usada por ervas daninhas, que sufocam as plantas boas. Ela pode ser usada por árvores artificiais de Natal, que fingem ser naturais e alegres. Ela pode ser usada por pessoas falsas, que se escondem atrás de uma aparência de bondade e virtude.

               O que importa não é a cor que eu visto, mas a cor que eu sou. O que importa não é o fruto que eu vejo, mas o fruto que eu produzo. O que importa não é o destino que eu espero, mas o destino que eu faço.

               Por isso, decidi mudar de atitude. Em vez de ficar reclamando da vida, resolvi agradecer pelas dificuldades que enfrentei. Elas me fizeram sair do lugar, me fizeram crescer, me fizeram buscar novos caminhos. Em vez de ficar esperando pela compaixão dos outros, resolvi praticar a compaixão por mim mesmo e pelos outros. Ela me fez entender melhor as emoções e as motivações humanas, e também me fez superar o egoísmo e o orgulho. Em vez de ficar preso às minhas certezas, resolvi questioná-las e examiná-las. Elas me fizeram refletir profundamente e honestamente sobre as coisas, e também me fizeram estar aberto à correção e ao aprendizado.

               E assim eu descobri que a sabedoria não é algo que se possa obter por um método infalível ou por uma fórmula mágica. A sabedoria é uma jornada pessoal, que depende da minha disposição em questionar minhas certezas, em praticar a compaixão e em cultivar a humildade. Essa jornada fluida me torna verdadeiramente sábio.

E você? Qual é a sua jornada? Qual é a sua cor? Qual é o seu fruto?

Kllawdessy Ferreira

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Enviado por Kllawdessy Ferreira em 22/12/2016

Reeditado em 19/05/2018
Código do texto: T5860874 
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sábado, 12 de maio de 2018

ENTRE CONSELHOS E INQUIETAÇÕES ("O casamento é como enfiar a mão num saco de serpentes na esperança de apanhar uma enguia." — Leonardo da Vinci)



Crônica

ENTRE CONSELHOS E INQUIETAÇÕES ("O casamento é como enfiar a mão num saco de serpentes na esperança de apanhar uma enguia." — Leonardo da Vinci)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Ah, os sábados! Dias que prometem descanso, mas que às vezes nos surpreendem com suas peculiaridades. Neste em particular, mal o sol despontara e meu celular já vibrava ansioso, como se quisesse me arrancar do conforto das cobertas para mergulhar em águas turbulentas.

Era uma mensagem. Alguém buscava conselhos sobre a vida conjugal, como se eu fosse um sábio detentor de todas as respostas. Confesso que me senti como um equilibrista em uma corda bamba, tentando não cair nas armadilhas das expectativas alheias. Instantaneamente, lembrei-me do velho ditado: "Gato escaldado tem medo de água fria". E como não teria? Já naveguei por mares revoltos de amizades online e relacionamentos complexos.

As experiências do passado forjaram em mim um escudo de prudência. Enfrentei tempestades emocionais, dissipei sombras de dúvidas e superei ameaças de ciúmes. Agora, ironicamente, me vejo como um especialista relutante nessas águas turbulentas da vida. Cada passo dado nesse terreno é como atravessar uma ponte de madeira podre - requer cautela e sabedoria.

Enquanto refletia sobre como responder àquele pedido de ajuda, meu pensamento vagueou para os convites do fim de semana. Amigos me chamavam para festas e eventos, promessas de alegria e descontração. Mas eu, ah, eu tinha meus limites bem traçados. Não sou um adepto fervoroso da "prostituição social", como costumo chamar essa necessidade incessante de estar em todos os lugares, de agradar a todos.

A mulher que me procurou estava preocupada com o marido. E eu, nesse momento, me vi novamente na corda bamba. Como oferecer empatia sem me envolver demais? Como ser um porto seguro sem absorver responsabilidades que não me pertencem? O velho ditado "dono de mulher não é amigo de ninguém" ecoava em minha mente, um lembrete de que se meter nos assuntos alheios, especialmente nos matrimoniais, é como brincar com fogo.

Lembrei-me de uma frase de Nelson Barh: "Só vai para a prostituição, por livre e espontânea vontade, quem tem vocação". Curiosamente, essa reflexão sobre escolhas e consequências se aplicava não apenas ao dilema da minha interlocutora, mas também às minhas próprias decisões sobre como viver e me relacionar.

E assim, neste sábado singular, me vi navegando por correntes de palavras e emoções. Entre conselhos cautelosos e reflexões profundas, percebi que a vida é esse eterno aprendizado. Questionei-me sobre por que lutamos contra certas forças que parecem tão antigas quanto a própria humanidade. Por que nos inquietamos tanto com as escolhas alheias?

A prostituição, palavra carregada de julgamentos, evoca opiniões impregnadas de moralidade. Os papéis de prostitutas e clientes, estabelecidos e desafiados ao longo das eras, persistem. A troca de afeto comercializado resiste, desafiando nossas noções de ética e moral.

Ao final deste dia inusitado, compreendi que cada sábado, cada interação, cada dilema é uma oportunidade de crescimento. Somos todos aprendizes nessa grande escola que é a vida. E enquanto as incertezas persistem, sigo em frente, com o coração aberto e a mente alerta, pronto para decifrar os enigmas que o universo insiste em lançar em meu caminho.

Pois é assim que vivemos: morrendo um pouco a cada dia e, paradoxalmente, aprendendo sempre. Que venham os próximos sábados, com suas surpresas e desafios. Estarei aqui, equilibrista experiente, pronto para mais uma travessia na corda bamba da existência, navegando pelas águas turbulentas das palavras e das emoções, entre conselhos e desabafos, dilemas e certezas incertas.

Duas questões discursivas sobre o texto:

Como a experiência de oferecer conselhos pode ser desafiadora e quais são os limites da nossa capacidade de ajudar os outros?

De que forma a sociedade molda nossas percepções sobre relacionamentos, sexualidade e a busca por felicidade?

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sábado, 5 de maio de 2018

A FOLGA("Dei folga ao meu coração. Dei a ele dias de felicidade simples, pura... a liberdade de amar quem quer que seja, ou que não seja ninguém." — Camille Mamona Spinola)



Crônica

A FOLGA ("Dei folga ao meu coração. Dei a ele dias de felicidade simples, pura... a liberdade de amar quem quer que seja, ou que não seja ninguém." — Camille Mamona Spinola)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

O último sino do semestre escolar ecoou pelos corredores, trazendo consigo uma mistura de alívio e exaustão. Parado no meio da sala de aula vazia, senti o peso dos últimos meses se materializar em meus ombros. Cada reunião, avaliação e cobrança parecia um tijolo em uma muralha que me separava do mundo exterior, transformando a vida escolar em um drama incessante.

Caminhei lentamente para casa, arrastando os pés e os pensamentos. O sol de verão castigava o asfalto, mas uma brisa suave soprava, como se a natureza quisesse me consolar. Foi então que tive uma epifania: eu precisava de um refúgio, um oásis em meio ao deserto de responsabilidades que havia se tornado minha vida.

Ao chegar em casa, meus olhos pousaram sobre ela: a velha rede no quintal, pendurada entre duas árvores frondosas. Ali estava meu santuário, meu portal para a liberdade. Sem hesitar, deixei a pasta cair no chão e me dirigi ao quintal, sentindo a grama fresca sob meus pés descalços.

Deitei-me na rede com um suspiro profundo, sentindo as fibras se ajustarem ao meu corpo cansado. O balanço suave era como um acalanto, embalando não apenas meu corpo, mas também minha alma inquieta. As folhas das árvores dançavam ao vento, criando um jogo de luz e sombra que hipnotizava meus olhos.

Naquele momento, decidi que aquela tarde seria minha. Não haveria telefonemas para atender, mensagens para responder, nem planos de aula para preparar. O mundo lá fora poderia esperar. Ali, naquela rede, eu era apenas eu mesmo, livre das amarras do dever e das expectativas alheias.

As horas passavam, mas o tempo parecia ter perdido o significado. Observei as nuvens no céu, formando figuras que me lembravam dos desenhos dos meus alunos. Sorri ao pensar neles, percebendo que, apesar do cansaço, ainda havia amor pelo que eu fazia.

À medida que o sol começava a se pôr, pintando o céu com tons de laranja e rosa, senti uma mudança dentro de mim. A irritação e a tristeza que me acompanhavam há semanas começavam a se dissipar, dando lugar a uma serenidade há muito esquecida. Percebi que este momento de aparente "preguiça" era, na verdade, um ato de autocuidado essencial.

Enquanto as primeiras estrelas surgiam no céu, fiz uma promessa a mim mesmo: tornaria estes momentos de pausa uma prática regular, não apenas nas férias, mas também nos dias comuns. Esta tarde de descanso absoluto na rede do meu quintal se revelou um presente precioso, um espaço onde a tranquilidade podia reinar e os problemas se dissiparem como folhas ao vento.

Ao me levantar da rede, senti-me renovado, como se tivesse emergido de um sono profundo e restaurador. O amanhã traria seus desafios, sem dúvida, mas agora eu estava pronto para enfrentá-los com um novo olhar. Compreendi que o verdadeiro ócio não é a ausência de ação, mas a presença de reflexão, um espaço de leveza que alimenta a arte, a poesia e a filosofia.

Querido leitor, se você se identificou com minha história, permita-me deixar um convite: encontre sua própria "rede". Pode ser um lugar, uma atividade ou simplesmente um momento de silêncio. Dê a si mesmo a permissão de pausar, de respirar, de simplesmente ser. Pois é nestes momentos de aparente inatividade que muitas vezes encontramos nossas maiores inspirações e forças.

Não se deixe acusar de preguiçoso por buscar esse refúgio. O trabalho e o esforço não são inimigos, mas a necessidade de uma pausa é vital. Esta é uma oportunidade para desacelerar, para se permitir uma pausa na rotina frenética e recarregar as energias.

E você, quer se unir a mim nesse oásis de tranquilidade? Quer se balançar na rede e deixar o tempo se desmanchar como um sonho? Venha, não hesite. Juntos, podemos encontrar um refúgio no simples ato de relaxar, nos perder no tempo e nos reencontrar na vida, celebrando o prazer de simplesmente existir. Quem sabe, em sua própria jornada de autodescoberta, você não encontre um poema guardado no peito, esperando para ser compartilhado com o mundo?

Duas questões discursivas sobre o texto:

Qual a importância do ócio e da pausa na rotina para o bem-estar mental e emocional, especialmente em um mundo cada vez mais acelerado?

Como a busca por um momento de descanso e reflexão pode influenciar a nossa capacidade de lidar com as demandas do trabalho e da vida cotidiana?

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sábado, 28 de abril de 2018

ENTERRANDO DEFUNTO ("EM TERRA SECA, SÓ se PLANTA DEFUNTO". — www.fotolog.terra.com.brkaduartes)



Crônica

ENTERRANDO DEFUNTO ("EM TERRA SECA, SÓ se PLANTA DEFUNTO". — www.fotolog.terra.com.brkaduartes)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

             Desde sempre, as segundas-feiras foram meu refúgio, meu oásis de esperança na semana. Pode ser que minha perspectiva seja a de um eterno otimista, ou talvez eu simplesmente acredite que cada dia nos traz a chance de recomeçar, de fazer melhor. Afinal, a vida é um ciclo, e o começo de uma semana é um convite à mudança.
            Mas, para muitos, as segundas-feiras são como um inimigo silencioso, um fardo a ser carregado. Reclamam como se fossem amaldiçoadas, como se todos os infortúnios do mundo acontecessem unicamente nesse dia. São as vítimas de suas próprias extravagâncias do final de semana, pagando o preço das escolhas irresponsáveis. Mas eu não sou assim. Encaro a segunda-feira com a determinação de quem vê um novo começo, uma oportunidade de deixar para trás o passado e abraçar o presente.
           Hoje, como em tantas outras segundas-feiras, eu acordo com a alma leve, com a convicção de que a semana será repleta de desafios e possibilidades. Não me permito ser consumido por notícias negativas ou pelas tempestades que assolam o mundo. Não permito que o pessimismo e o medo corroam meu ânimo. A inércia e a preguiça não são minhas companheiras, pois não pretendo me render à mediocridade.
            Procuro enxergar os presságios positivos, os motivos para agradecer, os motivos para seguir em frente. Reflito sobre o amor daqueles que me são caros, sobre as conquistas alcançadas através de esforço e dedicação, sobre as notícias animadoras compartilhadas por amigos.
             E, como é típico das minhas segundas-feiras, busco novas experiências, desafios instigantes e oportunidades de crescimento. Não me limito à zona de conforto, mas me aventuro em projetos inovadores e ousados. Aceito o risco e a incerteza que vêm com novos horizontes. Cada erro é uma lição, cada acerto é uma vitória.
             Nessas segundas-feiras que tanto prezo, não me envergonho de procurar conselhos sábios e compartilhar ideias com amigos que não são envolvidos emocionalmente. Valorizo a opinião alheia e busco enriquecer minha visão com perspectivas diversas. Ouvir e refletir são partes essenciais do meu processo de crescimento.
             Sei que a vida não é perfeita, que obstáculos e desafios surgem a todo momento. Sei que a tristeza, a decepção e a frustração são companheiras possíveis. Sei que o mundo está repleto de tragédias e desgraças. Mas sei também que a vida é feita de oportunidades, de superação, de solidariedade.
            E, assim, compartilho com vocês, nesta crônica, meu olhar otimista sobre a vida. Minha crença de que as segundas-feiras são convites a recomeços, a uma semana de realizações e descobertas. Pois, como costumo dizer, sou um "nazireu" de segunda-feira: não me envolvo com defuntos, mas estou disposto a enterrá-los quando necessário.
Kllawdessy Ferreira

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Enviado por Kllawdessy Ferreira em 05/12/2016
Reeditado em 28/04/2018
Código do texto: T5844592 
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