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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Professor de Coração (O sistema educacional público não tolera a qualidade?)




CRÔNICA

Professor de Coração (O sistema educacional público não tolera a qualidade?)

Por Claudeci Ferreira de Andrade

         Há algo relacionado com o esforço feito de todo o coração que produz êxito. Um atleta maratonista em plena prova pode ter esplendida habilidade, resistência e sincronização, mas se não tiver cem por cento de vontade de vencer, é bem provável que será deixado para trás!
          Em meu esforço para produzir este texto, quero declarar por que sou “leal” ao magistério quando dezenas de outros professores, travestidos de mestre, abandonam-no. Essa mesma inteligência franca é necessária em nossa relação financeira com a educação, sem fazer disso o "Cavalo de Tróia".
         É apropriado que os professores em todas as reuniões reclame de salário? Devemos concordar com profissionais da educação que não empregam sua melhor experiência técnica de ensino por julgar que o sistema não lhe paga bem?
         Por certo, nenhum professor deveria fazer do dinheiro o seu único tema, como também não deverá exceder-se no assunto da evasão escolar, uso de uniforme, nota de aluno, com a exclusão de outros temas igualmente importantes para o ensino/aprendizagem. Mas, os professores estariam abreviando seu magistério se não aproveitassem boas oportunidades para guiar o alunado aos verdadeiros problemas da educação e apresentá-lo a devida relação entre “aquela autodisposição” e o salário de educador. Nos grandes compêndios que tratam do comportamento profissional do professor, metade deles toca na questão de salário baixo como um fator desestimulador. Outro dia, ouvi através da rádio CBN, um comentário sobre “o apagão na educação”, era uma previsão de que em breve, faltará professor no mercado. Devido à falta de incentivo financeiro e às adversidades disciplinares em sala de aula. Isso demonstra que os intelectuais reconhecem a importância da perspectiva educacional do dinheiro. 
         Como profissional da área, dedicamos a vida ao sistema educacional. Dissemos-lhe na colação de grau do curso de licenciatura: “ofereço-lhe uma dedicação de todo meu coração”. Mas, uma parte desse coração está em nossa carteira, pois o dinheiro que se acha ali representa a energia que impulsiona à iniciativa e à criatividade. Se o sistema não é o recheiador de nossa carteira, estamos em “greve” permanente. Ele não nos paga bem, não porque não tenha verba, mas porque não quer bem a nós.
          Talvez alguém pergunte: Desejo ser honesto com o sistema? Mas, como posso saber até que ponto devo ir com essa honestidade? Procuro desenvolver fielmente minhas aulas como se tivesse recurso para isso, mas a escola está sempre pedindo mais! O fato é que não estabelecemos um limite, pagamos para trabalhar. Tudo o que somos pertence à educação em uma dedicação descomunal. Nós simplesmente lhe perguntamos como deseja que nos comportemos. Quer compremos alimentos, roupas ou livro, tudo deve estar sob a direção da função que exercemos dentro da escola.
         O sistema educacional público não tolera a qualidade?
Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 28/04/2009
Código do texto: T1565129

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ComentáriosComentar


28/04/2009 19:58 - josé cláudio Cacá
dispensa comentários de tão lúcido e certeiro. Paz e bem.
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