Crônica
PROFESSOR RUIM, COORDENADOR BOM, ALUNO ESPERTO ("Todas as pessoas cruéis descrevem-se como modelos de sinceridade." — Tennessee Williams)
Reeditado em 19/01/2013
Código do texto: T3837872
Classificação de conteúdo: seguro
Comentários
RIDICULARIZAR PARA APERFEIÇOAR: NINGUÉM PODE IMPEDIR QUE EU CONTE O QUE CONTECEU COMIGO, APENAS TENHA CUIDADO PARA NÃO TROPEÇAR NAS COVAS profundas DE MINHAS "PISADAS". O QUE SERIA ASSÉDIO MORAL? É a exposição dos trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras, de um ou mais chefes desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho. “Eu sou um castigo de Deus. E se você não cometeu grandes pecados, Deus não teria enviado um castigo como eu.” ―Gengis Khan
Crônica
Comentários






Crônica
Comentários
![]() | Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (autoria de Claudeci Ferreira de Andrade,http://claudeko-claudeko.blogspot.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas. |

É costume da escola celebrar o Dia dos Pais no segundo domingo de agosto. Naquele ano, porém, a data escorreu para um sábado — sábado letivo, esse híbrido curioso que tenta conciliar trabalho e festa, lição e recreio, obrigação e afeto. A proposta era simples: matar dois coelhos com uma cajadada só. Para os alunos, atividades; para os pais, brincadeiras educativas. No fundo, uma aula disfarçada de confraternização.
Vieram poucos. Sábado de manhã não perdoa: muitos pais trabalham, outros correm atrás do que falta em casa. Ainda assim, os que vieram chegaram por inteiro — solícitos, participativos, presentes. A eles, nossa gratidão sincera. Talvez atraídos pelas lembrancinhas, talvez pelo desejo silencioso de confirmar, diante dos filhos atentos, o papel de herói cotidiano. E ali estavam as crianças, aplaudindo com fervor, como se aquele gesto fosse suficiente para organizar o mundo.
Mas a vida não se deixa domesticar por jogos escolares. Nos rostos dos que perderam as competições, os sorrisos se apagavam cedo demais; nos vencedores, a alegria se espalhava larga, quase excessiva. É assim também fora dos muros: para alguns ganharem, outros precisam perder — ainda que ninguém diga isso em voz alta num pátio enfeitado.
Eu observava tudo à distância, junto aos outros professores, enquanto a colega de Educação Física conduzia a programação. Sentia aquela sensação enganadora de dever cumprido, como quem acredita, por instantes, que planejar bem já é quase transformar a realidade. E é curioso como, às vezes, basta tão pouco para acender a felicidade.
Chorei quando uma aluna, pequena e séria, leu o texto que ela mesma escrevera sobre o pai. Ali estava, com uma colher de pedreiro na mão e a camisa dele no corpo, celebrando não o luxo, mas a dignidade do trabalho. Um anjo improvisado, sustentado pelos braços fortes de um homem simples. Naquele instante, a educação deixou de ser teoria e virou gesto. Prometi dois pontos pela atividade de Língua Portuguesa — e nunca uma nota me pareceu tão justa. Foi num sábado, desses que não contam como dia útil, mas que ensinam mais do que muitos outros.
Depois da festa, veio o silêncio.
No mesmo sábado, ao final da programação, ocorreu também a entrega dos boletins dos alunos abaixo da média. Quase nenhum responsável compareceu. Como sempre, permaneceram os pais dos alunos aplicados, presentes mesmo quando não há aplausos. Atendi o nono ano: apenas três boletins foram retirados. Os outros vinte e sete retornaram, mudos, à secretaria, selados em envelopes que pareciam carregar mais ausência do que papel.
O desvio desta crônica é proposital. É no pós-festa que a realidade se impõe. Pergunto-me, ainda hoje, se fui injusto ao considerar aquela turma o pior nono ano que já lecionei. Quis escrever sobre eles — sobre o que vi, ouvi e senti, sobre a forma como me atravessavam diariamente — e falhei. As palavras me faltaram. Talvez não por incompetência, mas por cansaço. Há ausências que secam a inspiração.
Resta-me, então, ecoar a lucidez amarga de Silvia Regina Costa Lima: “Penso que o mundo escolar desabou de uma tal forma que não sei se haverá volta algum dia. É tudo dolorido e sem nenhum interesse em nenhuma das partes. Eu vejo, sinto, leio, analiso e gostaria muito que fosse diferente, como gostaria! A crônica não é ruim... ruim mesmo é este tempo moderno... este tempo...”
Talvez seja isso. A crônica resiste. As circunstâncias, nem sempre.
-/-/-/-/-/-/-/-/-/-/-/-/-/-/-/-/-/-/-/
Sou seu professor de Sociologia e hoje vamos analisar essa crônica emocionante e realista que nos convida a pensar a escola além dos muros e das festas. O texto aborda temas fundamentais como a relação entre família e escola, a influência do trabalho na vida social e a crise da instituição escolar na modernidade. Preparei cinco questões discursivas para que possamos exercitar nosso olhar sociológico sobre essa narrativa:
1. O Tempo do Trabalho e o Tempo da Escola
O autor menciona que muitos pais não compareceram ao "sábado letivo" porque estavam trabalhando ou cuidando de tarefas domésticas. Do ponto de vista sociológico, como as condições socioeconômicas e a organização do mercado de trabalho atual impactam a participação das famílias na vida escolar dos filhos?
2. A Escola como Espaço de Competição
A crônica observa que, nos jogos escolares, "para alguns ganharem, outros precisam perder". Como essa dinâmica de competição dentro da escola pode ser vista como um reflexo da lógica meritocrática da sociedade capitalista? Explique o conceito de "currículo oculto" presente nessa observação.
3. Trabalho Manual e Identidade Social
A cena da aluna que homenageia o pai pedreiro usando uma "colher de pedreiro" e a camisa dele comove o narrador. De que forma a escola pode atuar tanto como um espaço de reprodução de preconceitos de classe quanto como um ambiente de valorização da dignidade do trabalho braçal?
4. Desigualdade Educacional e o "Pós-Festa"
O narrador aponta uma diferença gritante entre a frequência na festa de Dia dos Pais e na entrega de boletins de alunos abaixo da média. Como o conceito de "capital cultural" (de Pierre Bourdieu) pode nos ajudar a entender por que famílias de alunos com dificuldades escolares tendem a estar menos presentes na instituição?
5. A Crise da Instituição Escolar na Modernidade
O texto termina com uma citação sobre o "desabamento" do mundo escolar e um sentimento de desinteresse generalizado. Quais fatores sociológicos contemporâneos (como a aceleração do tempo ou a mudança nos valores familiares) contribuem para essa sensação de crise e "falta de sentido" na educação mencionada pelo autor?
Crônica
Comentários

![]() | Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (autoria de Claudeci Ferreira de Andrade,http://claudeko-claudeko.blogspot.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas. |
Crônica
É incrível como existem muitos professores na rede pública favoráveis à Progressão Automática dos alunos, ou seja, acham errado reprovar. Só porque reza na LDB. E esses mesmos são os quais mais reclamantes da indisciplina dos alunos, questionando-se de quem é a culpa dessa atual desordem na escola. Então, eu lhes respondo: A NÃO REPROVAÇÃO GERA INDISCIPLINA; desmerece os alunos que se esforçam; aprova aluno que não faz nada; estabelece impunidade aos bagunceiros; inutiliza o empenho dos bons professores; desmotiva o ambiente de aprendizagem; não cria exemplos à dura vida em sociedade; faz das escola "depósito" ou "playground". Pois o objetivo deles é passar de série, se eles têm essa garantia por pouco esforço, e nada mais lhes ameaça deter a jornada, "deitam-se e rolam". E por final, A INDISCIPLINA GERA A NÃO APRENDIZAGEM, porque não é possível transmitir conhecimento algum se estão desconcentrados nem escutam o professor, só querem falar e "zoar". Importa mesmo é se mostrar como artistas em um show! E a NÃO APRENDIZAGEM GERA futuros INCOMPETENTES das políticas EDUCACIONAIS; os que fazem as leis frouxas, regentes da educação pública. Já dizia o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: "Se a pessoa não consegue produzir, coitado, vai ser professor. Vai dar aula a vida inteira." Será se ele estava querendo dizer que quem não consegue exercer nenhuma outra profissão se torna professor? (http://vermelho.org.br/noticia/251307-1). (acessado em 30/03/2018).


![]() | Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (autoria de Claudeci Ferreira de Andrade,http://claudeko-claudeko.blogspot.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas. |
Texto
Como posso ser responsável por alguém que conquistei, se essa pessoa, a quem amo, não retorna? Se me perdoa, é porque ainda me quer. Portanto, não se engane exigindo que eu esqueça a partida. O perdão só permanece vivo quando é alimentado pela lembrança do erro. Por isso existem as cicatrizes. Jamais podemos removê-las completamente de nossa vida, pois, se o fizermos, esqueceremos da dor do ferimento e deixaremos de desejar, com sinceridade, a cura completa. Ou então, tornamo-nos vulneráveis demais aos mesmos erros.
ALINHAMENTO CONSTRUTIVO
1. Amor, Perdão e Cicatrizes:
O texto apresenta uma reflexão sobre o amor, o perdão e as cicatrizes. Explique como esses três elementos se relacionam entre si.
De acordo com o autor, qual a importância de manter as cicatrizes do passado?
Como o perdão pode ser visto como um processo vivo e alimentado pela lembrança do erro?
2. Responsabilidade e Erros do Passado:
O autor questiona sua responsabilidade em relação a alguém que ama, mesmo que essa pessoa não retorne seus sentimentos. Você concorda com essa visão? Por quê?
De que forma podemos lidar com os erros do passado sem nos deixarmos definir por eles?
É possível esconder os erros do passado de todos? Quais as consequências de tal atitude?
3. Hipocrisia e Autoimagem:
O autor critica a hipocrisia de tentar convencer os outros de que somos boas pessoas, quando na verdade não nos sentimos assim. Você concorda com essa crítica? Por quê?
Como a hipocrisia pode afetar nossa autoimagem e nosso relacionamento com os outros?
É possível construir relacionamentos autênticos sem lidar com nossas próprias falhas e imperfeições?
4. Observação e Interpretação:
O autor descreve a experiência de se sentir observado no restaurante e como isso o levou a escrever o texto. Já viveu alguma situação semelhante? Como você interpretou essa experiência?
Qual a importância da observação e da interpretação dos sinais ao nosso redor?
Como podemos usar a autorreflexão para entender melhor nossas emoções e comportamentos?
5. Desafios e Superação:
O autor menciona diversos desafios que enfrenta, como a sensação de ser vigiado, a inveja e as discussões sobre seu passado. Quais estratégias você utilizaria para lidar com essas situações?
Como podemos transformar os desafios em oportunidades de crescimento e superação?
Qual o papel da resiliência na construção de uma vida mais plena e significativa?
Reflexão Adicional:
O texto apresenta uma visão complexa sobre as relações humanas, o amor, o perdão e os desafios da vida. Você se identifica com as reflexões do autor? Por quê?
Quais lições podemos aprender com este texto sobre como lidar com as nossas próprias emoções, erros e relacionamentos com os outros?
Quem divulgar textos vinculados a autor Desconhecido é no mínimo um golpista: destrói o que não pode possuir, nega o que não compreende, insulta o que inveja. ![]() |
É terminantemente proibido copiar os artigos deste blog. Leia a nossa licença. Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do código penal. Conheça a Lei 9610. |
@raizesconhecimento A Era da Tolerância como Mordaça Não se engane: a tolerância de hoje não liberta, ela cala. O que chamam de respeito virou censura disfarçada, e a verdade, quando dói, é tratada como crime. Vivemos num tempo em que a ignorância se organiza e obriga os sábios a se calarem. Pensar virou rebeldia — e poucos têm coragem de pagar o preço da lucidez. #ReflexãoProfunda #Dostoiévski #LiberdadeDePensamento #CríticaSocial #Filosofia ♬ som original - Raízes do Conhecimento