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MINHAS PÉROLAS

terça-feira, 30 de junho de 2009

JOGO DE MESTRE: O Jogo como Lição de Ética e Maturidade (Somente a ética possibilitará a sobrevivência do clássico - Professores X Alunos)






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JOGO DE MESTRE: O Jogo como Lição de Ética e Maturidade (Somente a ética possibilitará a sobrevivência do clássico - Professores X Alunos)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

Assisti a uma partida de futsal entre professores e alunos e, enquanto observava a superioridade física dos estudantes, notei a variedade de sentimentos que os moviam. Alguns jogavam apenas para exibir habilidade e cooperar com o próprio time; outros pareciam aproveitar o momento para romper simbolicamente a hierarquia escolar e liberar frustrações acumuladas em sala de aula.

O ambiente, marcado por descontração e liberdade, permitia comportamentos impensáveis em outros espaços entre docentes e discentes. Essa cena despertou em mim a lembrança de quando eu participava ativamente desses encontros, tempos em que a vitória dos professores representava a extensão natural do domínio exercido no cotidiano escolar.

Ainda hoje, o confronto entre mestres e alunos conserva algo de profundamente pedagógico: quando o professor perde, a distância hierárquica se dissolve, abrindo uma valiosa oportunidade de aprendizagem recíproca. O jogo, então, transcende o simples lazer, tornando-se um instrumento capaz de fortalecer relações e renovar vínculos.

Ofensas, provocações e até pequenas agressões físicas que em outros contextos gerariam ressentimentos, ali são ressignificadas. Cabe ao professor compreender que esses excessos fazem parte da experiência de crescimento dos jovens. Assim, em vez de reagir, o docente direciona suas energias para a socialização, aceitando a desvantagem como parte de seu compromisso educativo.

Há mais virtude no professor que "perde" do que aparenta. Ele não apenas suporta a efervescência emocional dos alunos — muitas vezes provocadores, impetuosos e incentivados por uma torcida ruidosa — como também conserva uma espécie de autocompaixão. Reconhece que sua posição inferior no placar tem uma intenção didática, cedendo terreno como um exercício de autocontrole e demonstração de maturidade.

Longe de significar fracasso, essa postura revela um equilíbrio difícil: ser um jogador suficientemente hábil para sustentar o jogo, mas também consciente o bastante para não trair os princípios do magistério.

É a ética que garante que o tradicional duelo entre Professores e Alunos permaneça vivo como método pedagógico. Ela orienta o professor a sacrificar o impulso competitivo em nome de um propósito maior: assegurar que o jogo continue sendo um espaço de convivência, aprendizado e construção de respeito mútuo.

Quando a lealdade ao ofício prevalece sobre a força bruta, o esporte cumpre seu papel mais nobre dentro da escola, transformando a quadra em uma extensão da sala de aula, onde a lição mais importante é sobre o caráter.


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Com base na minha reflexão sobre a partida de futsal entre professores e alunos, preparei 5 questões discursivas e simples. Elas visam explorar os conceitos sociológicos de hierarquia, papéis sociais, socialização e a função pedagógica do esporte dentro do ambiente escolar. Pense nas ideias do texto para formular suas respostas.

1 - Hierarquia e Ruptura Simbólica: O texto menciona que alguns alunos usaram o jogo para "romper simbolicamente a hierarquia escolar e liberar frustrações acumuladas em sala de aula."

Explique o que se entende por hierarquia escolar no contexto da Sociologia da Educação (relação professor-aluno) e analise como o ambiente do jogo (descontração e liberdade) permite essa "ruptura simbólica".

2 - Ressignificação de Conflitos: O autor afirma que ofensas, provocações e até pequenas agressões físicas, que em outros contextos gerariam ressentimentos, são ressignificadas durante a partida.

Descreva o conceito sociológico de ressignificação (atribuir um novo sentido) e exemplifique como a ética e a função educativa do professor atuam para que esses conflitos esportivos não se transformem em conflitos sociais duradouros.

3 - A Maturidade do Professor e o Papel Social: O professor que "perde" demonstra um "equilíbrio difícil" ao ser hábil, mas consciente de não "trair os princípios do magistério".

Discuta como a maturidade e o autocontrole do professor, ao aceitar a derrota, reforçam o seu papel social de educador, em oposição ao papel de competidor.

4 - O Esporte como Agente de Socialização: O texto sugere que o jogo transcende o simples lazer, tornando-se um instrumento para fortalecer relações e renovar vínculos.

Com base nessa ideia, classifique e explique o esporte como um agente de socialização secundário no ambiente escolar. Qual lição de caráter ele proporciona, segundo o texto?

5 - A Ética como "Método Pedagógico": A ética do professor é apresentada como a garantia de que o duelo "permanece vivo como método pedagógico" ao sacrificar o impulso competitivo em nome de um "propósito maior".

Defina o "propósito maior" mencionado no texto e justifique por que a lealdade ao ofício (ética profissional) é essencial para transformar o confronto esportivo em um espaço de "convivência, aprendizado e construção de respeito mútuo".

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