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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Solidariedade Docente* (Uma homenagem a Professora Lourdinha)




CRÔNICA

Solidariedade Docente* (Uma homenagem a Professora Lourdinha)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Por Claudeci Ferreira de Andrade
         Que cena é essa! Estive com dengue tipo clássico. Passei pelo médico vez após vez, inclinando-me numa agonia que nenhuma língua pode expressar. Sobretudo, vi muitos doentes nos CAIS do Novo Mundo, das Amendoeiras e da Chácara do Governador, lugares onde tive tomando soro de reidratação, ardendo em febre aos montes. Pensei: a justiça assumira o trono, e o braço forte de uma professa amiga surgiu para me salvar, revelou-se forte para me assistir. E o que ganhou com isso? Também contraiu a doença. Uma professora pedagoga sem obrigações pedagógicas a meu respeito, apenas Lourdinha. Quero homenageá-la, porque foi a ideal para mim.
         É possível que a escola reserve um dia e o oficialize para se homenagear os coordenadores pedagógicos. Assim, como faz no dia do professor, no dia da merendeira, no dia do gestor, no dia do estudante; mas ainda não o fez, talvez, porque uma das dificuldades está em se distinguir o papel funcional do coordenador pedagógico entre as atividades docentes e sua importância realmente significativa. Estes são apenas "profissionais", souberam me cobrar serviço até aqui, porém nenhuma palavra amiga em minha enfermidade. Portanto, uma homenagem assim será atribuída a muitos que não merecem. Às bodas da educação, celebradas para quem é de direito, virão muitos que não trazem a veste apropriada – o manto adquirido para eles com o suor de um bom trabalho comunitário. Para não ocorrer que alguém pergunte: “Amigos, como entrastes aqui sem vestes nupciais”? Seria melhor que não comparecessem!
         Aqueles a quem me dirijo ficam mudos. Sabem que minhas palavras são oportunas. A verdade é que tocar o sino para a troca de professores, inspecionar diário de classe, sugerir que façamos projetinhos de leitura e de teatro e defender alunos “bonzinhos” das garras de professores “cruéis” é muito pouco! Quem sabe visitar também os doentes da comunidade, providenciar comida para os que têm fome, dessa forma eles ocupariam elevada posição de confiança na obra da educação?! Mas, não têm a apólice que lhes asseguraria um dia exclusivo de homenagens, um dia reconhecido de honrarias na comunidade escolar porque a função nunca justificou, até porque outros, de outras formações, que não pedagogia, exercem a função. Cheios de autossuficiência, eles esperam estar bem com sua consciência. Mas, no futuro, o espelho de detecção revelar-lhes-ão o bem que deixaram de fazer à educação, não realizando, também, um trabalho humanitário e cristão.
         Hoje ouço dos trementes lábios dos seletos pedagogos aposentados da educação as dolorosas palavras:
         —“Nós ensinamos, demos nossa vida pela a educação e não tivemos um dia sequer de homenagem!”
         Agora essas vítimas estão olhando para mim com esperanças, pois reivindico homenagens aos bons pedagogos atuantes. Que me perdoem os outros, mas digo mais: "como poderia eu deixar de amar quem me ama tanto!"

Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 24/04/2009
Código do texto: T1558155

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