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MINHAS PÉROLAS

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

MEU REFÚGIO É OUTRO HOSPÍCIO: Recuso à Polarização e Apelo à Ética ("O inferno é um hospício de incuráveis." — Machado de Assis)

 


MEU REFÚGIO É OUTRO HOSPÍCIO: Recuso à Polarização e Apelo à Ética 

("O inferno é um hospício de incuráveis." — Machado de Assis)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Carrego comigo o peso de rótulos como “machista” ou “homofóbico”, atribuídos não por minhas ações, mas por ser simplesmente heterossexual — uma floculação automática que se tornou comum. A injustiça dessa acusação incomoda, sobretudo porque muitos a utilizam como arma política, da mesma forma que fazem com figuras públicas que lhes desagradam. Nunca perturbei ninguém com acusações, tampouco compactuo com qualquer forma de violência. O que me intriga é por que aqueles que se declaram “politicamente corretos” sentem-se autorizados a impor sua modernidade forçada, perturbando meu convívio e produzindo prejuízos sociais, como se lhes coubesse decidir quem merece reprovação ou absolvição.

Esses antagonismos fabricados criam um ambiente doentio: afinal, quem dinamita mais a convivência — o “homofobiado” ou o “homofobiador”, a feminista ou o machista? Em vez de alimentar esse embate artificial, o que deveria prevalecer são valores universais como ética, respeito e moralidade. A sociedade parece ter esquecido esses fundamentos, substituindo-os por disputas identitárias que desestabilizam qualquer mente lúcida dentro dessas “Pandemias conjugadas e compostas”. Entre acusações que se acumulam e polarizações que se aprofundam, o convívio humano transforma-se em um campo minado, onde qualquer passo pode levar ao mal-entendido, à hostilidade ou ao julgamento precipitado.

Diante dessa realidade corrosiva, recuso-me a atravessar o “Rubicon”, metáfora de um limite que, uma vez ultrapassado, transforma o indivíduo — e do qual não se retorna incólume. Atravessar tal fronteira seria aceitar um jogo sem regras, onde novos “Rubicons” surgiriam continuamente, cada qual empurrando a consciência para mais longe da sobriedade. O alerta de Marta Felipe ecoa com precisão: “Depois da recaída fica a lástima de entrar em rua sem saída.” Assim como Lulu Bergantim, que intuía que “O Curralzinho Novo sempre foi outro hospício provisório”, reconheço que certos caminhos não conduzem à liberdade, mas a labirintos onde a razão se perde.

Preservar minha integridade diante desse cenário é, portanto, um ato deliberado de resistência. Prefiro recuar — não por medo, mas por prudência — e manter-me fiel aos princípios que ainda considero sólidos. Em vez de responder à violência simbólica com mais violência, escolho a lucidez crítica. Em vez de aderir ao hospício social que tenta engolir todos em seu caos, opto por permanecer do lado de fora, ainda que isso signifique suportar rótulos injustos. Afinal, como antecipou Machado de Assis, “O inferno é um hospício de incuráveis.” Minha recusa é justamente a tentativa de não me tornar mais um deles.


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Como seu professor de Sociologia, o texto que acabamos de ler levanta questões profundas sobre polarização, identidade, cultura do cancelamento e a ética na convivência. Preparei cinco questões discursivas simples para explorarmos esses conceitos. Lembrem-se de usar os termos sociológicos corretos e de fundamentar suas respostas nas ideias e metáforas apresentadas no texto.


1. Rótulos, Identidade e Estigma

O narrador sente-se injustamente rotulado como "machista" ou "homofóbico" simplesmente por ser heterossexual, definindo isso como uma "floculação automática". Com base nos conceitos de Sociologia da Identidade, defina estigma e explique como o uso de rótulos (etiquetas) em disputas identitárias, conforme descrito no texto, pode gerar prejuízos sociais e afetar a convivência.

2. Antagonismo e Polarização

O texto questiona: "quem dinamita mais a convivência — o 'homofobiado' ou o 'homofobiador', a feminista ou o machista?" Essa pergunta ilustra a polarização social. Analise essa questão e o argumento do texto de que ética, respeito e moralidade deveriam prevalecer. Discuta a função social da polarização e por que ela é descrita como uma "Pandemia conjugada e composta" que impede a lucidez na convivência.

3. Ética e Violência Simbólica

O narrador afirma que nunca perturba ninguém com acusações e não compactua com a violência, mas é atacado por aqueles que se dizem "politicamente corretos", sofrendo prejuízos sociais. Em Sociologia, como podemos classificar a imposição de rótulos e a hostilidade que causam prejuízo no convívio (a forma como a "modernidade forçada" é imposta)? Discuta o conceito de violência simbólica (ou moral) neste contexto.

4. A Metáfora do "Rubicon" e o Ponto de Não Retorno

O narrador usa a metáfora de atravessar o "Rubicon" para descrever um limite perigoso, um ponto de não retorno que leva a uma recaída em "rua sem saída" (desequilíbrio). Interprete, sob a ótica da Sociologia do Indivíduo, o que o narrador busca preservar ao recusar-se a atravessar esse Rubicon. Por que o caos e o desregramento do convívio são comparados a um "hospício social" que ameaça engolir a razão?

5. Resistência e Coerência na Vida Social

O último parágrafo conclui que preservar a integridade é um ato de resistência deliberada, optando pela lucidez crítica em vez da violência simbólica. Defina o que é ação social (Weber) e como a recusa do narrador em aderir à disputa ideológica (mantendo-se do lado de fora) pode ser interpretada como uma forma de resistência social. Qual é o valor dessa coerência moral e intelectual para a trajetória do indivíduo na sociedade contemporânea?

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