"Se você tem uma missão Deus escreve na vocação"— Luiz Gasparetto

" Não escrevo para convencer, mas para testemunhar."

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MINHAS PÉROLAS

sábado, 6 de março de 2010

EM CIMA DOS MUROS DA ESCOLA (No faz-de-conta, no nem: nem para lá, nem para cá...)






Crônica

EM CIMA DOS MUROS DA ESCOLA (No faz-de-conta, no nem: nem para lá, nem para cá...)


Claudeci Ferreira de Andrade

         Disse Paulo Freire, educador, pedagogista e filósofo brasileiro: "Que é mesmo a minha neutralidade senão a maneira cômoda, talvez, mas hipócrita, de esconder minha opção ou meu medo de acusar a injustiça? Lavar as mãos em face da opressão é reforçar o poder do opressor, é optar por ele."  E eu observo que quase tudo na Educação é simulacro! Simula-se prova, simula-se austeridade, simula-se letividade, simula-se legalidade, simula-se até amistosidade! Não sei por que estou incomodado, afinal, a escola é a preparação da sociedade para si mesma, isto é, um movimento reflexivo da cultura em ondas cada vez mais sofisticadas! “Como uma onda no mar” (Lulu Santos).
         Por que me recuso a ficar “em cima do muro”? É mais confortável a neutralidade! Muitos creem que não precisamos tomar posição clara ao lado dos fatos, já que se pode viver situações várias sem maiores consequência, no faz-de-conta, no nem: nem para lá, nem para cá. É verdade, esse Maneirismo implica na baixa qualidade quando nos transferimos para a vida real, mas os entendidos do sistema dizem que pode haver comprometimento amistoso com os dois lados, então, é só simularmos também a qualidade! Nota de simulado vira coisa séria. A mornidão é recomendada quando nos é ensinado que devemos tolerar as diferenças. 
           Não me lembro de nenhum mártir da educação, talvez não seja importante ser “linha dura” e dar a vida em troca de simulações! Ou a coragem altruísta foi negociada?
         Em assuntos que dizem respeito ao meu bem-estar, de meus amigos, da escola em que trabalho, não deve haver lugar para desinteligências, aí entra adequadamente a dissimulação vantajosa: santa hipocrisia!
           A respeito de tudo, uma pergunta como esta é descabida: Que mal pode haver se eu recuso envolver-me nas simulações da escola? Todo o Mal do inferno, pois como vou sobreviver sem a arte da convivência profissional. Não pode existir em minha consciência peso algum. Não sou pior do que a maioria dos colegas. A menos que eu me ponha de coração no canteiro do meio, é mera pretensão dizer que sou moderno.
         A neutralidade evita conflitos. Tudo na vida tem dois lados: direito, esquerdo; positivo, negativo; preto, branco... Contudo, simulação é equilíbrio, descobri que o caminho do meio também é uma posição a ser tomada pelos que simulam ora deste lado ora daquele: a subdivisão do equilíbrio.  
           Ninguém pode brincar com coisas sérias. Sou assim por que o muro caiu comigo em cima dele, arranhões foram inevitáveis na minha pele e a reconstrução do mesmo será por demais dispendiosa para quem tiver interesse. Será que vale a pena simular boas intensões, mais do que ficar "em cima do muro" tentando agradar todo mundo? E melhor do que ser covarde é ser hipócrita. Disse Coelho Neto: "Aquelas campinas, fertilizadas e santificadas pelo sangue dos heróis, não podiam gerar covardes." (Morto, c. 8, p. 65, ed. 1918.). É melhor ainda é ser irônico.
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 06/03/2010
Código do texto: T2122928

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (autoria de Claudeci Ferreira de Andrade,http://claudeko-claudeko.blogspot.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

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18/03/2010 00:22 - ZORA
amigo seu texto é uma riqueza de conteúdo ...quero ler mais o que voce escreve,pois é um acúmulo de sabedoria...coisas práticas ,do nosso cotidiano ..bjus


08/03/2010 12:53 - ANDRÉA NETO
OLÁ AMIGO, BLZ? AMEI O SEU TEXTO, EU SUMI UM POUCO FALTA DE TEMPO, MAS ESTAREI RETORNANDO PARA COLOCAR MAIS POEMAS MEUS... PARABÉNS... SEUS TEXTOS SEMPRE SÃO MTOS CRIATIVOS E COM TEMAS LEGAIS. Abraço ANDREA NETO


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A fila única (Entendi que os ditos normais também são discriminados.)


Crônica
A FILA ÚNICA (Entendi que os ditos normais também são discriminados.)
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Por Claudeci Ferreira de Andrade

         Não sei se estou na fila dos correios ou na fila para o caixa do Banco Bradesco, só sei que a fila é única para um caixa solitário; talvez seja por isso que perdi um dia inteiro e fui almoçar às 15 horas, tentando quitar um boleto pagável apenas no Banco Bradesco. Mas, foi divertido! O único caixa atendente até que trabalhava rápido! Porém, a fila... Ah! A fila não andava; eu tinha a senha 738, porque cheguei às 10h. Que segunda-feira lúdica, aquele dia 07 de maio de 2007! Chegou uma mulher grávida; logo após, chegou também uma senhora idosa e um policial. E pela ordem de prioridade, o caixa chamou primeiro o policial devidamente fardado. A idosa se acomoda logo atrás, e a gestante, a seu lado. Nascia ali um amontoado dos especiais, os que não precisam de senha. Nós outros, devidamente credenciados, com uma senha empunhada, apenas assistíamos impotentes o desenrolar do procedimento. Chega mais um idoso, outro e mais outros; uma grávida, outra e mais outras. Sem falar que todo instante se achegava ali qualquer um para pegar alguma informação aleatória; era rápido, mas interrompia. Recuso-me a reproduzir o que ouvi naquela fila discriminada, coisas que donzela, de alguns tempos atrás, não podia ouvir.            Logo um cidadão, mais exaltado, pega o aparelho celular e liga para o 0800 recomendado, fala e fala “coisa com coisa” e saiu pisando duro como quem estava muito ofendido. 
           De tão cansado desejei ardentemente que alguém desocupasse uma cadeira, daquelas ali da direita. Finalmente desocuparam duas na primeira fileira, corri para uma, e uma criança pegou a outra vizinha. Em seguida, a mãe daquela criança toma-lhe o acento e a coloca no colo. Ela insatisfeita chora e esperneia tanto que chamou a atenção de todos; eu indisposto a levar pontapés, tive que me levantar para ter um pouco de paz. O interessante é que aquela senhora tratava a malcriação do filho com muita simpatia, e, para fazer bonito na frente do povo, então resolveu ficar em pé, deixando-o sozinho espaçosamente e esparramado nas duas cadeiras acolchoadas, enquanto ela, a mãe, e uma dezena de pessoas ali, estufando as varizes. 
           De repente, zera-se o cronometro contador de senha! Os berros aumentaram! Agora, até aquela mãe perde o equilíbrio e xinga palavrões diante de seu filho, que já estava mais calmo. Eu, porém, descarregava a tensão, sorrindo daquilo tudo. Passados, mais ou menos, quinze minutos e o contador voltou marcar a sequência de onde parou. Ufa! Deram um jeito, que bom!
         Finalmente chegou minha vez, meu número apareceu ali no painel eletrônico, que felicidade! Só tinha que esperar o atendimento de mais dois pendentes que voltaram para o atendimento extraespecial: aqueles que ficaram devendo documento, pois já estiveram na fila. Foi aí, que com um ar da mais fina ironia, perguntei ao caixa atendente que acabara de chegar porque o anterior saiu para almoçar:

           — Nunca coincide de os dois estarem atendendo ao mesmo tempo?

           Nada me respondeu! Então, comparei o trabalho da dupla como em uma meia maratona de revezamento, até porque, o atendente anterior tinha percorrido aproximadamente 10 km, indo e vindo num espaço de 5m, do seu caixa à gaveta que portava as moedas para troco. É... E como sempre se precisa de troco! Este é meu troco pelas horas de passiva improdutividade. As pessoas produtivas, que mais precisam do seu tempo de vida útil para trabalhar, são as que mais perdem tempo por métodos abusivos que tolhem sua fluidez: filas únicas. Entendi que os ditos normais também são discriminados.
Claudeko

Publicado no Recanto das Letras em 27/05/2009

Código do texto: T1616957


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27/05/2009 07:53 - Amélia Aragão
Acompanhei você em toda essa trajetória. Já estive em situações iguais e sei como é. Finalmente você pagou o boleto... Parabéns pela crônica. Um forte abraço e um ótimo dia.



domingo, 21 de fevereiro de 2010

A NOVA ESCOLA É DE TEMPO INTEGRAL? (O modismo se passa por restauração.)

Crônica

A NOVA ESCOLA É DE TEMPO INTEGRAL? (o modismo se passa por restauração.

domingo, 21 de fevereiro de 2010
Por Claudeci Ferreira de Andrade

            Refletindo sobre uma tal nova escola, um pouco mais sobre a escola sonhada por toda a sociedade, aquela da moralização do ensino, penso que essa só seria possível se se fizesse novo o aluno, é tudo o que necessitamos: De quem se valorize e valorize também o que de bom ainda resta no sistema educacional. Falo de mecanismos totalmente novos, funcionando a partir dos velhos, para produzir homens devidamente educados. Então, pensando assim, concluo, na verdade, não é de uma nova escola que precisamos, mas de uma escola restaurada. E o objetivo de uma escola restaurada está no sentido de reorganizar o que já se tem, resgatando o perdido na “sofisticação” implantada por pessoas sem escrúpulos, egoístas que legislam em causa própria, uma minoria por assim dizer, mas com poder. Teorias pedagógicas contemporâneas já gritam por socorro, são incompetentes demais para o tão nobre objetivo: Racional-tecnológica; Neocognivistas; Sociocríticas; Holísticas; Pós-modernas. Mesmo essas ditas novas, elas produzem uma falsa sede de mais novidade como uma droga que requer cada vez maiores doses, para saciar a necessidade do organismo, para manter melhores graus de excitabilidade, ilusão destrutiva.
            Creio no Salomão quando disse: “A história sempre se repete. Não há nada verdadeiramente novo no mundo. Tudo já foi dito ou feito antes, você pode mostrar alguma coisa nova? (...)” ( Ec 1:9 BV). Penso que quando os ditadores de “inovações” para educação se arriscam cegamente em busca do novo, eles perdem sua capacidade intuitiva para saber o que é certo e o que é errado, perdem a consciência íntima, aquela que os fazia sentir culpados e infelizes quando erravam. Quem pretende enganar a si mesmo, também engana com muita facilidade e destreza os outros. O governo não consegue nem oferecer um turno com qualidade, pretende ocupar os alunos nos dois turnos, deveria sim está preocupado, pelo menos, em atender a demanda social que já é alguma coisa, não deixando alunos fora da escola enquanto outros ocupa a escola em tempo integral só para brincar e comer. No momento que já se fala em quatro turno... 
             Todos nós sabemos que a hostilidade ao tradicionalismo é um erro. Ainda deve ter muito sentido o que funcionou em tempos que a educação tinha respeito e credibilidade, quando a função do professor e o papel da escola eram valorizados! Mas, com um passo de mágica, a maioria dos teóricos da escola sentiu a necessidade de refazer tudo em torno de si! Aí, então, a fome e a sede do novo excomungaram o pensar tradicional.
            O urgente, agora, é a necessidade de inserção das novas tecnologias na seriedade tradicionalista, que é diferente da barbárie presenciada no “Momento Novo”, onde é proibido proibir.
               Ou será que um organismo maduro, bem vestido e assistido, não tenha mais a capacidade de produzir um novo ser ideal? Seja qual for a tarefa assumida pela escola, ainda que seja em tempo integral, se não produzir novos homens, perdeu seu objetivo e, sem norte, vira apenas depósito de aluno. Fica evidente que a qualidade do ensino em período integral depende da capacidade do governo em fornecer um bom ensino em período parcial. É necessário garantir a melhoria da educação básica antes de expandir a oferta para tempo integral. Além disso, é importante considerar outras questões, como a qualificação dos professores, o espaço físico das escolas e o fornecimento de alimentação adequada para os alunos. O modismo se passa por restauração!  E muito mais, tira-se das crianças o direito da companhia da família o dia todo e de todos os dias, ou seja, privadas do que mais amam, deterioram-se!
           Devia-se começar a reforma do Ensino Médio não pelo o desenho estrutural, mas pela a educação do aluno. Nos meus 34 anos lecionando, nunca vi um alunos agradecer o professor, no final da aula, por aquela aula, mas já vi muitos xingamentos, e repulsas: "Graças a Deus porque a aula terminou". Se a aula foi ruim. o que eles fizeram para contribuir e melhorar? Sim, tenho ouvido quase todos os dias: "são nossos impostos que pagam seu salário, por isso é obrigado nos suportar". Se é realmente dessa forma, apenas revelam que são péssimos patrões e alunos.
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 21/02/2010
Código do texto: T2099369

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sábado, 13 de fevereiro de 2010

CADERNINHO DE PLANO DE AULA: O Roteiro do Naufrágio — Do Giz à Auditoria ("Controle o seu destino ou alguém controlará." — Jack Welch )





Crônica

CADERNINHO DE PLANO DE AULA: O Roteiro do Naufrágio — Do Giz à Auditoria ("Controle o seu destino ou alguém controlará." — Jack Welch )

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Sempre vislumbrei no magistério uma missão análoga à medicina: ambos educam para a saúde da vida coletiva. No entanto, o sistema parece empenhado em transformar o cirurgião do intelecto em um mero carimbador de formulários. Imagine um médico do SUS — já sufocado por metas e protocolos — sendo impedido de operar porque não entregou um plano minucioso prevendo cada batimento cardíaco do paciente. Na saúde, a sociedade ainda preserva a autonomia do especialista; na educação, o neoliberalismo impôs o "gerencialismo" (o famigerado New Public Management), convertendo a escola em uma repartição auditável onde o "planejamento" não serve ao aluno, mas ao fiscal.

A comparação é amarga: dizem que o aluno quer apenas a aprovação com o menor esforço, enquanto o paciente anseia pela cura. Mas sejamos honestos: essa apatia discente não é causa, é sintoma. O aluno é a primeira vítima dessa engrenagem que transformou a descoberta em uma linha de montagem de competências rasas. Quando coordenadores — muitas vezes reduzidos pelo sistema a auditores e vigias — exigem planos anuais, semanais e "alternativos" sob ameaça de bloqueio salarial, eles não estão zelando pelo ensino. Estão alimentando uma burocracia de controle que, ironicamente, retém o caderno de planejamento por dias, deixando o professor lecionar "sem bússola" enquanto o papel descansa em uma gaveta administrativa.

Criticar essa função de vigilância não é um ataque à Pedagogia, mas à sua deturpação burocrática. O problema não é o planejamento em si — instrumento vital para a reflexão —, mas o planejamento como fetiche, como "caderninho enfeitado" para satisfazer tutores e promover aparências. Como defende Henry Giroux, o professor deve ser um intelectual transformador, não um executor de scripts. Um bom esquema, construído no diálogo e na colaboração dos alunos, vale mais do que mil páginas de um RODA (Roteiro de Didática Aplicada) que ignora a realidade pulsante da sala de aula.

A metástase desse controle chegou com a tecnologia: o diário eletrônico prometia liberdade, mas trouxe apenas noites insones "enchendo linguiça" digital para mascarar o fato de que o aluno semianalfabeto é o resultado real desse desleixo institucionalizado. Se o objetivo é o sucesso, John Ruskin já alertava: para ser feliz, o homem não deve trabalhar demais e deve sentir o êxito do seu esforço. Hoje, sentimos apenas o peso de uma engrenagem que privatiza o sucesso e socializa o fracasso.

Edito este texto anos depois, vendo a profecia do RODA se consolidar em Goiás. Não precisamos de mais formulários; precisamos de autonomia, financiamento e dignidade. A resistência não é individual, é um coro. Pois defender a liberdade de ensinar não é corporativismo — é a última trincheira de uma sociedade que ainda ousa pensar.


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Como seu professor de Sociologia, trago hoje uma análise sobre a Sociologia das Organizações e o Mundo do Trabalho. O texto que lemos critica como a escola está sendo gerida como se fosse uma empresa, focando mais em papéis do que em pessoas. Aqui estão 5 questões para exercitarmos nosso olhar crítico sobre o sistema educacional:


1. O Conceito de Gerencialismo (New Public Management) O texto afirma que o "gerencialismo" transformou a escola em uma "repartição auditável". Questão: Na sociologia, como esse modelo de gestão empresarial (focado em metas, auditorias e resultados mensuráveis) altera a relação entre o professor e o seu trabalho? A educação deve ser tratada como um "serviço" ou como um "direito humano"?

2. Apatia Discente: Causa ou Sintoma? O autor argumenta que o desinteresse do aluno ("querer apenas a aprovação") é um sintoma de um sistema que transformou a educação em uma "linha de montagem". Questão: Explique como a padronização do ensino e a burocracia excessiva podem destruir a curiosidade natural do aluno e sua vontade de aprender.

3. Autonomia Profissional e Vigilância. O cronista compara o professor ao médico, notando que a sociedade valoriza e confia mais na autonomia do médico do que na do docente. Questão: Por que o sistema educacional prefere transformar coordenadores em "vigias de papéis" em vez de parceiros pedagógicos? Quais são as consequências da perda de autonomia para o profissional que está na ponta do sistema (a sala de aula)?

4. O Fetiche do Planejamento. O texto distingue o "planejamento como reflexão" do "planejamento como fetiche" (o caderninho enfeitado para o fiscal ver). Questão: De acordo com as ideias de Henry Giroux citadas no texto, o que significa o professor ser um "intelectual transformador" em oposição a ser um mero "executor de scripts"?

5. Tecnologia e Intensificação do Trabalho. O autor menciona que o diário eletrônico e as novas tecnologias trouxeram "noites insones" em vez de liberdade. Questão: Como o uso da tecnologia na educação pode ser usado para aumentar o controle burocrático sobre o professor (a "metástase do controle") em vez de facilitar o processo de ensino-aprendizagem?

Dica do Prof: Para responder, pensem no conceito de Alienação de Marx — quando o trabalhador perde o sentido do que está produzindo porque está focado apenas em cumprir etapas burocráticas e manuais.

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

ENTÃO, DEUS É PERFEITO? (O Deus de Maomé é o mesmo do, de Jesus? Islamismo é o mesmo que Cristianismo? Palestinos é o mesmo que Judeus? Alcorão Sagrado é o mesmo que Bíblia Sagrada?Ou do que está me falando?)




Crônica Filosófica

ENTÃO, DEUS É PERFEITO? (O Deus de Maomé é o mesmo do, de Jesus? Islamismo é o mesmo que Cristianismo? Palestinos é o mesmo que Judeus? Alcorão Sagrado é o mesmo que Bíblia Sagrada?Ou do que está me falando?)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

           Um organismo perfeito não perdoa células defeituosas, elimina-as.  Ainda  fanáticos me dizem que Deus perdoa, Perdoar é tolerar o defeituoso na esperança que lhe seja útil. Outros admitem que Ele perdoa, sim, mas não elimina as consequências. Que perdão é esse? A menos que esse Deus seja humano demais, ou seu conceito de perfeição não seja o da Bíblia ou do Alcorão! E o pior de tudo é quando dizem que Ele se submete a regras de barganhas para conceder-lhes níveis apurados de perdão (indulgências plenárias). "Perdoa a nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem tem nos ofendido" (...Assim como perdoamos... é um referencial podre!), acho que Cristo não pode ter ensinado isso. Como pode ter dito, então, sede perfeitos como é perfeito o vosso pai que está no Céu? Que se conforte os fanáticos na ilusão do céu e deem seus "jeitinhos brasileiros" para gozar de um paraíso perfeito como segunda, terceira, quarta... intenções! Ou como recompensa das 70 vezes 7 que perdoaram os irmãos, ou ainda por graça de quem se lhes perdoou. E até agora, se vangloriam, dizendo: Meu Deus não é um Deus de confusão! (I cor 14:33). Com+fusão (Com = condição de companhia/ Fusão = união total, combinação íntima). Ou as traduções da Bíblia e do Alcorão são outros textos, cada vez mais distantes do original? Onde está a palavra de Deus, senão nas "folhas" da natureza!?
           Quem é seu Deus? O meu é indefinível, inconceituável e sem sentimentos, não sei dEle, mas de uma coisa sei, não me pareço com Ele. Mas, Lhe sou útil, senão eu não estaria aqui. sinto-O e a pouca sensibilidade que é permitida a meus sentidos que nem sei traduzi-las, não está à venda. Portanto essa minha preocupação já é uma forma de senti-Lo, o que com certeza já lhe incomoda bastante. Então vou parar por aqui. Os que são imagem e semelhança de Deus o são para defendê-lo. Já meu Deus não se importa comigo, de forma particular e exclusiva, senão eu estaria em melhor condição que você. "Uma visita ao hospício mostra que a fé não prova nada." (Friedrich Nietzsche).
           Esse tal Deus cultuado pelas igrejas tão pelejadas é paradoxal demais para minha mente. Disseram-me que era tão onipresente que não podia está ausente; Tão onipotente que fez o livre-arbítrio do homem e não pode tocá-lo; Tão onisciente que não sabia que Lúcifer ia se rebelar. E Deus me livre dos adoradores de Deus perfeito que precisam defender seu Deus, maltratando portadores de livre-arbítrio dado por Deus.
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 12/02/2010
Código do texto: T2084565

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06/03/2010 09:46 - Silvia Regina Costa Lima
Como vai, poeta?****Bom Dia! Vim te conhecer** Algumas questões só podem ser respondidas pelo próprio ser que questiona, pois, por mais que coloquemos algumas reflexões, nunca será a esperada por ele. Ela mora no âmago de cada ser.*** Como lidar como dogmas e credos é questão íntima, pessoal e intransferível... ***seu texto ficou muito reflexivo *****Há “Joana D’Arc” em meu poema/personagem de hoje **** Um beijo azul


03/03/2010 19:09 - Francismar Prestes Leal
Reflexão profunda, caro colega! Deus é perfeito, o homem... Abraços!


12/02/2010 23:57 - Só Edvar
Essa historia,ou estoria da muito pano pra manga.muito bom seu texto.abraços.



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

DE MORTE MARCADA (E, não pedi para nascer! )









        




Crônica Filosófica

DE MORTE MARCADA (E, não pedi para nascer! )

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Claudeci Ferreira de Andrade
         

           Sou um curioso da numerologia, estudo há muito tempo o relógio da vida e a sua relação com o ritmo processual da morte na indicação do números, pesquisando sobre o meu próprio nascimento e na história dos que já morreram, e as eventualidades do desenrolar do cotidiano, descobri que aos 56 anos, eu estou atravessando uma curvatura de minha vida. É a idade (trevo do caminho) mais difícil de minha vida! Preciso de muito cuidado e torcer para nada pior possa me acontecer. Estou me cuidando mais e me precavendo para a travessia de 2015. Se Deus tiver misericórdia de mim, a outra curva só acontecerá aos 74 anos, outra marcante, aos 92 anos e finalmente o fim. Eu não quero deixar meus amigos que tanto me ensinaram ser bom e ao meus inimigos competente que me ensinaram as maldades requintadas que usei e uso contra eles mesmos. Minhas desculpas a todos se não sou útil o suficiente, é minha intenção sê-lo! Espero que o Espírito de yehoshua dê-me a oportunidade de consertar o que ainda não consegui!
            Todos têm seu dia certo para morrer, não acredito em cura definitiva ou ressurreição. Se alguém foi curado, digamos que esse alguém apenas atenuou seu sofrimento, mas morrerá exatamente quando tiver que morrer. Já dizia o poeta e astrólogo romano do século I d.C. Marcus Manilius: "Começamos a morrer no momento em que nascemos, e o fim é o desfecho do início."Ou se fosse realmente possível a cura definitiva nenhum médico morreria ou adoeceria, ou ainda seria possível ao homem manipular os planos de Deus? Ou as determinações de Deus são todas condicionais? Se as respostas forem positivas e se assim for realmente, as condições e possibilidades dos acontecimentos tornam-se Deus! Ficar velho é prova maior de que células não ressuscitam, não se curam e não postegam a vida, morrem sempre na idade programada, nascem outras no lugar, mas com potencial menor. Nem a lagartixa que regenera o rabo é eterna. Uns têm que morrer para outros viverem! Tanto o nascer como o morrer está cronometrado pelo relógio do Eterno. Que vantagem tem alguém ressuscitar para morrer novamente? Isso é insano! Por isso uma pessoa aliviada do câncer, não estará livre dele. Como Deus poderia transgredir suas próprias leis?
           Agora estão falando de transplante de cabeça, certamente perceberão que a reencarnação por metade será possível ou o espírito e o corpo não é o que a religião prega: "corpo templo do Espírito Santo"! http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2015/05/medico-diz-ser-possivel-realizar-1-transplante-de-cabeca-em-dois-anos.html (acessado em 02/10/2015).
            Um cientista russo injetou-se com uma bactéria que sobreviveu durante 3,5 milhões de anos no permafrost, o gelo eterno da Sibéria. Anatoli Brouchkov, de 58 anos, trabalha com mais energia e não se constipa há 2 anos. O que ele não entendeu é que a eternidade vem do macro para o micro, não o contrário. O "Bacillus F" estava viva nos restos do cérebro congelado de um mamute, mas o mamute estava morto. 
          Jonathan Swift está repleto de razão quando diz que "quando um verdadeiro gênio se mostra ao mundo, reconhece-se logo da seguinte maneira: todos os idiotas se juntam e conspiram contra ele". YHWH, entrego minha vida a Teus cuidados! Escolha, ô Deus, para mim, uma morte que me é digna, pois não pedi para nascer! Contudo faça-se a Tua vontade, quando bem entender. "Quando chegar a hora de morrer não quero perder nem um segundo: morre-se apenas uma vez."(A. Amurri). Mt.6:27. "Qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar algum tempo à jornada da sua vida?"           
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 07/02/2010
Código do texto: T2074999

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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Aluno, Cliente de Professor




Crônica

Aluno, Cliente de Professor

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Claudeci Ferreira de Andrade
         Não sei se sou só mais um diabo no inferno ou se sou apenas um anjo do bem sem o paraíso. Acostumado com essa temperatura do sexto ao nono grau; hoje, logo no início do dia, recebi uns elogios exagerados, senti-me feliz, mas como alegria de pobre dura pouco, não posso me esquecer das precauções dos infernos. Contudo, crivado de "setas malignas", o que não tem nada que ver com o ser incompetente ou não, mas logo depois, já no final da tarde, chamei a atenção de um aluno do 8º ano, com cuidado e jeito; ele me ameaçou de denunciar à Secretaria de Educação! Quem ensinou para ele que os próprios do sistema não são unidos? Ficou claro que ele queria o direito de perturbar a aula e criar confusão na escola, pelo que entendi, ele alimentava a esperança de prevalecer, pois não se acanhou em assumir essa postura em público. Queria aparecer de qualquer forma. Fez tudo para afastar a atenção dos colegas da aula e conseguiu.
         Até eu um homem maduro, ou melhor, "podre"já! Não me mostrei disposto a pôr fim à minha condição de bancarrota diante da classe, naquela ocasião. Fingi que não estava acontecendo nada e continuei tentando ensinar alguma coisa boa naquela aula. Qualquer professor, de alguns anos de experiência,  faria o mesmo, porque este aluno veio treinado das séries anteriores, fizeram dele o que ele é agora, e em tantos outros aplicou a mesma fórmula e funcionou, deixando os atores da educação afastados do centro de si mesmo e do seus esforços próprios para retornar aos objetivos nobres do ensinar fácil.
          O poder repousa no aluno, sim, não em nós mesmos. O poder envolve o usufruto dos "favores obrigatórios"; mas, é mais do que assentimento a conteúdos didáticos. O poder estabelece-se no aluno em estar presente na escola, produzindo ou não, estando presente é o que importa e é louvado por isso. Ai de mim, se esse aluno deixasse de frequentar as aulas por minha causa. Mas, isso dói muito porque ele na aula, muitas vezes, também está ausente! Ainda me recuso fazer de mim mesmo aquilo que eles podem fazer.  — não é pessoal – justificou ele – é que não gosto de Português.
         Parafraseando Rudyard Kipling, eu diria que o professor mais idiota do mundo pode disciplinar um sábio aluno. Mas, é preciso um professor extremamente sábio para disciplinar um aluno idiota. A autoridade dos professores consiste em nos tornarmos inteiramente ausentes de nós mesmos e levar-nos de volta à autodesconfiança, induzindo-nos a total dependência dos alunos. Somos um com eles. Para não dizer definitivamente: o cliente sempre tem razão!


Claudeko
Encaminhamento de Percepção


1) "A alegria de pobre dura pouco". Nesse caso o narrador disse que a ameça do aluno entristeceu seu dia. O que mais no colégio acaba com a alegria das pessoas?
2) É normal as pessoas fingirem que não foram ofendidas para evitar maiores problemas relacionais. Essa atitude é própria de que tipo de pessoa? E por quê?
3) Que tipo de poder o aluno tem e qual seria a atitude que promove o verdadeiro poder? E o poder do Professor?
4) Explique o parafraseado ao pensamento de Rudyarde.
5) Faça um paralelo para explicar melhor como o aluno se assemelha a cliente. E por que o cliente sempre tem razão?
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 02/02/2010
Código do texto: T2065967


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