"Não é o significado da vida, mas o sentido dela." (May Iakulo)

"Que eu não aprenda o significado da vida, no ultimo minuto do segundo tempo." (Day Anne)

Pesquisar neste blog ou na Web

MINHAS PÉROLAS

domingo, 4 de outubro de 2009

ALUNOS, COM DIREITOS E SEM DEVERES (Por que o aluno haveria de se importar em estudar se a entidade se interessa mais que ele estude do que ele mesmo?)




CRÔNICA

ALUNOS, COM DIREITOS E SEM DEVERES (Por que o aluno haveria de se importar em estudar se a entidade se interessa mais que ele estude do que ele mesmo?)

domingo, 4 de outubro de 2009
Por Claudeci Ferreira de Andrade

          Já aprendi minhas obrigações, mas sempre tem alguém para me lembrá-las. Nem esperam que eu incorra em algum deslize, pretendendo os meus direitos, mas em todas as reuniões colegiais é uma cobrança sem fim. Até os pardais que moram no beirado do banheiro da escola e na caixa d’água me cobram deveres ecológicos. A direção e pais de aluno ditam que os professores não podem fazer isso ou aquilo, são tantos "nãos" que não acabam mais. Já os alunos e colegas dizem que se fulano, sicrano e/ou beltrano podem, eu também posso e fazem de tudo, de jeito que o coitado do professor aqui fica numa camisa de força. Refém de suas próprias leis!

         O mais deprimente que acho, é quando eu vou tentar corrigir um dos meus alunos, o mais desleixado quanto a sua pontualidade, e ele me diz:

          — Se os professores podem chegar atrasado, eu posso.
         Isso me faz lembrar também da forte marcação em cima das professoras que não podem nem usar uma roupa diferente, um pouco aberta, nas costas, por causa do calor, que as meninas de quem são cobradas um traje rigoroso exigem igualdade.

         É a revolta da comida, ou seja, o vômito de tudo aquilo que lhes foi enfiado de goela abaixo por anos; o pior de tudo é que respinga em minha branca roupa protegida com pó de giz, mas por ora me dá vontade de mendigar aqueles respingos, talvez seja esse mais um dos meus deveres, alimentando a inveja de está no lugar deles para usufruir dos muitos direitos que têm e não só para entendê-los melhor, mas para desfrutá-los também!

         A falta de limites dos alunos diluiu o meu direito de ser professor de tal forma que afeta minha consciência. Por que os alunos e pais têm direitos demais sobre a escola pública? Se conquistaram tanto poder por pagarem os seus impostos ao país, eu também pago meus impostos e estou ainda trabalhando, para merecê-los! Por que o aluno haveria de se importar em estudar se a entidade se interessa mais que ele estude do que ele mesmo? Falta uma filtragem, quando se diz que a razão da existência da escola é o aluno!
         Perdem-se de vista os papéis e as funções, e assim, outras coisas mais importantes deixam de ser transitadas. Na tentativa do professor se postular no lugar do aluno para unicamente lhe entender melhor, tem feito do mestre um eterno escravo. Sendo assim: "É preciso começar por deixar de ser professor para poder sê-lo" (Jean-Pierre Vernant).
         Com relação ao ensino público, eu gostaria que imperasse o pensamento de Richard Bach: "podemos oferecer um presente, mas não podemos obrigar ninguém a aceitá-lo." Porém o governo insiste em empilhar "gatos por lebres" na escola pública diluindo a qualidade.

Claudeko
Publicado no Recanto das Letras em 04/10/2009
Código do texto: T1848059


Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (autoria de Claudeci Ferreira de Andrade,http://claudeko-claudeko.blogspot.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

Comentários



Postar um comentário