"Não é o significado da vida, mas o sentido dela." (May Iakulo)

"Que eu não aprenda o significado da vida, no ultimo minuto do segundo tempo." (Day Anne)

Pesquisar neste blog ou na Web

MINHAS PÉROLAS

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

PRESENTE DE GREGO (– Aluno quer boa nota até por violência!)



CRÔNICA


PRESENTE DE GREGO (– Aluno quer boa nota até por violência!)

Por Claudeci Ferreira de Andrade


          Quanto aprendemos sobre a amizade de nossos alunos e seus relacionamentos interesseiros! Já dizia um colega professor de muitos anos:
          – Aluno quer boa nota !
          Uma vez, tentando retribuir a prestatividade de uma aluna, não dando-lhe boa nota, mas com a minha amizade. Foi que me dispus a fazer seu currículo, que a muito pedia e precisava, queria um emprego, então lhe dediquei um tempo, o qual para mim foi um sacrifício, pois já me telefonava de uma "Lan House" pedindo para ajudá-la, era urgente! Porém, era uma armadilha. Na ocasião, coincidindo que a mesma já estava decidida a parar de estudar, por isso não precisava mais de mim, e nesse caso, jogava toda culpa sobre mim, elaborou uma vingança, cobrou o preço de minha reputação, Mentiu para o marido, que veio me afrontar!
          Inúmeras vezes, tenho recebido agressões verbais daqueles a quem devo amar e ensinar, tipo: “Lá vem esse velho caduco de novo”! “Ah, não”! “Êta, professor chato”! “Ninguém merece duas aulas seguidas desse quadrado, "Bob Esponja”! Dói-me, nem tanto as frases em si, mas o tom das expressões acompanhado com gestos bruscos de repugnância. Tenho essa relação como um lugar escuro, uma espécie de poço, com apenas uma minúscula abertura em cima, por onde entra um pouco de luz, a esperança de que tudo mude no futuro, pelo menos para mim, com a aposentadoria merecida.
          Quando o colégio, no qual trabalho até hoje, foi incendiado por alunos do mesmo, queimando assim todos os diários de classe, então fui orientado a dar notas: o critério era apelar para sua consciência; como a consciência de cada um trabalha a seu favor, só me falavam de notas boas. Nunca tive tantas manifestações de aceitação como naquela época. É possível que esse clima tenha contribuído para minha frouxidão. Mas, não podemos cometer o crime de dar notas em troca da amizade passageira de alunos transitivos.
          Mas agora, consumindo-me numa “prisão”, acusado de um crime que não cometi: por apenas ser  velho; eu preciso de amigos verdadeiros. Embora a certeza de que ainda estou sendo útil à sociedade e de que mereço mais respeito e retribuição, é natural que as circunstâncias façam-me suspirar por palavras de encorajamento da parte dos que comigo partilham a esperança bendita do crescimento cultural. O pior é que eu não tenho nenhuma palavra otimista para eles. O aluno que ameaça o professor e esculacha o sistema, brigando por nota, sua reputação vale apenas a nota que conseguiu no grito. 
          A maioria dos alunos não é diferente do resto do mundo, essa é o tipo perfeito dos amigos de bons tempos. Até entram na sala dos professores, tomam talagadas do café que foi comprado com a “vaquinha chorada” que eles jamais colaboraram, depois colocam Chumbinho e Acetona no resto, para vingarem-se dos que não lhes dão notas boas (http://g1.globo.com/educacao/noticia/2011/05/violencia-dos-alunos-provoca-stress-pos-traumatico-em-professores.html)—Acessado em 16/12/2015. Porque, quando a situação se torna crítica e a amizade pode significar algum sacrifício, eles se tornam traidores. Já que eles abominam o papel do professor chato, quadrado e antigo, preferem perder a pessoa versátil do mestre pois o impedem de um ressurgimento dos mantos de uma boa amizade.

Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 20/05/2009
Código do texto: T1604053

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Autoria de Claudeci Ferreira de Andrade,http://claudeko-claudeko.blogspot.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.


Postar um comentário