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MINHAS PÉROLAS

sábado, 12 de novembro de 2022

DESCONFIE DOS VIRTUOSOS ("De nada adianta a liberdade se não temos liberdade de errar." — Mahatma Gandhi)

 


DESCONFIE DOS VIRTUOSOS ("De nada adianta a liberdade se não temos liberdade de errar." — Mahatma Gandhi)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Por que devo confiar nos filósofos de antigamente, muitos deles sem diplomas formais e ainda cultuados por admiradores “démodé”? Talvez o conselho bíblico faça sentido: "Examinai tudo. Retende o bem." (1 Tessalonicenses 5:21). O conhecimento humano se renova nesse fluxo contínuo de ideias que atravessam épocas, passando de cabeça em cabeça, de boca em boca. Assim, o passado se depura em suas próprias impurezas até restar apenas o cerne — não sem antes exigir o difícil equilíbrio entre os excessos. No fundo, a harmonia não é um estado definitivo, mas um movimento ritmado; quando o pêndulo se imobiliza, a estagnação se impõe.

Nesse mesmo ritmo, os excessos — de sobra ou de falta — funcionam como combustível da transformação. Cada erro abre espaço para novas tentativas, pois a resolução de uma falha inicial costuma ser o convite para continuar afinando o próprio caminho. Como nos jogos de azar, em que o dinheiro se vai, mas as experiências permanecem, a vida também se organiza em ciclos de ganhos e perdas. Há momentos de conquista e, inevitavelmente, momentos de queda. O valor reside na ousadia da tentativa, que sustenta a persistência: dói menos a frustração de errar do que a vergonha de jamais ter tentado. Paradoxalmente, só reconhecemos o acerto depois de medir as consequências; muitas vezes precisamos repetir o erro para confirmar que, de fato, era erro.

Essa dinâmica revela que, quanto mais leis criamos, mais transgressões surgem. A frase de Raul Seixas ressoa com precisão nesse cenário: "Só há amor quando não existe nenhuma autoridade." Talvez por isso seja mais fácil compreender aqueles que desafiam normas; no fundo, estão testando limites para aprender a lidar com a própria liberdade. São aprendizes que, ainda que se sintam mal amados, praticam no cotidiano o sentido das regras, vivendo a tensão constante entre obediência e autonomia.

No fim, compreender esse movimento — entre tradição e renovação, acerto e falha, ordem e rebeldia — é reconhecer que a vida pulsa justamente na oscilação do pêndulo. Nada permanece intacto, e é nesse vai e vem que amadurecemos. Examinamos, retemos o bem, descartamos o que não serve e seguimos adiante, conscientes de que o equilíbrio não é uma parada, mas um percurso em contínua construção.

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Como seu professor de Sociologia, o texto que acabamos de ler nos convida a refletir sobre a renovação do conhecimento, o equilíbrio entre ordem e excesso, e o papel da tentativa e erro no amadurecimento individual e social. Preparei cinco questões discursivas simples que exploram esses conceitos à luz da Sociologia e da Filosofia. Lembrem-se de fundamentar suas respostas nas ideias e metáforas do texto.

1. Tradição, Renovação e o Pêndulo do Conhecimento

O texto questiona a validade de confiar em filósofos antigos e sugere que o conhecimento humano se renova em um "fluxo contínuo de ideias", onde o passado se "depura em suas próprias impurezas". Essa dinâmica é comparada a um "movimento ritmado" de um pêndulo. Explique a metáfora do pêndulo aplicada ao conhecimento e à cultura. Discuta como a tradição (o que é herdado dos filósofos antigos) é simultaneamente desafiada e utilizada como base para a renovação de ideias na sociedade.

2. Excesso, Equilíbrio e Mudança Social

O texto argumenta que os excessos – de sobra ou de falta – funcionam como "combustível da transformação" e que a harmonia não é um estado definitivo, mas um movimento. Em termos de mudança social, como os desequilíbrios (os "excessos") podem ser considerados motores para a evolução, tanto no nível individual (aprendizado) quanto no nível coletivo (superação de falhas)? Qual o risco social implícito na "estagnação" (imobilização do pêndulo)?

3. Falha, Tentativa e Persistência

A falha e a perda são ressignificadas no texto: "dói menos a frustração de errar do que a vergonha de jamais ter tentado", e "muitas vezes precisamos repetir o erro para confirmar que, de fato, era erro". Analise essa visão à luz da ética da persistência e da experiência. Por que o reconhecimento do erro e a ousadia da tentativa são considerados elementos centrais para o aprendizado e para a sustentação da trajetória individual na vida social?

4. Ordem, Transgressão e Liberdade

O texto estabelece uma relação paradoxal: "quanto mais leis criamos, mais transgressões surgem", e cita Raul Seixas: "Só há amor quando não existe nenhuma autoridade." Essa dinâmica é associada ao teste de limites para o exercício da liberdade. Discuta a relação sociológica entre norma (lei), transgressão e liberdade individual. Por que o ato de desafiar normas pode ser interpretado como um aprendizado prático do "sentido das regras" e da busca pela autonomia?

5. O Mandato da Avaliação Crítica

O texto valida o conselho bíblico: "Examinai tudo. Retende o bem." (1 Tessalonicenses 5:21) como um princípio para a renovação do conhecimento. Explique o que o texto entende por "Examinai tudo. Retende o bem" no contexto da aquisição de conhecimento e do amadurecimento. Como essa postura de avaliação crítica e seletividade permite ao indivíduo lidar com a tensão entre tradição e renovação na sociedade?

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